O presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco e vice-presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Romeu Schneider, faz um alerta sobre o atual cenário da fumicultura brasileira. Em entrevista à Rádio Gazeta FM 107,9, ele afirmou que o setor enfrenta o momento mais difícil das últimas três décadas, resultado da combinação entre aumento da produção mundial, queda nos preços, dificuldades nas exportações, alta carga tributária e crescimento da concorrência internacional.
Na avaliação do dirigente, o cenário é mais preocupante do que o vivido após a implantação da Lei Antifumo, sancionada em 15 de julho de 1996 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.
“Eu acredito até que esse momento é um pouco pior. Existem dificuldades maiores para nós no Brasil e também em outros países produtores. Países da África têm custo de produção menor, maior competitividade e forte apoio dos governos. Aqui acontece o contrário: cada vez que o governo precisa arrecadar mais, o primeiro setor atingido é o tabaco.”
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Schneider explicou que o mercado atravessa um período diferente do observado nas últimas safras. Depois de anos de oferta reduzida e preços elevados, o aumento da produção no Brasil e em outros países abasteceu o mercado internacional, reduzindo a procura e pressionando as negociações.
Comercialização segue atrasada no Estado
Outro fator apontado pelo presidente da Câmara Setorial é o atraso na comercialização da safra 2025/2026 no Rio Grande do Sul. Enquanto Paraná e Santa Catarina praticamente concluíram as vendas, o Estado ainda possui pouco mais de 80% da produção negociada.
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Segundo Schneider, muitos produtores optaram por aguardar uma recuperação dos preços, expectativa que dificilmente deverá se concretizar diante do cenário internacional.
“O mercado mundial está bem suprido porque não foi só o Brasil que aumentou a produção. Os outros países também produziram mais. Muitos produtores esperam um preço melhor, porque isso aconteceu em outras oportunidades, mas as circunstâncias deste ano são bem diferentes.”
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Ele ressalta que a lentidão na comercialização também dificulta o planejamento financeiro das propriedades, embora considere natural que parte dos produtores espere por uma valorização da safra.
Orientação é não ampliar a área plantada
A principal preocupação da Câmara Setorial agora é a próxima safra. Conforme Schneider, produtores dos três estados do Sul já manifestam intenção de ampliar o cultivo, movimento que pode resultar em uma nova superoferta de tabaco e pressionar ainda mais os preços. Por isso, a recomendação é de cautela.
“A nossa grande preocupação é que não se aumente a produção. Menos significa mais. Quando existe excesso de oferta, o preço cai. A orientação é manter a área plantada e fazer um planejamento responsável para preservar o equilíbrio entre produção e demanda.”
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Durante visitas recentes ao Paraná, Schneider disse ter encontrado produtores planejando ampliar significativamente o cultivo. Para ele, esse movimento pode comprometer a rentabilidade da próxima safra, especialmente diante da expectativa de aumento da produção também em países concorrentes.
Importância econômica
Apesar das dificuldades, o dirigente destacou que a cadeia produtiva do tabaco continua sendo um dos principais motores da economia do Sul do Brasil. Segundo ele, somente a renda gerada aos produtores dos três estados supera R$ 15 bilhões por safra, valor que movimenta o comércio, os serviços e diversos setores da economia regional.
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Schneider também voltou a criticar o aumento da tributação sobre os produtos derivados do tabaco. Na avaliação dele, a medida fortalece o mercado ilegal e reduz a competitividade da produção brasileira.
Para o presidente da Câmara Setorial, o futuro da atividade passa pelo equilíbrio entre oferta e demanda e por políticas públicas que deem maior segurança ao produtor rural. “O tabaco continua sendo uma atividade fundamental para milhares de famílias, mas o momento exige planejamento, cautela e responsabilidade de toda a cadeia produtiva”, concluiu.
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