A presença de palometas no Rio Jacuí, em Rio Pardo, voltou a preocupar pescadores. Conhecida como piranha-vermelha, a espécie tem sido avistada com frequência no trecho entre a Praia dos Ingazeiros e as proximidades do Porto Ferreira.
O pescador amador Álvaro Adriano Freitas Soares, santa-cruzense e morador de Vera Cruz, afirma que a captura tem se tornado recorrente. “A palometa praticamente tomou conta do Jacuí”, afirma. Ele possui carteira de pesca amadora e diz respeitar as normas ambientais, inclusive no período da piracema.
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Segundo o pescador, os peixes teriam avançado para os rios Pardo e Pardinho após as recentes cheias. Soares observa ainda o crescimento dos exemplares. Se há três anos eram pequenos, hoje chegam a pesar 600 gramas, porte semelhante ao de uma tilápia média.
O secretário municipal de Meio Ambiente e da Pesca de Rio Pardo, Cícero Garcia, pondera que a existência do animal no ecossistema não é novidade. “Não há uma proliferação. É uma situação controlada. Os relatos, inclusive, diminuíram após a enchente de 2024”, sustenta.
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Garcia explica que, embora não existam estudos específicos sobre a redução recente das queixas, o manejo da espécie é complexo pela ausência de predadores naturais efetivos. “O único seria o peixe dourado, mas não se pode simplesmente transferir exemplares de um local para outro sem quebrar o equilíbrio nativo”, esclarece.
Atualmente, não há um programa estadual de erradicação da espécie. A orientação da secretaria é que os pescadores retirem as palometas das redes sempre que forem capturadas, impedindo que retornem ao leito para prevenir a proliferação.
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Riscos
A palometa (Serrasalmus maculatus), também chamada de piranha-vermelha ou pirambeba, é um peixe carnívoro nativo da bacia do Rio Uruguai. Nos últimos anos, a espécie expandiu seu habitat para a bacia do Jacuí, auxiliada por canais de irrigação e períodos de cheias. Entre seus riscos está o desequilíbrio ecológico. Por ser um predador agressivo e generalista, a palometa compete por alimento com espécies nativas do Jacuí e ataca outros peixes, reduzindo a biodiversidade. Para os banhistas, também pode causar problemas. Mesmo que prefiram águas paradas e ataquem principalmente outros peixes, em situações de escassez de alimento ou baixa no nível dos rios, podem ocorrer mordidas acidentais em humanos.
Cenário de incertezas
O impasse divide percepções: de um lado, pescadores que notam mudanças drásticas na dinâmica do rio; de outro, o poder público, que considera o quadro estável. No centro do debate, permanece o temor histórico sobre o impacto do predador no futuro das espécies nativas do Jacuí.
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