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PLANEJAMENTO

Seminário na ACI detalha impactos e prazos da reforma tributária

Foto: Rodrigo Assmann

Desafios práticos, prazos apertados e a necessidade urgente de adaptação para as mais de 6 milhões de empresas enquadradas no Simples Nacional mobilizaram o auditório da Associação Comercial e Industrial (ACI) de Santa Cruz do Sul nessa quarta-feira, 27. O seminário “Reforma Tributária: os impactos, desafios e como preparar a sua empresa” reuniu empresários, gestores e contadores em torno de orientações estratégicas para se adaptar ao novo cenário fiscal. 

O painel técnico foi conduzido pelo contador Gerson Vitalis, diretor da Inelo Inteligência Contábil e da Inelo Consultoria Financeira, e pelo advogado Guilherme Valentini, sócio do BVK Advogados, que enfatizaram a necessidade de ação imediata da governança corporativa. 

Alerta para o Simples Nacional

Conforme os especialistas, a reforma tributária não representa apenas uma mudança na forma de recolhimento de impostos, mas uma completa transformação sistêmica que impacta diretamente a formação de preços, o fluxo de caixa e a cadeia produtiva das empresas.

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Um dos pontos destacados no evento foi o impacto da reforma tributária nas micro e pequenas empresas. Contador e especialista em planejamento tributário, Gerson Vitalis alertou que o segmento não está imune às mudanças e precisa de planejamento rigoroso para não perder margens de lucro. 

“Hoje nós temos em torno de 6,2 milhões de empresas no Simples Nacional, que representam um dos focos mais urgentes a serem tratados. As empresas precisam definir até o final de setembro se continuarão no sistema tradicional ou se optarão pelo sistema híbrido a partir do próximo ano”, enfatizou.

Vitalis explicou que a dinâmica de créditos tributários será completamente alterada. Negócios do Simples que vendem para outras empresas (modelo B2B) correm sério risco de perder competitividade caso seus clientes não consigam aproveitar créditos na cadeia de suprimentos. 

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Diante desse novo panorama, o especialista reforçou que os gestores precisam adotar medidas preventivas imediatas, começando pelo mapeamento detalhado de sua carteira de clientes para identificar se o mercado principal se concentra no consumidor final (B2C) ou em outras empresas (B2B). 

Além disso, tornou-se imprescindível avaliar a carga tributária dos fornecedores de insumos para garantir a sustentabilidade das margens de lucro e cumprir com rigor os prazos na definição do modelo de apuração para o próximo ciclo fiscal. 

Segurança jurídica e contratual

Especialista em Direito Tributário, o advogado Guilherme Valentini trouxe a perspectiva jurídica para o centro do debate. Ele reforçou que a reforma tributária chega sob o pretexto de simplificar o sistema, mas que em um primeiro momento traz uma complexidade imensa com a convivência de múltiplos regimes e novas obrigações acessórias.

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“A partir do ano que vem, vamos ver tributos antigos sendo gradualmente substituídos por novos tributos de forma gradual. Isso vai impactar diretamente o preço praticado no próximo ano”, explicou Valentini. O advogado alertou que as empresas precisam revisar contratos comerciais, operações e decisões societárias para evitar que interpretações inadequadas das novas regras transformem a transição em um passivo tributário.

A falta de preparo, segundo o advogado, é o maior erro que um empresário pode cometer neste momento. “O erro é não se preparar, não estudar, não conversar com o contador. Hoje nós não podemos deixar tudo na mão do advogado ou do contador isoladamente, o empresário tem que se envolver ativamente. É por isso que entidades de classe como a ACI desempenham um papel fundamental neste processo”, pontuou.

 

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