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O que vem por aí?

Nestes quase 20 meses de pandemia, muito foi escrito e dito sobre uma expressão que perdeu força justamente pela repetição: é o tal “novo normal”. Reina grande expectativa – como diriam os narradores de futebol de antigamente – sobre o comportamento resultante de todo este sofrimento mundial. Impõe-se a retomada de diversas atividades do cotidiano sem, no entanto, abrir mão dos protocolos sanitários que já estão incorporados ao dia a dia.

Desde o começo da crise sanitária, há notícia de ações beneficentes com o objetivo de ajudar as pessoas em situação de vulnerabilidade social que viram a fome bater à porta. Basicamente, são campanhas de arrecadação de cestas básicas, roupas, agasalhos e alimentos para enfrentar a miséria resultante da extinção de cerca de 150 mil empresas e milhares de empregos somente no Rio Grande do Sul.

Ao mesmo tempo, as aglomerações humanas que ignoram as regras básicas de convivência se repetem e causam revolta. Todas as segundas-feiras, os veículos de comunicação divulgam o trabalho exaustivo das guardas municipais e de outras forças de segurança para coibir os abusos. Festas em condomínios, pagodes diversos e ajuntamentos em calçadas e bares sem a observância dos cuidados mínimos fazem refletir sobre a racionalidade humana.

O avanço da vacinação e a consequente queda das estatísticas de morte e de internações levaram à flexibilização de diversas atividades. Fala-se, inclusive, na possibilidade de dispensa do uso da máscara. Já temos estádios de futebol com a presença controlada de público, além de mudanças para a realização de eventos e a retomada do ensino através de aulas presenciais.

A maioria dos pais exulta com a introdução dessas mudanças. Eles aguardavam ansiosos pelo retorno das escolas e a volta da rotina também nas creches. Existe muita preocupação com as consequências da falta de convívio social dos filhos com colegas, professores e funcionários, fundamentais para a plena educação em creches e escolas. São meses a fio de aulas virtuais, dúvidas sobre os conteúdos apreendidos e de falta de convivência.

“O bom senso está sempre no equilíbrio”, repetia meu pai cada vez que uma discussão se estabelecia dentro da nossa casa. Neste momento de transição, esse princípio é fundamental. Se o retorno ao “novo normal” é uma necessidade – até como condição de sobrevivência de milhões de famílias –, também é correto pedir-se racionalidade sem radicalismos. E, acima de tudo, espírito coletivo na observância do convívio.

É difícil prever o futuro. Sonha-se com mudanças profundas de comportamento, além da adoção de novos hábitos de higiene. Mas o ser humano é imprevisível, e tudo pode acontecer.

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