Os casos de feminicídio registrados em todo o País, Estado e região ganharam evidência no 30° Encontro Regional de Mulheres Trabalhadoras Rurais. O tradicional evento, promovido pela Associação Regional dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais do Vale do Rio Pardo e Baixo Jacuí, ocorreu nesse domingo, 8, no Parque da Feira da Produção, em Vera Cruz.
No palco, as lideranças manifestaram-se diante dos casos de violência, que resultaram na morte de 1.568 mulheres vítimas de feminicídio no Brasil em 2025, segundo o relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. De acordo com o levantamento, trata-se de um crescimento de 4,7% em relação ao ano passado. Na região Sul, o estado que concentrou mais mortes entre 2021 e 2025 foi o Rio Grande do Sul, 38,8% dos registros.
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Diante dos indicadores, a Comissão Regional de Mulheres Trabalhadoras Rurais entregou uma carta às autoridades presentes reivindicando ampliação das políticas de prevenção e enfrentamento à violência de gênero, de modo que cheguem às comunidades rurais.
Entre as demandas (veja abaixo) estão a garantia de atendimento humanizado e qualificado por parte das instituições de segurança pública, saúde e assistência social. Solicitam ainda investimentos em programas de autonomia para mulheres, especialmente para as trabalhadoras rurais, no intuito de romper os ciclos de violência.
A comissão também pede urgência na liberação dos recursos para a construção da Casa de Acolhimento, uma reivindicação de 2022. Segundo a carta, o projeto está pronto, mas aguarda liberação do governo do Estado. O recurso será viabilizado via Consulta Popular, por meio do Corede Vale do Rio Pardo.
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Vitória Theisen Petry, coordenadora da comissão, destacou a necessidade de atenção às mulheres do interior. Segundo ela, devido à falta de informação e dificuldades de acesso à comunicação, especialmente à internet, muitas não conseguem buscar apoio em casos de violência. “Precisamos garantir a segurança no interior”, frisou.

A coordenadora estadual de Mulheres da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Lérida Pavanelo, disse que agressões contra mulheres são tema recorrente nos encontros. “Não queremos mais perder companheiras pela violência. Quando uma mulher morre, termina anos de sofrimento. Ela sofreu calada por muito tempo. Chega de violência, basta.”
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A produtora Rosane Teresinha dos Santos, de 64 anos, reforçou a necessidade de as mulheres do campo se unirem contra a violência. “Não é fácil, temos que ter muita coragem e força para lutar. É muito triste e machuca quando ficamos sabendo de um caso”, afirmou.
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Moradora do interior de Vera Cruz, salientou a importância do encontro em fortalecer os laços e o companheirismo entre as trabalhadoras rurais. Além disso, Rosane evidenciou a importância das palestras do evento, que contribuem na melhora da autoestima e incentivo à busca pelo conhecimento e qualificação no campo. “É importante que as mulheres do campo nunca desistam, que sigam sempre em frente com muita fé.”
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Momento de aprendizado e união
As atividades do 30° Encontro Regional de Mulheres Trabalhadoras Rurais iniciaram-se às 8 horas. Após o acolhimento, autoridades políticas e líderes rurais subiram ao palco do ginásio para deixar seu apoio às mulheres do campo.
Em seguida, foi a vez de o palestrante Sandro Libardoni conduzir uma apresentação que teve como tema Permita-se: menos perfeita, mais humana, mais feliz. Mais tarde, foi a vez da palestra-show de Patrícia Haunss, animando e motivando a plateia com música e frases inspiradoras.
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A coordenadora da Comissão Regional de Mulheres Trabalhadoras Rurais, Vitória Theisen Petry, destacou que os palestrantes escolhidos para o evento precisam falar a língua das mulheres do campo, permitindo que elas fiquem à vontade e possam aprender um novo tema que contribuirá para suas rotinas. “Estamos sempre na luta. Novos desafios vão surgir e temos que estar prontas para enfrentá-los.”
Quem acompanhou a programação foi a jovem Katieli Isabel Müller, de 17 anos. Moradora de Vale do Sol, prepara-se para um dia assumir a propriedade da família. Para isso, participa do encontro desde 2020, buscando aprender e conhecer outras trabalhadoras. “É uma iniciativa importante que a cada ano só aumenta, com mais lideranças e entidades se unindo.”

Prioridades
Reivindicações apresentadas pela Comissão Regional de Mulheres Trabalhadoras Rurais
- O fortalecimento e a ampliação da rede de proteção às mulheres em situação de violência, com serviços acessíveis também nas áreas rurais.
- A implementação de políticas públicas eficazes de prevenção à violência de gênero, com ações educativas e campanhas permanentes de conscientização.
- A garantia de atendimento humanizado e qualificado por parte das instituições de segurança pública, saúde e assistência social.
- O fortalecimento das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e a ampliação de sua atuação nos municípios do interior.
- Investimentos em programas de autonomia econômica para mulheres, especialmente para as trabalhadoras rurais, como forma de romper ciclos de violência.
- Urgência na liberação dos recursos para a construção da Casa de Acolhimento, reivindicação da comissão em 2022, cujo projeto já está pronto e aguarda somente a liberação por parte do governo estadual. Esse recurso, de acordo com as responsáveis, vai ser viabilizado via Consulta Popular por meio do Corede Vale do Rio Pardo.
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