Um espaço pensado para acolher, incluir e estimular. Essa é a proposta da Praça Luz Azul, projeto apresentado no dia 24 de abril à Prefeitura de Santa Cruz do Sul, pela Associação Pró-Autismo Luz Azul. A iniciativa prevê a criação de uma área inclusiva junto à Praça Hardy Elmiro Martin, na região central da cidade, próximo à Igreja Evangélica.
Desenvolvido pelos arquitetos Kátia Luiza Rosa e Rainier Breunig, da Kaier Arquitetura, o projeto parte de um conceito que vai além da adaptação de espaços já existentes. A proposta é criar um ambiente estruturado desde sua concepção para atender, especialmente, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), considerando aspectos sensoriais, de segurança e de convivência.
A ideia nasceu da vivência e escuta de uma demanda que ainda não encontra resposta nos espaços públicos do município. “A ideia do projeto surgiu de uma necessidade de crianças autistas em ter um lugar específico. Santa Cruz é uma cidade com muitas praças bonitas, arborizadas, mas não uma específica para o deficiente, seja o autista, o visual, o cadeirante ou o surdo. O projeto é para todos, mas ele contempla principalmente as necessidades sensoriais do autista”, explica o presidente da Associação Pró-Autismo Luz Azul, Eder Lemos.
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Para saber
A praça foi pensada como um espaço multifuncional, onde o brincar, o descanso e a interação social acontecem de forma integrada, respeitando diferentes níveis de sensibilidade. Entre os elementos previstos estão áreas de estímulo sensorial, integração com a vegetação existente, mantendo o sombreamento natural, estímulos táteis, olfativos, auditivos e visuais, além da eliminação de barreiras físicas.
O projeto é estruturado a partir do que os arquitetos chamam de gradiente sensorial, no qual os estímulos são organizados de forma progressiva. Entre os setores projetados estão espaços de brincar com diferentes níveis de estímulo, incluindo equipamentos inclusivos como “balanço ninho”, painéis sensoriais táteis e interativos, além de brinquedos acessíveis. A disposição das áreas contempla caminhos acessíveis e contínuos, elementos de orientação visual e espaços de descanso e regulação, com nichos e bancos.
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Proposta entra em fase de análise
Neste momento, a proposta entra em fase de análise técnica por parte do poder público. “O projeto foi apresentado para o prefeito e muito bem recebido. Agora a equipe de arquitetos e engenheiros da Prefeitura está analisando a viabilidade, porque tem questões legais do que pode e do que não pode ser feito em um espaço público. A partir disso, seguem os trâmites legais”, afirma Lemos.
Outro ponto relevante é a forma como o modelo foi concebido. A parceria com a Kaier Arquitetura resultou em um projeto técnico detalhado, que contempla desde o conceito até a viabilidade de execução. Além disso, foi doado pelos arquitetos. “Foi uma conversa informal. Já nos conhecíamos e, trocando ideias sobre o autismo, surgiu a possibilidade de criar a praça. Eles prontamente se dispuseram a doar o projeto. Na verdade, isso é para o município, para toda a comunidade. Santa Cruz tem muito a ganhar com uma praça como essa, inclusive pela localização”, ressalta o presidente.
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A proposta agora avança para a etapa de viabilização, que envolve articulação institucional e definição de recursos para implementação. Segundo Lemos, esse será o próximo desafio. “Conforme a Prefeitura nos passou, agora ela vai buscar esses recursos, ver se há encaixe ou até mesmo emenda parlamentar. Acreditamos que não é um projeto de alto custo, porque a praça já existe. Seria uma adaptação para atender às deficiências.”
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Orçamento
O investimento estimado varia entre R$ 327 mil e R$ 454 mil. Sem um prazo definido, a execução ainda depende das etapas técnicas e da garantia de recursos. Ainda assim, a expectativa é de que o projeto avance. “Agora seguem a análise e os trâmites legais. Acreditamos que isso possa se tornar realidade o mais rápido possível”, projeta Lemos.
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Caso seja executada, a Praça Luz Azul poderá se tornar um dos primeiros espaços públicos do município projetados especificamente sob a lógica da inclusão sensorial, atendendo não apenas pessoas com autismo, mas também ampliando a qualidade do espaço urbano para toda a comunidade.
Escolha do local foi estratégica
Todas as estruturas sugeridas favorecem a previsibilidade e a organização dos setores, aspectos fundamentais para pessoas com TEA. O projeto considera o uso de materiais, cores e texturas que contribuam para uma experiência mais confortável, evitando excessos visuais e sonoros. A proposta segue diretrizes de urbanismo inclusivo, com foco na acessibilidade ampliada e no direito à cidade.
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Segundo Eder Lemos, a definição do local levou em conta fatores de acessibilidade, posição estratégica e o próprio perfil do espaço. “Sabemos que a praça ali perto da Oktober é bem arborizada, não tem um fluxo muito alto de carros comparado ao Centro e tem fácil acesso ao transporte público. Além disso, fica perto de clínicas, do Girassol, da Unimed e da Apae, que também atende autistas”, salienta.
De acordo com as diretrizes do projeto, a escolha da área, no Centro, também dialoga com a proposta de integração. Ao ocupar um espaço público já consolidado, a iniciativa busca ampliar o acesso e promover a convivência entre diferentes públicos, rompendo barreiras e incentivando a inclusão no cotidiano urbano. Segundo consta no projeto apresentado, a implantação dos espaços respeita a configuração existente na praça, com os novos setores sendo desenvolvidos na parte central.
Veja detalhes do projeto




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