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VÍDEO: Sopa do Bem garante até mil refeições a pessoas em situação de vulnerabilidade em Santa Cruz

Foto: Alencar da Rosa

A solidariedade é o principal ingrediente

De pijama e com uma panela na mão, Mônica Chaves, mãe de quatro crianças e que é moradora do Bairro Rauber, em Santa Cruz do Sul, saiu de casa no fim da tarde do último sábado, 9, para trazer a janta para a mesa da família. Uma panela cheia de sopa temperada com empatia e preparada na cozinha-laboratório do Curso de Gastronomia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) foi o prato principal. O alimento, preparado com doações de empresas e de voluntários, transformou-se em uma grande ação junto a comunidades carentes, religiosamente todo sábado (confira vídeo no final da matéria).

Cozinhada em parceria da Unisc com o Grupo do Bem, a sopa, também do bem, é comemorada por quem tem fome de afeto e de alimento. “É um carinho que eles têm conosco, fazer esta sopa e trazer para distribuir no bairro. Agora eu saio daqui e vou reunir as crianças, dar banho e dar a janta para elas”, disse Mônica. No Rauber, ela e mais 280 moradores foram alimentados com essa iniciativa.

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Liane Soares foi pegar sopa para ela e para o marido. Moradora da vila dos papeleiros (localizada em uma área do Rauber), a moradora explica que o casal tem vivido apenas com o auxílio emergencial de R$ 600,00 que o marido ganhou. A sopa do bem entra como guarnição nas noites de sábado e, às vezes, até o meio-dia de domingo. “Ela é muito gostosa e concentrada. A gente pode colocar um pouco de água e aumentar. Esta sopa tem gosto de comida boa, de comida de mãe, especial nestes dias difíceis”, revela a catadora. Na sede do Esporte Clube Unidos do Bairro Rauber, houve fila e distanciamento social para levar a sopa para casa.

Cerca de 40 voluntários do Grupo do Bem dividiram-se no último sábado, 9. Um grupo foi para o Bairro Bom Jesus, outro para o Rauber. Idosos do Asilo, internos do Albergue, moradores em situação de rua e pacientes da Clínica Recomeçar também comeram sopa. Parte dos moradores do Navegantes igualmente recebeu o prato das mãos dos voluntários.

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Liane: “Tem gosto de comida de mãe”. Foto: Alencar da Rosa

Para servir a sopa no fim do dia, são necessários quatro estágios, cada um executado por um time diferente. Às 7 horas da manhã começa o preparo dos pães e do caldo com as carnes. A partir das 14 horas começa a mistura de ingredientes – 23, entre carne de frango, gado, macarrão, arroz, verduras e legumes. Na sequência, às 17 horas, começa a distribuição nos bairros. Há um revezamento, para que mais pessoas carentes tenham acesso ao sumo do trabalho dos voluntários. Na volta para a Unisc, depois das 20 horas, passadas quase 13 de trabalho, a última equipe cuida da limpeza da cozinha, na companhia do bom humor e da esperança.

A reinvenção materializou-se em empatia

A reitora da Unisc, Carmen Lúcia de Lima Helfer, ficou emocionada ao perceber a empatia dos voluntários na cozinha da universidade. O espaço, ora desativado por conta da suspensão das aulas presenciais, enche-se de vida toda semana. “Eu vejo com uma satisfação imensa, pois a universidade está tendo a oportunidade de vivenciar o espírito comunitário que nós sempre tivemos, com muita força neste momento inédito de pandemia”, enfatizou.

Para a reitora, a parceria com o Grupo do Bem deu forma e materializou o processo de reinvenção que a Unisc começou a adotar no ano passado, quando os cursos e o método de ensino da instituição passaram por reestruturação. “Dos testes da Covid-19 à produção de pães, passando por esta sopa, estamos envolvendo todas as áreas do conhecimento neste espírito. Nós estamos junto da comunidade, e agradeço a todos por esta disposição”, salientou a professora Carmen.

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Laboratório de Cozinha Quente e Fria da Unisc transforma-se no epicentro de produção da Sopa do Bem, servida aos carentes. Foto: Alencar da Rosa

Fazer o bem sem olhar a quem

O provérbio popular acima é a alma do Grupo do Bem. A fundadora, Luciana Antonia Tremea, a Lú, revela que as primeiras ações dos voluntários eram modestas, na época do Natal. “Há uns quatro anos, começamos a trabalhar com doações. Nós recebemos muitos brinquedos, material escolar, roupas”, disse. A quantidade de bens recebidos permitiu aos voluntários uma inserção maior nos bairros carentes de Santa Cruz do Sul.

Já a Sopa do Bem surgiu há quatro semanas. Foi depois que o Grupo do Bem, a Prefeitura de Santa Cruz e a Unisc fecharam uma parceria para fazer pães que acompanham as refeições servidas pelo município todos os dias. “Uma senhora do Residencial Viver Bem, no Bairro Dona Carlota, faz pães para as crianças que estão em casa. Um dia ela nos perguntou se tínhamos ingredientes para ajudá-la”, contou Lú.

A coordenadora disse que retornou com a ideia para a Unisc, pensando no que poderia ser feito, e viabilizou a produção de pães, inicialmente. “Começou a esfriar e nós podíamos fazer algo mais. Por que não uma sopa? Os cursos de Gastronomia e Nutrição da Unisc toparam a parceria e assim nasceu a nossa sopa, sempre aos sábados.” Com doações de supermercados, padarias e anônimos, cada semana é possível fazer de 800 a mil porções. “É uma sopa grossa, com muitos ingredientes, consistente. Eu acho que o melhor ingrediente é a doação, o amor e o carinho das pessoas que nos doam e que se doam, pois este é o momento de dar e de doar”, resume a coordenadora do Grupo do Bem.

Luciana (à direita) coordena a equipe do Grupo do Bem, parceira da Unisc na sopa. Foto: Alencar da Rosa

Talento voluntário

Thamires Saiba Maciel tem 26 anos e nunca tinha feito pão na vida. No time do Grupo do Bem, ela ajudou a produzir 200 pães no último sábado, entregues junto da Sopa do Bem. Cada quatro porções de sopa vão para a casa dos beneficiados com uma baguete. “Eu estou com meu contrato de trabalho suspenso. Decidi que precisava ajudar a uma causa e aqui estamos, na equipe do pão”, contou. O laboratório de panificação fica ao lado da Cozinha Quente e Fria, no bloco do Centro de Gastronomia da Unisc.

A pernambucana Maria Eliane da Silva Aquino, moradora de Santa Cruz do Sul, também somou-se aos voluntários. Ela e a amiga Cristina Freitas Soares picaram abóbora e outros legumes para a sopa. “Eu estou emocionada trabalhando aqui. A gente ganha muito mais em poder realizar uma ação tão bonita quanto esta”, disse Maria. Cristina conta que, enquanto a equipe da entrega enche o prato de quem tem fome, ela enche o coração de felicidade ao participar do trabalho. “Todos podemos fazer alguma coisa para o próximo, ainda mais neste período que estamos vivendo.”

Saiba como ajudar

O Grupo do Bem aceita doações e voluntários. Quem deseja ajudar com alimentos ou com compras de alimentos pode informar-se com os integrantes. Da mesma forma, quem deseja participar no cozimento da sopa, limpeza ou distribuição, pode entrar em contato com a organização. Não serão aceitos repasses em dinheiro. Quem quiser doar em valor, deve adquirir um crédito em supermercado.

Doações e candidatos a voluntário devem entrar em contato por e-mail com Patrícia Konzen, pelo endereço [email protected]

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