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Produtores conhecem tecnologias para aumentar produtividade do arroz

A orizicultura (cultura do arroz) gaúcha ganhou especial atenção na programação desta quarta-feira, 21, na Expoagro Afubra. O Dia do Arroz, evento tradicionalmente destacado na programação, reuniu centenas de produtores da Depressão Central em busca de mais informações sobre as tecnologias propagadas pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

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Um roteiro com quatro estações foi montado pelos técnicos para apresentar os dois principais projetos de transferência de tecnologia do instituto: o Soja 6000, que visa estabilizar as plataformas de cultivo da oleaginosa em rotação com o arroz nas terras baixas; e o Projeto 10+, que visa, através do ajuste e qualificação das operações de manejo, propor uma proodutividade média superior a 10 mil quilos por hectare nas lavouras de ponta, e avançar em uma tonelada a média do estado, para 8,5 mil toneladas por hectare, com rentabilidade.

O coordenador regional do Irga na Região Central, Pedro Trevisan Hamann, explicou que as duas outras estações são a que propõe técnicas de manejo na entressafra com preparo antecipado; e a que apresenta as quatro principais variedades comerciais do Irga (IRGA 424 RI, IRGA 426, IRGA 429 e IRGA 430).


Dia do Arroz mobilizou centenas de produtores de toda a região central gaúcha
Foto: Lula Helfer

 

1ª ESTAÇÃO: Soja 6000

A soja se tornou importante alternativa de cultivo em rotação com o arroz em terras baixas nos últimos cinco anos e alcança uma área cultivada de 300 mil hectares no Rio Grande do Sul. A estação apresenta pontos de manejo para a cultura, ser viável econômica e agronomicamente. Hoje um dos grandes problemas da lavoura de arroz é a infestação por arroz daninho resistente a herbicidas. O plantio da soja em áreas favoráveis permite utilizar outros princípios ativos, quebrar o ciclo de pragas, doenças e plantas invasoras e reduzir o banco de sementes de plantas nocivas à cultura do arroz.

O talhão foi plantado em meados de novembro com a cultivar Dom Marco 61I59. O potencial produtivo estimado é de 90 sacas de soja por hectare. No ano passado o potencial foi de 82 sacas, por causa de fatores climáticos, e, em 2016, usando cultivar Nidera 5909 chegou a 101 sacas. Também foi selecionada uma área com excesso hídrico, para demonstrar os danos e a queda de aproximadamente 50% na produtividade.

2ª ESTAÇÃO: Cultivares

O portfólio com as quatro principais cultivares do Irga estabelece opções para diferentes condições de lavoura e manejo. Todas têm resistência à brusone, principal doença do arroz, e alto potencial produtivo. A cultivar Irga 429, por exemplo, é mais indicada para cultivo pré-germinado. O Irga 426 apresenta características de maior tolerância ao frio. As variedades também atendem às exigências comerciais e industriais e do consumidor.

3ª ESTAÇÃO: Manejo na entressafra e preparo antecipado do solo

O conceito de que a lavoura funciona 365 dias por ano vem modificando o manejo do solo durante a entressafra e assegurando o preparo antecipado. Diversas alternativas estão sendo adotadas. Dentre elas, alguns produtores já colhem o arroz no seco e preparam o solo para semeadura direta, um sistema que pode reduzir o custo médio, avaliado em R$ 700,00 por hectare apenas nesta operação, desde que haja um bom manejo da palhada. Para Pedro Trevisan Hamann, esta se trata de uma prática que visa a redução de custos e de assegurar o plantio na época mais indicada. Para vencer estes desafios, é preciso encontrar a melhor forma de manejo da palha.

4 ª ESTAÇÃO: Projeto 10+

O Projeto 10+ é desenvolvido buscando elevar o teto e a média de produtividade da orizicultura gaúcha e reduzir as brechas de produtividades entre produtores que alcançam médias superiores a nove mil quilos por hectare e os que ainda estão abaixo de 7 mil. As mudanças propostas estão basicamente ligadas à densidade de semeadura, época de plantio e fertilização.

Fonte: Irga

 

É preciso superar a crise setorial

O engenheiro agrônomo Jerson Luiz Pinto dos Santos, de Cachoeira do Sul, trabalha com assistência técnica em lavouras de arroz há mais de 30 anos, e foi um dos visitantes das estações tecnológicas do Irga no Dia do Arroz. Para ele, além de todas as queixas do setor com relação à crise e a mobilização para mudar problemas estruturais da cadeia produtiva, o arrozeiro também precisa estar ciente de seu papel como agente de sua própria mudança. Entende que a tecnologia disponível e o volume de informações geradas pela pesquisa oportunizam ao rizicultor mudanças também no perfil da lavoura.


Jerson Luiz Pinto dos Santos: mudanças também dentro da porteira
Foto: Lula Helfer

Para o profissional, que teve lavouras assistidas batendo acima de 12,3 toneladas de produtividade por hectare na temporada atual, plantar na época certa, adubar no seco em proporcionalidade ao volume que espera atingir, irrigar e realizar as operações de manejo na época certa são mandamentos práticos e obrigatórios. “Quem colhe menos de 150 sacas de arroz por hectare precisa repensar o seu negócio e buscar maior produtividade, que reduz o custo de produção por unidade, é uma forma de fazê-lo. Aqui, é um ótimo lugar para buscar estas tecnologias e aplicar nas lavouras”, resumiu.

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