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Singapura: um ponto no mapa-múndi e um gigante na economia global

Foto: Arquivo Pessoal

Em torno da baía da Marina de Singapura, golfe noturno e o único GP de Fórmula 1 à noite

Entre os dez maiores bilionários de Singapura, há somente um que não tem origem chinesa, e ele é brasileiro. Eduardo Saverin é a segunda pessoa mais rica do país asiático, com patrimônio de cerca de 20 bilhões de dólares. Eduardo, que se naturalizou estadunidense em 1998, e seu ex-colega da Universidade de Harvard, Mark Zuckerberg, fundaram o Facebook, em 2004.

Sete anos depois, pouco antes do colosso das redes sociais tornar-se uma empresa de capital aberto, Saverin renunciou à cidadania americana, fixando residência em Singapura. A manobra diplomática do paulista de apenas 30 anos evitou o pagamento estimado de 255 milhões de dólares aos cofres públicos de Washington, e provocou uma subsequente mudança nas leis americanas, que desde então exigem taxa adiantada sobre ganhos de capital nos casos de abandono da cidadania.

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O status de paraíso fiscal de Singapura surgiu com a iniciativa de diversificar o país além do benefício relacionado à posição estratégica, concentrando empresas de tecnologia e do mercado financeiro. A fonte de riqueza baseada no transporte marítimo deixou de ser sustentável diante da potencial construção do Canal de Kra, na Tailândia, que encurtará a navegação na região em três dias, tornando obsoleta a passagem pelo estreito de Malaca.

Nem tudo é moderno em Singapura. O sistema judicial, por exemplo, é baseado no antigo código penal do império britânico, com pena de morte para casos mais graves ou tráfico de drogas, penas longas de prisão para crimes relativamente leves e, seguidamente, açoitamento (das nádegas nuas) com varas de bambu. Entre outros exemplos, o país pune a venda e o contrabando de goma de mascar com dois anos de prisão e multa de até R$ 400 mil. Uma das tantas penalidades salgadas praticadas pela nação.

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No ar tropical e úmido do país, amenizado pelo ar-condicionado sempre presente, vejo na população um medo velado permanente e a sensação de ser constantemente vigiada por um estado policial. Em um país onde a polícia é majoritariamente eletrônica, com sensores e câmeras por toda a parte, os pedágios, as taxas de estacionamento e o acesso a certas partes da cidade são pagos com um sensor único, instalado em cada veículo. Nada passa despercebido pelo “grande irmão”. Os policiais de carne e osso trabalham em salas fechadas, diante de telas de vigilância, ou circulam à paisana entre a população.

Singapura, a cidade leão, nunca quis ser como os britânicos que a dominavam, mas sempre quis saber o que eles sabiam. Um dos princípios pouco alardeados da nação é da sua democracia parcial. Apesar de ter partidos, eleições e parlamento unicameral de modelo britânico, na prática, um olhar mais aguçado mostra a supressão da oposição à dinastia Lee, no poder desde a independência, liberdade de expressão limitada, controle dos jornais e outros meios de informação e perceptível totalitarismo.

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O atual primeiro-ministro, Lee Hsien Long, é filho de Lee Kuan Yew, e, antes de receber o bastão do pai, fez carreira no exército até atingir o posto de general. Enquanto a transferência do comando de pai para filho em países como a Coreia do Norte é duramente criticada, transições semelhantes passam despercebidas em países mais ricos, como Emirados Árabes, Arábia Saudita e Singapura.

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A impressão que tenho é de que, se por um lado o território, como Dubai, é ícone da organização e eficiência que projetamos para o futuro, por outro, a cada avanço, desaparece um pouco do que restava da identidade local. Para o turista comum, consumista e desinteressado em cultura e tradição, o local é perfeito. Tudo está voltado para o amanhã, em uma redoma de ocidentalização que faz o entorno tórrido da natureza equatorial e a rica cultura malaia desaparecerem quase por completo.

O chamado Modelo Singapura é aplicado nos negócios e no governo, baseado em meritocracia, planejamento de longo prazo e altíssimo índice de intervenção do Estado. Há, contudo, pouca autenticidade e, ao contrário de outros lugares do sudeste asiático, ali já não se escuta mais a voz da história e da tradição. O preço do desenvolvimento acelerado foi a formação de uma cidade um pouco sem vida, com um povo sem forte identidade e esquecido de seu passado cultural. Um corpo elegante e vital que, cada vez mais, carece de alma.

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