SANTA CRUZ 23/06/2020 19h48

Proprietários de campos e quadras defendem retomada e criticam falta de diálogo

Atualmente, estabelecimentos esportivos estão impedidos de funcionar na região pelo sistema de distanciamento controlado do governo estadual

O setor de estabelecimentos esportivos, como quadras de futsal e campos de futebol sete, teve suas atividades restritas pelas medidas de combate à pandemia do novo coronavírus. Pelo protocolo de distanciamento controlado do Estado, os proprietários não podem abrir as portas em um cenário de bandeira laranja, nível de restrição que passou a vigorar nesta terça-feira, 23, em Santa Cruz do Sul e região.

De acordo com o proprietário do Boogabol, Carlos Rehbein, há um grupo de dez empresários que discute os impactos financeiros após três meses sem funcionar. No caso da Boogabol, são 43 colaboradores, além de fornecedores e prestadores de serviços. “Estou conseguindo cumprir compromissos, mediante uma redução de carga horária. Mas há colegas que estão em outras funções para se manter, e precisaram demitir. Eu estou vendendo grama sintética, por exemplo”, explica.

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Rehbein acredita que faltou uma atenção maior do Poder Público. “Entendemos a preocupação com a saúde, mas não fomos recebidos para uma conversa. Queríamos discutir um plano de ação, uma perspectiva em conjunto”, destaca. Segundo ele, o grupo chegou a enviar um ofício com sugestões para um planejamento de reabertura, baseado em municípios que permitiram a retomada do segmento, dentro das normas de segurança.

Outro argumento, conforme Rehbein, é o fato de a prática esportiva ser uma forma de afastar a tensão provocada pela pandemia. “Muitas pessoas estão com dificuldades pelas preocupações, com um desgaste mental muito grande. O esporte é um momento de lazer, para aliviar essa pressão”, reforça. “Há jogos clandestinos, gente viajando para jogar e depois retornando. É melhor que as pessoas possam jogar aqui, mas dentro das regras previstas”, enfatiza. Nas três quadras que administra, Rehbein calcula que atendia um público de 180 pessoas diariamente.

Como os municípios não podem ser mais flexíveis do que o governo do Estado, a abertura de espaços esportivos segue proibida nas regiões com bandeira laranja. O que está permitido são os treinos individualizados.

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