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Projeto Gerir: é tempo de as cidades usarem a inteligência

Leandro Siqueira mediou os debates da terceira edição do Projeto Gerir em 2021, realizada na terça-feira, 27, à noite, em plataforma digital, e Jones Alei da Silva fez a saudação inicial em nome da Gazeta

Segurança, mobilidade, qualidade de vida, bem-estar social, preservação ambiental e gestão dos recursos naturais. Esses são conceitos em pauta em praticamente todas as realidades urbanas do planeta. E para que os poderes público e privado possam, efetivamente, alcançar os objetivos pretendidos em favor de suas populações, a adoção de mecanismos e o uso dos mais variados e atuais recursos têm sido empreendidos, com crescentes níveis de sucesso. Ganha espaço, assim, a definição de cidades inteligentes, que exploram as potencialidades da automação e da informatização em favor do todo.

E foi essa a proposta da terceira edição no ano do Projeto Gerir – Workshop de Gestão Organizacional 2021, iniciativa da Gazeta Grupo de Comunicações, com patrocínio de Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e Unimed VTRP, realizada nessa terça-feira, 27, a partir das 19 horas, em plataforma digital, formato adotado desde o ano passado em virtude das restrições de atividades presenciais decorrentes da pandemia de coronavírus.

Três painelistas abordaram o tema “Cidades Inteligentes”, propondo reflexões e oportunidades para as mais diversas áreas. Os participantes foram o secretário de Segurança, Transporte e Mobilidade Urbana de Santa Cruz do Sul, Everton Santos Oltramari; o arquiteto e urbanista peruano Emilio Merino Dominguez, radicado em Porto Alegre; e o doutor em Ciência da Computação Leonel Pablo Tedesco, professor da Unisc.

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A mediação foi feita pelo jornalista Leandro Siqueira, gerente executivo de rádios da Gazeta, e o diretor executivo da Gazeta Grupo de Comunicações, Jones Alei da Silva, fez uma saudação inicial. O debate foi transmitido ao vivo pelo Portal Gaz e pelo Facebook do Portal, bem como em simultâneo pela Rádio Gazeta FM 107,9. Interessados ainda podem conferir a íntegra da live, com o debate entre os painelistas, no Portal Gaz, onde permanecerá como uma ferramenta para estimular a reflexão em torno desse tema.

Este suplemento especial destina-se a repercutir, para os leitores da Gazeta do Sul, em suas versões impressa e digital, os principais pontos de vista apresentados por Oltramari, Merino Dominguez e Tedesco, a partir das áreas de especialização e de atuação profissional de cada um. Oltramari, por exemplo, é coronel da reserva da Brigada Militar e advogado, tendo sido secretário estadual adjunto da Segurança Pública, secretário-chefe da Casa Militar do Estado e coordenador da Defesa Civil Estadual no governo de José Ivo Sartori. Graduado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), em 1999, é especialista em Direito do Estado pela mesma universidade, em 2008.

Por sua vez, Dominguez, peruano nascido em Lima, é arquiteto e urbanista pela Universidade Nacional Federico Villarreal, do Peru. Doutor e pós-doutor em Engenharia de Transportes pela Universidad Politécnica de Cataluña, tem diversas especializações em planejamento e gestão de transporte realizadas na França, na Bélgica, na Espanha e no Peru. Trabalhou na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e na Empresa Pública de Transportes e Circulação de Porto Alegre (EPTC) e foi professor visitante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Assessorou o Ministério das Cidades no projeto de implementação da Lei da Mobilidade no Brasil, e coordenou a Comissão Especial de Mobilidade Urbana da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. É membro do Conselho Superior do Instituto de Arquitetos do Brasil e conselheiro do CAU-RS.

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Já Tedesco é graduado em Engenharia da Computação pela Universidade Federal do Rio Grande, com mestrado e doutorado em Ciência da Computação pela PUC-RS. Tem experiência na área de Ciência da Computação, com ênfase em Arquitetura de Sistemas de Computação, atuando em temas como Sistemas Computacionais Embarcados e Internet das Coisas aplicada às áreas de saúde, cidades, agricultura e indústria. Desde 2010 é professor na Unisc, atuando em ensino, pesquisa e extensão.

A importância dos governos na implementação

O papel do poder público na implementação das cidades inteligentes é fundamental, acredita o secretário de Segurança e Mobilidade Urbana de Santa Cruz do Sul, Everton Oltramari. Segundo ele, cabe aos governos estruturar as cidades para implantar as novas tecnologias, mas também proporcionar a inclusão de todas as pessoas às novas funcionalidades que acompanharão o cidadão.  

