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DIA DO ORGULHO LÉSBICO

Orgulho de quê?

As cores que eu carrego no peito, coloridas feito o arco-íris, não escondem quem eu sou. Estampo e espalho aos quatro cantos que amo e vivo, que aprendi com as minhas cicatrizes, que cresci com as decepções, que criei laços e os fiz de ponte entre mim e o mundo. Nunca escondi parte alguma desta alma desfeita de nós – para ser livre, precisa ser solto. O amor veio aos poucos, chegando de mansinho e parecendo tão certo que de jeito nenhum podia ser errado. E não era. Não é.

Menina, aprendi a me olhar no espelho e procurar pelos defeitos. Mulher, entendi que a vida é feita de momentos que fazem valer a pena os percalços do dia a dia. Neste emaranhado de vida, de dias que passam em horas e minutos que duram anos, me descobri apaixonada por outra mulher.

Quantas vezes você, aí do outro lado da página, pôde dizer que é fiel ao seu verdadeiro eu? Eu posso. Enfrentei desafios, vivi pesadelos, tive medo, tive dor. Fui julgada e sofri preconceito, só por segurar a mão de quem amo. Sorri, lutei, me orgulhei.

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“Orgulho de quê?”, você pode dizer.

Deixa eu te contar uma coisa: nós, mulheres lésbicas, temos histórias, de lutas e vitórias, de lutas e derrotas. E as lutas não aparecem duas vezes ao acaso. Lutamos por viver, por ser, por amar e sermos amadas. Lutamos para não sermos mortas, para sermos vistas e não apagadas. Lutamos pela garantia de sermos iguais em direitos e deveres e diferentes ainda assim – porque essa é a beleza da vida. Brigamos sim, se for preciso, por respeito acima de tudo.

Conversamos, brincamos, rimos e decidimos quais rumos tomar ao som de funk ou de de sertanejo, na companhia de um copo de cerveja ou uma taça de vinho, lendo jornais ou revistas, assistindo a séries ou filmes, cheias de amigos ou os contando nos dedos. Vivemos assim, como tantos outros antes e depois de nós. Temos dores e medos, alegrias e euforias. Como todos, vivemos.

Só faltou adicionar aí o orgulho que sentimos – aos montes, tanto que derrama do peito, explode por dentro. “Orgulho de quê?”, você pode repetir quantas vezes quiser. Talvez eu não ouça suas palavras de ódio, seus sentimentos mais impuros, sobre coisas que nem te dizem respeito. Mas sempre vou estar pronta para te ajudar a entender porque sou humana e mereço respeito. Que sou tão digna quanto você de poder viver sem medo, de ser fiel aos meus desejos e de simplesmente ser quem eu sou.

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Eu te respondo, por fim: “Orgulho de quê?”

Orgulho de amar incondicionalmente, de viver sem medo de encontrar a felicidade e de sermos completamente verdadeiras com quem somos. Sentimos orgulho de estarmos vivas em uma sociedade que insiste em nos apagar, orgulho de resistir frente aos retrocessos, orgulho de nos erguermos contra o preconceito. Sentimos orgulho de viver a verdade de quem somos. Com as cores que carregamos no peito e na alma, coloridas feito o arco-íris, temos orgulho de ser.

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O Dia do Orgulho Lésbico é lembrado hoje, 19 de agosto. A data foi criada em 2003, em memória e homenagem ao movimento político que deu início à luta das mulheres lésbicas no Brasil. Na data, em 1983, mulheres do Grupo Ação Lésbica Feminista (Galf) protestaram no Ferro’s Bar, em São Paulo, contra a proibição da distribuição do Chanacomchana – jornal independente, distribuído entre 1981 e 1987, que trazia pautas ligadas às mulheres lésbicas. Lideradas por Rosely Roth, ativistas conseguiram derrubar a censura do bar e a proibição foi revogada. Em 2003, a data foi instituída para lembrar o início da luta travada diariamente pelas mulheres lésbicas em busca de direitos, respeito, representatividade.

Ainda neste mês, no dia 29, é lembrado o Dia da Visibilidade Lésbica, data criada em 1996 para reforçar a importância de ser vista em uma sociedade machista e heteronormativa. Por isso, agosto é considerado o Mês da Visibilidade e do Orgulho Lésbico.

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