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BENNO BERNARDO KIST

O saber (e querer) desconectar

Estamos sempre diante de opções e decisões, que, por sua vez, requerem o devido discernimento e reflexão. Tais atitudes, no entanto, não se encontram mais tão presentes como deveriam estar na vida cada vez mais apressada e agitada das pessoas na atualidade.

Ainda na recente contribuição para este espaço, recebi gentis e gratificantes considerações do colega e amigo Gilberto (Giba) Jasper, sobre o tema abordado: o caminhar diário e as observações que essa ação permite a quem se dispõe a fazê-lo. Nesta disposição cotidiana, nas idas e vindas entre a casa e o trabalho, importa lembrar que não invento desculpas para o “não”, mas apenas caminhos, roteiros e razões para o “sim”, que sempre me animam para esse fim.

O mesmo vale para outras temáticas bem atuais, como é o caso da “ultraconexão” digital que a geração presente vive. Isso me salta aos olhos novamente ao ler (“Veja”, de 23/03/2026) sobre o que revela pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), de que pelo menos quatro entre cada dez jovens se sentem “viciados nas telinhas”, mas, ao mesmo tempo, quase metade dos usuários de celulares já se mostra disposta a reduzir o tempo dedicado a essa finalidade.

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Foram mencionados estudos que revelam problemas sociais e emocionais advindos do exagero no uso de plataformas digitais, entre eles a menor capacidade de atenção e dificuldades de cognição, reflexão, pensamento crítico e vínculos afetivos. Justamente diante dessa realidade, também são apontados movimentos de desconexão e imposição de limites, que passam a exigir doses fortes de resiliência e adaptação para pais e responsáveis, a partir do fato deles próprios já, em sua maioria, serem excessivamente dependentes digitais.

Trata-se de problema bem nosso. Os brasileiros estão entre os líderes mundiais em tempo de conexão com a tela: mais de 9 horas por dia. É só olhar ao redor e ver que parece não haver vida fora das mídias sociais, dos games e dos vídeos. Porém, sempre há exceções e, particularmente, estou aí para provar que existe vida, sim, e muita vida fora desse circuito, ao dispensar o uso de celular já há um bom tempo e não encontrar maior problema (pelo contrário) nesse nadar contra a corrente.

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É claro que isso só se tornou possível dentro de uma decisão pessoal consciente para mudança de estilo de vida, onde incluí também maior uso dos próprios pés (feitos para tanto) e menor utilização de veículos motorizados para se deslocar. Neste contexto, está a adoção de um ritmo vivencial mais calmo, de mais tranquilidade/liberdade e menos pressa/pressão/ansiedade, grandes males da atualidade, a que se liga diretamente a dependência das telas.

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É preciso deixar claro que não se fala aqui em qualquer desvalorização dos avanços tecnológicos, que são importantes, necessários e trazem muitos benefícios, mas de se manter a consciência de que são apenas instrumentos/meios para atingir objetivos e não devem se tornar os fins em si. Requerem, pois, um aproveitamento mais racional, dentro do velho e bom equilíbrio que deve presidir e comandar a vida, e não se deixar comandar e dirigir por objetos e seus truques implícitos.

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A limitação no uso de celulares nas escolas, como política pública já assumida, é uma reação positiva, assim como ocorre com a regulamentação recente do ECA digital para proteção às crianças e adolescentes diante de vários riscos neste ambiente. E são louváveis comportamentos individuais de redução da dependência, ao mostrarem disposição para renúncias, para o que quase ninguém mais se decide e, convenhamos, pouco se educa nos tempos atuais.

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