Semana passada, neste espaço e sob o título “Sua Excelência, o Leitor”, em rápidas pinceladas relatei a “sensação de solidão” que assola aqueles que abram o antigo ofício de cronista/colunista. Ocupar este honroso espaço, aqui na Gazeta do Sul, significa uma enorme responsabilidade. A repercussão dos escritos é proporcional ao prestígio resultante da trajetória que a Gazeta possui. E não apenas no Vale do Rio Pardo ou Rio Grande do Sul, mas também no cenário nacional da imprensa.
Na crônica passada, revelei que recebo poucos retornos sobre o conteúdo de minhas publicações. Como enfatizei, em todos os espaços que ocupo – em cerca de dez blogs, sites e jornais – faço questão de postar meu e-mail pessoal como forma de oportunizar a livre manifestação de opinião daqueles que me dão a honra da leitura.
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Fiquei surpreendido porque a provocação surtiu efeito. O gentil leitor Aryon Silveira, ao ler o texto, escreveu, identificando-se – nome e idade – e se disse assíduo deste espaço. Argumentou que os temas escolhidos por este cronista são “coisas simples do cotidiano que é muito interessante, porque política, economia e futebol é quase sempre o mesmo assunto”.
Por fim, revelou que muitos amigos se dizem surpresos por ele ainda ler e assinar um jornal. “Faço isso porque no telefone não tem graça”, afirmou, com o que concordo plenamente. Como ele, à exceção do WhatsApp, não mantenho redes sociais. E possuo assinatura de três jornais diários de Porto Alegre.
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Cativar leitores e escolher assuntos atrativos é uma árdua tarefa que enfrento semanalmente. Neste país radicalizado, dividido por ideologias, interesses diversos e pouca razão, expor-se publicamente é sempre perigoso. Sempre que possível procuro me posicionar, mas isso requer equilíbrio, parcimônia de argumentos e, acima de tudo, respeito e bom senso com aqueles que pensam diferente.
Levar em consideração o contraditório, ou ao menos ouvir aqueles que têm posição oposta, constitui raridade nos dias atuais. A universalização das redes sociais, se por um lado garante democratização através de espaços de livre manifestação – e não apenas contidas nos grandes veículos de comunicação – estimula o surgimento de “bolhas”. São grupos constituídos por pessoas que professam pensamentos únicos. E que raramente aceitam contestação ou argumentos questionadores.
É cada vez mais desafiador conseguir estabelecer diálogos com correntes diferentes de pensamento. Existe uma proliferação nefasta de esforços para desqualificar quem pensa diferente. Se dos debates resulta a luz, do bate-boca de baixo nível só podemos esperar sombras e trevas. E disso, o Brasil já está cheio, como veremos a partir do incremento dos debates eleitorais.
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