O Futebol Clube Santa Cruz tenta escrever mais um capítulo histórico neste sábado, 4, diante do Brasil de Pelotas. Pelo jogo de volta da semifinal da Copa FGF – Troféu Carlos Caetano Verri (Dunga), as equipes se enfrentam às 19 horas, no Estádio Bento Freitas. No duelo de ida, disputado nos Plátanos, houve empate por 1 a 1. Diante do Grêmio Esportivo Brasil, um dos clubes mais tradicionais do interior gaúcho, o Galo terá pela frente não apenas um adversário qualificado, mas também tabus que atravessam décadas.
O primeiro deles é o jejum de vitórias sobre o Xavante. O último triunfo alvinegro ocorreu em 1998, justamente no Estádio dos Plátanos. Pelo Campeonato Gaúcho, o Santa Cruz venceu por 3 a 0, com gols de Rogerinho, Paulo da Pinta e Everaldo. A partida foi disputada na noite de 4 de março daquele ano, uma quarta-feira. Treinado por Sarandi, o Galo entrou em campo com Oneide; Serginho, Bicca, Bôni e Adílson; Paulo da Pinta, Rangel, Everaldo e Rogerinho; Jeferson Gaúcho e Paulo Roberto. No decorrer da partida, Marquinhos, Cléber e Leandro também foram utilizados.
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Naquela temporada, o Santa Cruz fez boa campanha no Gauchão e acabou eliminado pelo Veranópolis nas quartas de final. Autor de um dos gols daquela vitória, Rogério Simianer relembrou o momento em entrevista ao programa Papo de Bola, da Rádio Gazeta FM 107,9. “Uma emoção que não tem preço. Essas lembranças me trazem muitas felicidades. Convivi 11 anos no Futebol Clube Santa Cruz. Naquela época, o Galo mexia com o torcedor”, comentou o ex-atacante, hoje com 55 anos. Em março deste ano, durante o baile de aniversário do clube, Rogério foi homenageado como atleta laureado do Galo.
Última vitória no Bento Freitas
Se o jejum geral já é longo, o retrospecto no Bento Freitas é ainda mais desafiador. A última vitória do Santa Cruz em Pelotas ocorreu há 56 anos, em 13 de junho de 1970, um sábado à tarde. O confronto era válido pela última rodada da chave Sul do Campeonato Gaúcho, grupo que reunia Santa Cruz, Brasil, Aimoré, Cruzeiro, Farroupilha, Guarany, Internacional, Novo Hamburgo e Pelotas. Os cinco melhores avançavam à fase final. Na rodada decisiva, Brasil e Santa Cruz disputavam diretamente a última vaga. Apenas a vitória interessava ao Galo. Empate ou derrota significariam a eliminação.
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Treinado por Osvaldo Barbosa, o Brasil abriu o placar aos 28 minutos do primeiro tempo, com Maneca. O empate veio aos 36, através de Paulo Cézar Tatu. Na etapa final, Gabriel Porto, o Cuca, marcou o gol da virada, garantindo a vitória por 2 a 1 e a classificação do Santa Cruz para a fase decisiva do Gauchão. Naquele dia, o Alvinegro atuou com Silvério; Pítia, Tião, Gildo e Zé Carlos; Camilo e Paulo Cézar Tatu; Cuca, Luiz Alberto, Rudi e Dilvar. Astor e Jair entraram durante a partida. O técnico era Egon Stainer. Na fase final do Campeonato Gaúcho, conquistado pelo Internacional, o Santa Cruz encerrou sua participação na sétima colocação.
Lembranças de Paulo Cézar Tatu
Um dos protagonistas daquela histórica vitória, Paulo Cézar Tatu completou 79 anos no último dia 29 e atualmente mora em São Sebastião do Caí, sua cidade natal. Em contato com a reportagem, o ex-meia recordou sua trajetória no clube. “Comecei em março de 1965. Em 1966 servi o quartel e continuei jogando no Galo. Foram seis anos no Galo e depois ainda atuei na Associação Santa Cruz, em 1975, quando ficamos entre os quatro finalistas do Gauchão, junto com a dupla Gre-Nal e o Caxias, clube para onde retornei em 1976.”
Ao recordar a vitória sobre o Brasil no Bento Freitas, Tatu destacou a parceria com o saudoso Gabriel Porto, o Cuca, seu compadre e um dos grandes ídolos da história alvinegra. “O Brasil tinha um time muito bom e foi surpreendido dentro do Bento Freitas. Fomos decidir a vaga lá em Pelotas e só a vitória nos interessava. Ganhamos, fiz um dos gols e foi uma festa total pela classificação. Eu e meu compadre, o Cuca, nos entendíamos demais. Ele era muito inteligente”, relembrou o ex-meia-esquerda, que defendeu o Santa Cruz entre 1965 e 1971.
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Na história, Santa Cruz e Brasil de Pelotas se enfrentaram 42 vezes de maneira oficial. O Xavante totaliza 14 vitórias contra 8 triunfos do Galo. Ocorreram ainda 20 empates, incluindo o confronto do último sábado, pela rodada de ida da semifinal da Copinha.
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Foto: Reprodução/Gazeta do Sul
Capítulos marcantes
O confronto entre Grêmio Esportivo Brasil e Futebol Clube Santa Cruz reúne uma história rica em capítulos marcantes. Nas décadas de 1970, 1980 e 1990, Galo e Xavante protagonizaram duelos memoráveis. Além dos confrontos pela Copa FGF 2026, as equipes voltarão a se encontrar na Divisão de Acesso, a partir de agosto. Os dois clubes têm o mesmo objetivo: conquistar o retorno à elite do Campeonato Gaúcho.
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A trajetória entre Brasil e Santa Cruz, porém, também está ligada a um dos episódios mais tristes da história do futebol gaúcho. Em 15 de janeiro de 2009, as equipes se enfrentaram em um amistoso realizado em Vale do Sol, como preparação para a temporada. O Xavante venceu por 2 a 1. Na viagem de retorno a Pelotas, entretanto, o ônibus que transportava a delegação do Brasil tombou e despencou de um barranco de aproximadamente 40 metros na BR-392, no município de Canguçu. O acidente causou a morte de três integrantes do clube: o atacante Cláudio Millar, maior ídolo da história do Xavante, o zagueiro Régis Gouveia e o preparador de goleiros Giovani Guimarães. Outras mais de 20 pessoas ficaram feridas na tragédia, que marcou para sempre o futebol do Rio Grande do Sul.
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