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O impacto dos problemas financeiros dos funcionários nas empresas

Quem mal recebeu o salário do mês anterior e já espera pelo próximo pagamento para saldar dívidas, certamente está com problemas financeiros que podem comprometer não só a reputação junto a credores, como, também, o relacionamento familiar, social e, principalmente, a atividade profissional. Pessoas com contas de luz, água, condomínio, prestações em atraso etc., pressionadas por telefonemas e mensagens de cobrança – quando não confrontadas presencialmente por cobradores – ficam com a saúde mental e física abaladas. As consequências são o presenteísmo, situação em que o funcionário está fisicamente presente no posto de trabalho, mas com a mente em outro lugar, tentando imaginar uma forma de resolver as pendências financeiras. Ou, então, ocorre o absenteísmo, quando o funcionário simplesmente não aparece para trabalhar, correndo atrás de empréstimos em bancos ou, em maior desespero, de agiotas.

Para a empresa, tanto o presenteísmo quanto o absenteísmo se refletem negativamente, gerando custos extras, com quebras de continuidade de produção ou no atendimento de clientes, com inevitável perda de produtividade. Somado a isso, surgem os problemas de relacionamento com colegas, tornando o ambiente tóxico, propício para acidentes de trabalho, o que acaba em mais gastos com atendimento médico e hospitalar.

Algumas empresas  resolvem o problema, simplesmente, demitindo o funcionário endividado, embora exista uma lei que proíbe tal prática. Outras, entretanto, cientes de que o envolvimento com as finanças do funcionário não se limita ao pagamento dos salário e preocupadas com a interferência na produtividade, concedem adiantamentos de salários (inclusive o 13º), venda de férias e empréstimos. Em alguns casos, até simulam demissões para permitir que o empregado saque o fundo de garantia e possa colocar em dia as pendências financeiras. Mas, essas ações  apenas resolvem uma situação pontual. Como os adiantamentos ou empréstimos são descontados em parcelas, nos meses seguintes, diminuindo o valor líquido do salário do colaborador, os problemas voltam a se repetir, às vezes em valores maiores.

No mundo corporativo, os gestores trabalham com resultados, valendo-se, muitas vezes, do KPIs (Key Performance Indicator ou, em português, indicadores-chave de performance), ferramentas para medir os indicadores mais importantes de um negócio ou empresa que podem ser a produtividade, satisfação do cliente e taxa de turnover. Na ocorrência de resultados insatisfatórios, a causa muitas vezes tem relação com a motivação e bem-estar – ou falta de – dos colaboradores. Nesses casos, é preciso identificar a causa da desmotivação do funcionário que pode não ser o salário, nem os benefícios ou condições de trabalho, mas problemas pessoais, dentre os quais se destacam os financeiros.

Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Educadores Financeiros (ABEFIN), em parceria com a Unicamp e o Instituto Axxus, entrevistou 2 mil funcionários de 100 empresas de médio e grande porte, em vários estados do Brasil, e constatou que apenas 16% dos colaboradores conseguem pagar as contas, mensalmente, com seus ganhos. Na mesma pesquisa, 96% dos profissionais de RH disseram acreditar que os funcionários com mais dificuldades em administrar as próprias finanças são menos produtivos. Já um estudo do SPC Brasil e Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apurou que apenas 10% dos brasileiros estão preparados par lidar com alguma despesa inesperada, enquanto 27% temem que o dinheiro não dure o mês todo e 64% vivem no limite do orçamento.

O estresse financeiro, representado pelos números alarmantes das pesquisas citadas anteriormente, tem impacto direto em questões emocionais, podendo causar irritabilidade, fadiga, falta de sono, entre outros sintomas. Um colaborador que vivencia um estresse financeiro manifesta problemas de concentração, distraindo-se mais facilmente, até com atividades alheias ao trabalho, preocupado em resolver as pendências. Um estudo de 2019, promovido pela PricewaterhouseCoupers (PwC), mostrou que 49% dos colaboradores gastam cerca de 3 horas por semana, tratando de questões financeiras pessoais.

Com base nesses números, fica evidente a necessidade da educação financeira. Muitas empresas, inclusive pequenas, procuram preencher essa deficiência entre os colaboradores. Empresas maiores, por exemplo, incluem  no evento da Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (SIPAT) palestras de sensibilização e conscientização, workshops e cursos voltados à educação financeira dos funcionários, muitas vezes extensivos aos familiares. Empresas menores, não obrigadas a promover a SIPAT, também estão contratando essas palestras e workshops. O conceito de responsabilidade socioambiental está ligado a um processo de ganha-ganha: se, por um lado, o funcionário passa a ter uma melhor qualidade de vida, sem preocupação com as dívidas, por outro, o desempenho no trabalho melhora e, consequentemente, a empresa passa a ganhar ou, pelo menos, a não perder produtividade.

A educação financeira deve ser tratada como parte da responsabilidade social da empresa, beneficiando colaboradores, familiares, a comunidade e ela própria. Muitas pessoas ainda confundem finanças pessoais com educação financeira. Enquanto finanças pessoais se restringe a algumas técnicas importantes e necessárias  – fazer alguns cálculos, elaborar um orçamento, pesquisar preços, preencher planilhas, conhecer produtos financeiros etc -, a educação financeira vai além: usa as ferramentas das finanças pessoais, mas, por ser uma ciência humana, trabalha a mudança do comportamento e de hábitos das pessoas e das famílias para torná-las sustentáveis financeiramente.

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