Rádios ao vivo

Leia a Gazeta Digital

OBJETIVA MENTE

Pílulas da felicidade

Existem muitos mitos e verdades acerca dos antidepressivos. É fato que eles são uma das medicações mais prescritas e ainda pairam sobre eles muitas dúvidas e fantasias que pretendo, quem sabe, auxiliar a esclarecer.

Os primeiros antidepressivos datam do início da década de 1950. Como muitas grandes descobertas científicas, eles foram descobertos por acaso. Ao testar uma nova droga para tuberculose, observou-se que muitos pacientes que a usavam apresentavam uma melhora significativa de seu humor melancólico. Nascia assim a imipramina, potente antidepressivo que ainda é prescrito e usado como referência no teste comparativo com antidepressivos mais modernos. O grande problema dos antidepressivos mais antigos são seus efeitos colaterais. Não que as novas medicações não os tenham, mas são muito mais brandos e menos graves.

Existem muitas classes de antidepressivos. Tríciclicos, inibidores da recaptação de serotonina, duais, melatoninérgicos, dopaminérgicos, há mais de 30 medicamentos no mercado. Muitas pessoas afirmam que há uma prescrição exagerada desses medicamentos. Isso não é fato. Depressão atinge em torno de 20% da população ao longo da vida. Logo, são milhões de pessoas que precisam fazer uso dessas ferramentas para melhorar.

Cada antidepressivo tem um perfil próprio de efeitos desejados e efeitos colaterais. Sendo assim, não há um remédio que resolva todos os casos. Até porque cada paciente é diferente. Não há um medicamento que seja melhor do que o outro. Tudo depende dos sintomas predominantes que a pessoa tem. O desafio do médico aqui é selecionar qual o melhor medicamento dentre todos para tratar a pessoa que está na sua frente. Muitas vezes não somente um, mas sim uma combinação de medicamentos.

Infelizmente, os antidepressivos levam em média três semanas para fazer efeito. O erro mais comum é não usar doses adequadas, por medo ou desconhecimento. Isso atrasa a melhora do quadro depressivo. Os efeitos colaterais mais temidos são perda de libido, ganho de peso e embotamento afetivo. Eles podem ocorrer? Sim. Mas são manejáveis e muitas vezes evitáveis

As medicações utilizadas no tratamento da depressão não causam tolerância ou dependência. Muitas pessoas confundem a recidiva da doença com um suposto vício ao remédio. O que devemos ter em mente é que a depressão, assim como hipertensão e diabetes, é uma doença crônica que muitas vezes necessita de tratamento medicamentoso para a vida toda. Basta só tomar remédio? Não. Mas muitas vezes é a diferença entre a vida e morte. Literalmente.

Antidepressivos são anti depressão e não pró felicidade. Para ser feliz são necessárias muitas outras condições além da química. Mas, sem sobra de dúvidas, o tratamento adequado do transtorno depressivo é uma delas. Não tem como ser feliz estando deprimido.

LEIA MAIS COLUNAS DE VINICIUS ALVES DE MORAES

Aviso de cookies

Nós utilizamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdos de seu interesse. Para saber mais, consulte a nossa Política de Privacidade.