A sustentabilidade e a transformação social ganharam destaque nas atividades da Escola Estadual de Ensino Médio Professor Affonso Pedro Rabuske durante a 2ª Mostra de Projetos Interdisciplinares. Realizado no sábado, no pavilhão da Comunidade Católica de Linha Santa Cruz, o evento reuniu trabalhos desenvolvidos por estudantes de diferentes turmas, além de apresentações artísticas e um almoço para celebrar os 173 anos da instituição.
A iniciativa apresentou pesquisas elaboradas ao longo do ano a partir de temas contemporâneos e transversais, que englobam diferentes áreas do conhecimento. Entre os destaques estavam os estudos voltados ao meio ambiente, consumo consciente e à cultura afro-brasileira.
Segundo a supervisora pedagógica Elisângela Silveira Barbosa, a sustentabilidade foi escolhida como um dos principais eixos das atividades. “A nossa missão é formar cidadãos conscientes, que respeitem tanto a diversidade ambiental quanto a cultura e o social, sempre estimulando a criatividade e a colaboração”, destacou.
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Livro inspira reflexão sobre desigualdade
A leitura da obra Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada, da escritora Carolina Maria de Jesus, serviu como ponto de partida para uma atividade desenvolvida pelo Ensino Médio. O projeto uniu conteúdos de geografia e sociologia para discutir desigualdade social, pobreza e as diferentes realidades do País.
De acordo com a professora Dulce Nair Schulz, orientadora da pesquisa e docente das disciplinas, a proposta surgiu a partir da análise do significado do título da obra. “O quarto de despejo é onde a sociedade joga tudo aquilo que não pertence, aquilo que é descartado”, explicou.
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A partir da trajetória de Carolina, que registrou em seu diário a realidade da favela do Canindé, em São Paulo, os estudantes passaram a refletir sobre questões que permanecem atuais. Para abordar o livro, os alunos produziram maquetes representando comunidades, além de cartazes que retratam as diferenças sociais. Uma das equipes montou uma mesa representando famílias com diferentes condições econômicas, refletindo sobre insegurança alimentar.
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Para Carolini Wagner Chaves, de 16 anos, a obra trouxe uma nova percepção social. “Percebemos o quanto a desigualdade está presente e não nos damos conta. Ao ter contato com isso, vemos que a realidade não é igual para todos.”
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Entre os trechos do livro que mais marcaram a jovem está a reflexão de Carolina sobre a privação de alimentos. “Ela fala que a fome também é professora, ou seja, que a fome nos ensina. Mesmo com todas as dificuldades, ela se manteve forte e escreveu esse diário para que mais pessoas pudessem ter esse conhecimento.”

Atitudes simples fazem a diferença na sociedade
Entre as iniciativas esteve um sistema de irrigação automatizado alimentado por energia solar, proposto pelas colegas Barbara Vitória Beckenkamp, Eduarda Luísa Schaefer, Elisa Manuela Grilli Peiter e Natália Luiza Goerck, com orientação da professora Rosemeri Wagner.
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A criação teve como objetivo testar uma alternativa sustentável para a lavoura, utilizando a captação solar para reduzir o consumo de eletricidade e otimizar o uso da água. O grupo buscou demonstrar como tecnologias acessíveis podem contribuir para práticas mais eficientes e ambientalmente responsáveis.
Outro destaque foi o “Detetives do Desperdício de Energia e Água”, desenvolvido por alunos do quinto ano sob a orientação da professora Isolde Maria Eisenhardt. A atividade transformou os estudantes em investigadores dentro e fora do colégio, observando hábitos cotidianos que poderiam ser modificados.
Segundo a professora Isolde, a tarefa integrou diferentes áreas do conhecimento. “Eles foram fazendo anotações durante um mês e chegaram à conclusão de que em casa também teriam que fazer essa pesquisa”, explicou.
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A partir dos dados coletados, os alunos analisaram contas de água e de luz, trabalharam com gráficos e elaboraram atitudes simples que podem gerar economia. A atividade resultou em uma maquete com materiais recicláveis, representando alternativas como energia solar e eólica.
A estudante Brenda Morais Spanevell, de 10 anos, afirmou que uma das principais aprendizagens foi perceber que pequenos gestos fazem diferença. “Aprendi que precisamos cuidar sempre para não deixarmos as torneiras pingando e não deixar luzes acesas sem necessidade”, contou. Ela afirmou ainda que os hábitos começaram a ser aplicados também em família.

Conhecimento compartilhado
Para a diretora do colégio, Solange Maria Ripplinger Weiss, a mostra representa o resultado de um esforço coletivo construído ao longo do ano letivo. “Para a Escola Affonso Pedro Rabuske, é uma satisfação estarmos hoje na nossa segunda mostra. É resultado de uma dedicação contínua que os professores e estudantes vêm realizando no cotidiano”, afirmou.
Segundo ela, a iniciativa permite integrar diferentes disciplinas e buscar soluções para desafios presentes na sociedade. “É muito importante compartilhar o conhecimento construído para ter respostas para os problemas ambientais e sociais que vão ocorrendo na rotina”, completou.
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