Nos últimos dias, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tem enfrentado uma série de paralisações e interrupções de serviços que afetaram diretamente milhões de segurados em todo o Brasil. Entre os problemas mais recentes estão a indisponibilidade do sistema digital, o fechamento temporário de agências e a suspensão completa de canais de atendimento, gerando insatisfação entre aposentados, pensionistas e usuários que dependem do órgão para acessar direitos previdenciários essenciais.
A crise atual teve início com uma instabilidade prolongada no sistema do Meu INSS, que começou por volta de 19 de janeiro, registrando dificuldades de acesso e erros frequentes nas plataformas digitais. Usuários relataram que o aplicativo e o site ficavam fora do ar ou apresentavam lentidão, o que prejudicou consultas de benefícios, acesso ao Extrato de Contribuições (CNIS) e outras operações essenciais. Em meio a essa instabilidade técnica, órgãos do governo anunciaram uma paralisação programada dos serviços, justificando que seria necessária uma atualização no sistema gerido pela Dataprev.
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A paralisação atingiu não apenas os serviços presenciais, mas também os canais digitais (site, aplicativo Meu INSS e a Central Telefônica 135). Reportagens indicam que tanto o atendimento online quanto o telefônico foram interrompidos simultaneamente a partir das 19 horas do dia 27 de janeiro até dia 1º de fevereiro e, ainda, parcialmente. Isso impediu que pessoas fizessem pedidos de aposentadoria, auxílios, pensões, consultas de processos, atualizações cadastrais e acompanhamentos de benefícios, prejudicando particularmente quem depende dessa estrutura para garantir direitos básicos.
O INSS defende que essas medidas fazem parte de um plano maior de modernização e atualização tecnológica, com o objetivo de aumentar a segurança dos dados, ampliar a capacidade de processamento e reduzir erros no sistema, que vinha sofrendo com picos de acesso e lentidão. Segundo a Dataprev, o volume de acessos ao sistema chegou a mais de 10 milhões por dia, um aumento que supera em muito a média habitual. Isso teria contribuído para o congestionamento e instabilidade da plataforma.
A suspensão simultânea do atendimento presencial e digital também evidenciou a dependência crescente dos segurados das plataformas tecnológicas, deixando pessoas que não dominam ferramentas digitais – especialmente idosos – ainda mais vulneráveis. Em Porto Alegre, por exemplo, aposentados relataram que foram às agências justamente por não conseguirem usar as opções online, e acabaram sem atendimento algum devido à paralisação dos sistemas.
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Além dos transtornos cotidianos, as paralisações recentes no INSS ocorrem em um contexto mais amplo de pressões sobre o funcionamento do sistema previdenciário brasileiro. Nos últimos anos, tem se destacado o crescente acúmulo de processos e filas de espera para concessão de benefícios.
As paralisações no sistema do INSS nas últimas semanas revelam um ponto crítico na gestão da autarquia: a necessidade de equilibrar as exigências tecnológicas com a manutenção da continuidade dos serviços essenciais. A instabilidade técnica e a suspensão de atendimento impuseram dificuldades reais na vida de milhões de beneficiários, gerando reclamações, filas e críticas à forma como o processo foi conduzido – um reflexo de desafios estruturais que vão além de simples manutenções e apontam para a urgência de uma estratégia integrada e humanizada de atendimento à população..
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