“O poder público e os gestores têm grande oportunidade, diante do tema, de liderarem um processo de articulação de todos os setores, para introjetar essa mentalidade, essa cultura de cidade inteligente. Isso é um processo de disseminar a cultura de pensar e utilizar a tecnologia com a finalidade de gerir a cidade e melhorar a qualidade de vida das pessoas”, definiu.

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Para Oltramari, as realizações na área da tecnologia têm a mesma importância que as grandes obras de infraestrutura. “Alguns gestores públicos ainda pensam em realizar grandes obras, de visibilidade. A obra da cidade inteligente é mais silenciosa, ela tem muito a ver com os mecanismos de gestão, mas, ao final, traz resultados muito superiores aos de uma obra física. Acho que os novos gestores já estão com essa mentalidade.”

Fornecer a infraestrutura necessária e de forma democrática é um desafio para os governos. Oltramari lembrou que, para ser inserido no mundo tecnológico das cidades inteligentes, é preciso investir e ampliar o processo de inclusão digital da população brasileira. “Um dos principais deveres do poder público é provir uma infraestrutura mínima de redes de tecnologia, levando essa rede às comunidades mais afastadas, de modo a democratizar o acesso das pessoas com mais dificuldades à internet”, ressaltou.

Em Santa Cruz, já existem projetos que podem tornar o município uma “cidade inteligente”. O sistema de videomonitoramento, com câmeras distribuídas pela cidade, é um deles. “No campo da segurança pública e da mobilidade urbana, nas possibilidades de uma cidade organizada e com boa infraestrutura de tecnologia, capacidade sensorial importante, com câmeras de videomonitoramento, há um universo de ferramentas para o gestor público pensar a segurança pública mais eficiente”, frisou.

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“Já trabalhamos em algumas cidades com câmeras de leitura facial, e de leituras de placas, e temos o projeto de implementar na área do Cisvale a primeira região cercada eletronicamente no Estado. Esse projeto já está em desenvolvimento. Estamos falando de 500 câmeras inteligentes, com reconhecimento facial e leitor de placas de veículos. Isso nos permitirá monitorar tudo o que acontece.”

Oltramari: tecnologia é tão importante quanto grandes obras de infraestrutura

Mão de obra ainda é escassa na área tecnológica

Para colocar em prática os projetos de Cidades Inteligentes, a sociedade terá que avançar na oferta de profissionais para suprir a crescente demanda por novas tecnologias. O doutor em Ciência da Computação Leonel Pablo Tedesco, professor da Unisc, alertou que a falta de trabalhadores nas áreas da tecnologia e gestão de dados é problema a ser enfrentado.  

“Vários dos nossos alunos estão trabalhando para desenvolver tecnologias para cidades inteligentes. Claro, há outro problema, pois cada vez mais todo mundo usa tecnologia, e acaba aumentando a demanda por ela. No Brasil, a gente vai precisar de 400 mil profissionais até 2025. É um problema global. A Forbes prevê que, no mundo, até 2030, serão necessários 85 milhões de desenvolvedores de tecnologia. Vários alunos nossos, que sabem inglês, acabam indo para o exterior. Isso também é problema. Atrair pessoas para a área da tecnologia tem sido problemático até pela nossa educação de base.”

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Ele acredita que as carreiras na área da tecnologia da informação serão cada vez mais requeridas em futuro próximo. Com a implantação de serviços cada vez mais presentes na vida das pessoas, uma enorme gama de novas profissões deverá aparecer, por meio da automação de processos. Isso vai exigir trabalhadores com conhecimento na criação e na manutenção das tecnologias.

“Aspectos de hardware, toda a questão de partes computacionais, sensores, smartphones, tudo o que gera informação, a parte do software, que é inteligência artificial, interfaces para usuários, para as pessoas usufruírem dessa tecnologia. A questão da mão de obra é fundamental. Engenheiros de computação, engenheiros de software, cientistas de dados… E tem toda a questão da governança sobre todos os dados gerados.”

A combinação dessas informações tem que ser realizada para atingir determinado propósito. “Em qual área tu queres trabalhar? Qual o objetivo, o projeto? Estamos focando na área da saúde? Tem a parte da sustentabilidade, a parte do trânsito, a parte ambiental. A percepção que começo a ter, pelos vários projetos com que trabalho, é de que é possível fazer a gestão dos processos através dos dados. Uma questão fundamental é a educação na área de tecnologia de informação, mas também uma educação das pessoas terem essa cultura tecnológica.” Um ponto positivo é que as novas gerações já nasceram inseridas em ambiente digital. A naturalidade com que os mais jovens já lidam com tecnologias recentes é um aliado para a formação da nova geração de profissionais.

