O ano recém começou e já deixamos para trás, com saudade, as férias na praia, o samba na avenida, toda a magia do Carnaval, e até os coelhinhos da Páscoa estão sendo recolhidos. E agora? Logo adiante só vai se falar de eleições. Com toda razão porque, se o cidadão ainda pode alimentar alguma esperança, é que um milagre nos salve – pelo voto – do desencanto que domina a sociedade que se vê desamparada por todos que deveriam representá-la e acudi-la – no Legislativo, no Executivo e, tristemente, até nos altos escalões do Judiciário.
Em vez de discutirmos soluções para nossos problemas, que impactam a vida de milhares de cidadãos, de empresas e prestadores de serviços, nos ocupamos com projetos pessoais de políticos em todas as esferas que se realocam em siglas, não por convicção, muito menos por ideologia, mas por oportunismo.
Enquanto isso, só para mencionar o âmbito local, já se passaram três anos ou mais e a construção das vias laterais da BR-471, na Várzea, em Santa Cruz, não avançou uma caçamba de pedras, quem dirá o prometido asfalto!
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Aliás, eu discordo da municipalização desse trecho de rodovia federal. Que se cobre da União a manutenção, as benfeitorias, duplicações, obras vitais para o município. E que os recursos do município, que na verdade pertencem aos cidadãos de Santa Cruz, sejam aplicados em melhorias em ruas e estradas. Estradas do interior, sim!
Como se explica que famílias de localidades centenárias, hoje habitadas pela quinta geração, talvez sexta ou sétima, ainda sapateiem e atolem no barro em dias chuva ou tenham que se esquivar de pedras traiçoeiras e buracos que se multiplicam pelas estradas abandonadas do nosso interior?
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Vamos comparar: Caxias do Sul implantou pavimentação asfáltica em 25 quilômetros de estradas municipais em apenas um ano – dados de 2025 e 2026. Na mesma pesquisa aparecem obras de melhorias, com asfaltamento de estradas na malha rodoviária municipal, em municípios como Bento Gonçalves, Lajeado e vários outros.
Por que não conseguimos avançar em pavimentação, pelo menos nas sedes, em nossas localidades do interior? Pela mesma razão que moradores que residem na área urbana requerem a pavimentação no acesso a suas casas, famílias de longa história e tradição clamam por atenção no interior, antes que nossa colônia se esvazie. Isso é sério. Muito sério!
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Dias atrás estive em um evento e ouvi as queixas dos moradores de algumas localidades. Questionei por que não se fazem ouvir pelos canais oficiais para exporem suas demandas. Ouvi uma resposta em coro: “Não temos mais quem nos represente. Os vereadores que deveriam falar por nós – me disseram – estão ocupados com outras questões”. (Não vou mencioná-las para não ferir convicções e interesses vários.)
Mas é interessante observar como o descrédito que contamina a política nacional a partir de Brasília, que privilegia o interesse de ocasião e não o cidadão, reverbera na aldeia mais distante, de alma despretensiosa e simples, que ainda dá crédito a “arautos” de falsas promessas, de comprometimento disfarçado de oportunismo. Me conforta é ter ouvido deles – as vítimas desse sistema perverso – que precisam se vacinar contra os impostores: os que profanam a confiança e desonram a palavra empenhada.
Quem vai sobrar?
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