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Economia

Queda nas vendas para China, Europa e EUA derruba exportações de tabaco

Foto: Rafaelly Machado/Banco de Imagens

O tabaco, principal produto da economia do Vale do Rio Pardo, registrou forte queda nas exportações no primeiro semestre de 2026. As vendas de tabaco não manufaturado somaram US$ 789,3 milhões entre janeiro e junho, redução de 27,1% em comparação com o mesmo período do ano passado. A perda chegou a US$ 292,7 milhões.

O resultado contrasta com o desempenho geral do Rio Grande do Sul. Enquanto o Estado ampliou as vendas ao exterior, impulsionado principalmente pela soja, pelo farelo de soja e pela carne de frango, o tabaco apresentou a maior contribuição negativa entre os produtos da pauta exportadora gaúcha.

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Os dados constam de nota técnica do Departamento de Economia e Estatística (DEE-RS), divulgada nesta semana. O levantamento utiliza informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A redução ocorre em um setor que tem papel central na economia do Vale do Rio Pardo. A região concentra parte importante da produção e do processamento do tabaco brasileiro, além de reunir empresas, produtores e uma ampla cadeia de serviços ligada à atividade.

Queda supera US$ 290 milhões no semestre

No primeiro semestre de 2025, o Rio Grande do Sul exportou US$ 1,08 bilhão em tabaco não manufaturado. Neste ano, o valor caiu para US$ 789,3 milhões.

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A participação do produto na pauta exportadora do Estado também diminuiu. O tabaco representou 8% das exportações gaúchas entre janeiro e junho, contra 11,5% no mesmo período do ano passado.

Apesar da retração, o produto permaneceu entre os principais itens vendidos pelo Rio Grande do Sul ao exterior e ocupou a terceira posição no ranking estadual durante o semestre.

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O recuo foi ainda mais evidente no segundo trimestre. Entre abril e junho, as exportações somaram US$ 360,4 milhões, ante US$ 479,2 milhões no mesmo período de 2025. A diferença chegou a US$ 118,8 milhões, o que representa uma queda de 24,8%.

Com o resultado, a participação do tabaco na pauta estadual caiu de 10,3% para 6,7% em um ano. O produto passou da liderança para a quarta posição, atrás da soja em grão, do farelo de soja e da carne de frango.

Principais compradores reduziram as compras

A queda ocorreu nos três principais mercados do tabaco gaúcho. China, União Europeia e Estados Unidos reduziram as compras tanto no segundo trimestre quanto no acumulado do primeiro semestre.

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A maior retração no período de janeiro a junho ocorreu nas vendas para a China. O valor exportado caiu de US$ 304,3 milhões para US$ 148 milhões. A redução foi de US$ 156,3 milhões, equivalente a 51,4%.

A queda significa que as vendas de tabaco para o mercado chinês perderam mais da metade do valor registrado no primeiro semestre do ano passado.

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A União Europeia também reduziu as compras. As exportações passaram de US$ 301,9 milhões para US$ 259,4 milhões, queda de 14,1%. No segundo trimestre, o recuo foi mais acentuado: de US$ 225,1 milhões para US$ 152,3 milhões, redução de 32,3%.

Nos Estados Unidos, as vendas caíram de US$ 118,3 milhões para US$ 83,1 milhões no primeiro semestre, baixa de 29,8%. Entre abril e junho, o valor exportado recuou de US$ 75,5 milhões para US$ 40,7 milhões, redução de 46,1%.

Tabaco seguiu na contramão de outros produtos

A redução das vendas de tabaco ganha destaque diante do crescimento registrado por outros produtos do agronegócio gaúcho.

No segundo trimestre, as exportações de soja em grão aumentaram 54,9%. O farelo de soja teve alta de 33,7%, enquanto as vendas de carne de frango cresceram 30,2%.

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A China teve papel importante na expansão das exportações de soja. Ao mesmo tempo, o país reduziu pela metade as compras de tabaco gaúcho no primeiro semestre.

O cenário mostra que o crescimento das exportações do Rio Grande do Sul não ocorreu de forma uniforme. Enquanto alguns produtos ampliaram a presença no mercado internacional, o tabaco perdeu espaço e registrou a maior queda em valor absoluto entre os principais itens da pauta estadual.

Estado alcançou resultado histórico

Apesar da retração do tabaco, o Rio Grande do Sul fechou o segundo trimestre com US$ 5,4 bilhões em exportações. O valor representa crescimento de 16,3% em relação ao mesmo período de 2025.

O resultado foi o quinto maior para um trimestre desde o início da série histórica, em 1997.

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