Tedesco: “Atrair pessoas para a área é problemático até pela educação de base”

As cidades do futuro são as cidades de hoje

Em sua participação na edição de terça-feira, 27, do Projeto Gerir – Workshop de Gestão Organizacional, o arquiteto peruano Emilio Merino Dominguez, naturalizado brasileiro, morador de Porto Alegre há 25 anos, lembra que projetos de cidades inteligentes vêm sendo inseridos em todo o planeta, e cada resultado serve de análise para as ideias futuras.

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Ele citou o exemplo de Portugal, onde, após implantar 40 medidas em chamadas “cidades digitais”, foi possível aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) do país em 0,11%, ou o equivalente a 170 milhões de euros. Projetos semelhantes foram realizados na Coreia do Sul, na Espanha e na Colômbia, e o mesmo deve ocorrer nas cidades brasileiras em um futuro próximo, para evitar uma série de problemas que serão ampliados com o aumento da população.

“O Brasil tem em torno de 220 milhões de habitantes. Se, em 2030, 90% da população vai viver em áreas urbanas, isso significa que, se já há problemas de congestionamento, de meio ambiente e acidentes de trânsito, que são graves neste momento, como será quando todas essas pessoas viverem nas áreas urbanas logo adiante?”, destacou o arquiteto.  Ele advertiu que cerca de 4% do PIB brasileiro é gasto com despesas geradas a partir de acidentes de trânsito. Dominguez lembrou que cabe ao poder público começar a planejar as cidades inteligentes, que devem ter a necessidade humana como objeto principal.

“As cidades inteligentes praticamente já não são de futuro, são as cidades atuais, pois compete a nós, como sociedade, resolver os problemas. Os diagnósticos atuais estão dizendo que, se seguirmos por esse caminho, as cidades irão morrer. Temos que iniciar um processo de transformação, e cabe ao poder público se organizar e começar a gerenciar todo esse tipo de processo em favor do cidadão e do ser humano.”

As tentativas de implementação de projetos de cidades inteligentes pelo mundo podem servir de exemplo para o Brasil. Para o doutor em Engenharia dos Transportes, a tecnologia por si só não garante o sucesso dos programas implementados. A formação e a educação das pessoas, tanto de profissionais quanto da população que poderá utilizar as novas tecnologias, em serviços como transporte urbano, iluminação pública, saúde e diversas outras áreas, são fundamentais para que novas ideias se tornem realidade.

“Temos que iniciar um processo de transformação”, frisou Emilio Dominguez

Frases e imagens marcantes da terceira edição do ano no Gerir

Os jovens gostam de tecnologia e dos desafios que a gente pode proporcionar. Não só as cadeiras das exatas, mas várias outras, trabalhando o pensamento computacional. Já há uma demanda de professores querendo qualificação para isso; até o próprio Ensino Médio está tendo formações tecnológicas mais específicas. Estamos lidando com os chamados ‘nativos digitais’, e essas crianças já estão acostumadas com tecnologia.
Então, é importante fazer investimento na parte de materiais para os alunos, mas também para os professores. A gente deve qualificar pessoas que qualificarão outras pessoas, que vão fazer o uso ético e qualificado das tecnologias e ter uma formação que possamos aproveitar para o bem as novas tecnologias. As crianças viverão em cidades muito mais conectadas. Atrair pessoas para a área da tecnologia tem sido problemático até pela nossa educação de base. A gente tem falta de professores nas áreas das exatas, nos ensinos mais básicos. Isso acaba acarretando que poucas pessoas se interessem em desenvolver e se qualificar na área tecnológica. A cada 10 mil habitantes no Brasil, dois se formam em TI.”

Leonel Pablo Tedesco

Na Coreia do Sul, grandes provedores criaram uma cidade onde todos os problemas seriam solucionados com tecnologia. Mas a tecnologia sozinha não é suficiente, foi o que viram depois de todas as análises. A esse modelo chamaram de Smart City 1.0. Logo veio a Smart City 2.0 em Barcelona, na Espanha, e depois em Medellin, na Colômbia. Agora se idealiza qual seria a Smart City 4.0, a Smart City que todos dizem que é sobre a geotecnologia, a geociência, baseada em meio ambiente e desenvolvimento urbano.

Emilio Merino Dominguez

Na área da mobilidade urbana, há várias possibilidades. Estamos estudando algumas, como a rede de sinaleiras inteligentes, que permite monitorar o fluxo de veículos, acompanhar horários de maior pico, zonas de estrangulamento. Pode se fazer uma gestão do trânsito muito mais dinâmica. A questão das vagas da área azul, com gerenciamento de vagas através do aplicativo; o cidadão, ao sair de casa, já acessaria pelo celular onde tem vaga disponível e onde não tem. Isso melhora muito a circulação e a mobilidade.

Everton Oltramari

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