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CONVERSA SENTADA

Sobre compostura

Não que eu queira que sejamos casmurros ou pouco sociáveis.

É que me recordo dos meus tempos de guri e, ante uma traquinagem, meu falecido pai me dizia: “stell dich nicht dumm an” , em tradução livre: “não te comportes mal”.

A todo tempo meus pais me advertiam com “pensa bem antes de falar”. Professores meus eram severos com as concordâncias e os vícios de linguagem.

Esses dias, ao ligar a TV, me estarreci ao ouvir dois políticos vociferando, um chamando o outro de ladrão, canalha e outros epítetos desagradáveis.

Eu muito admirava o então juiz de direito Alfredo Zimmer. Ele morava perto de nossa casa. Eu, com 15 anos de idade, era amigo da filha dele. Fui convidado para a festa de seu aniversário de 15 anos. O dr. Zimmer me perguntou o que eu queria ser quando fosse adulto. Respondi que queria ser como ele, um juiz.

Quando passei no concurso para a magistratura, aos 26 anos, encontrei-me com o já desembargador Zimmer, que me parabenizou e me deu vários conselhos.

Disse-me ele: agora tu vais para uma cidadezinha do interior e serás observado por toda a população. Procura não consumir bebida alcoólica em público. Caso sem querer virares o copo, hão de dizer que és um ébrio contumaz. Dá tratamento de “senhor” e “senhora” para todos, inclusive para jovens. Procura ser absolutamente pontual para as audiências. Não te olvides de te arrumar com as vestes que a circunstância exige. Jamais comentes em público sobre ações em curso. De maneira alguma aceites presentes.

Valiosos conselhos.

Gostaria de sublinhar algo que me incomoda. Alguns pais se descuram de dar educação a seus filhos. Alguns nem conversam muito com eles, tudo pela esfarrapada desculpa de que não têm tempo. Isso me soa como irresponsabilidade grave e falta de amor. Me convenci, durante minha vida, que não ter tempo, inclusive conversar com filhos, vai redundar como sendo a rua a “professora” dos adolescentes.

Antigos filósofos cunharam uma frase que merece reflexão: “non omne quod licet, honestum est”. Vale dizer: “nem tudo que é lícito é honesto”. O mundo inteiro, um pouco mais, um pouco menos, conhece esse adágio.

Recentemente se descobriu que um cuidador dos dinheiros da nação também usufruía de benesses em paraísos fiscais. Não sou da área, mas algo me diz que não é atitude correta jogar de centroavante e, ao mesmo tempo, apitar a partida.

Essa matéria foi bem esmiuçada em artigo recente, na Gazeta do Sul, pelo excelente articulista dr. Astor Wartchow.

Existe a possibilidade de haver conflito de interesses no caso?

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