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ROMEU NEUMANN

Silêncio que incomoda

Em menos de um mês, duas mortes e outros acidentes graves nas perigosas curvas entre Pinheiral e o acesso a Santa Cruz do Sul pela RSC-287 colocam em xeque o projeto de duplicação da rodovia. Não pelo propósito – porque todos querem ver executada essa obra – mas pela forma como se dá a implantação em curso.

Vamos pensar um pouco adiante da nossa perspectiva de moradores de Santa Cruz e arredores, até porque conhecemos cada curva dessa estrada. Coloquemo-nos na situação de quem vem de Santa Maria e se dirige à Região Metropolitana ou de quem vem da Capital em direção à Região Central. Em ambos os sentidos, os motoristas percorrem uma rodovia plana, com longas retas e raras curvas. Até se depararem com as perigosas curvas de Pinheiral, onde deveria haver muito mais do que um controlador de velocidade no início do trajeto de quem se dirige à região metropolitana.

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Por que a Polícia Rodoviária, tão onipresente para multar em outros pontos muito menos perigosos da rodovia, mas propícios para flagrar desavisados que excedem a velocidade, não se faz presente nesse trecho?

Mas tem mais interrogações. Não bastasse o descaso com a sinalização e com ações preventivas para evitar acidentes graves no trajeto em questão, é imperioso perguntar: por que todos silenciam – omissos, coniventes ou simplesmente resignados – diante de tão drástica agressão ambiental no principal acesso a Santa Cruz do Sul?

Não vi sequer um questionamento a respeito. Seria mesmo essa a melhor alternativa? Derrubam-se as árvores que emolduravam o acesso à cidade, explodem-se barrancos para alargar as pistas, mas nenhuma das intervenções contempla uma melhoria no perigoso traçado da rodovia. Com o aval de quem?

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O silêncio constrangedor de órgãos de fiscalização que deveriam falar pela sociedade parece ter contaminado a concessionária da rodovia. Sim, porque no início deste processo se falou na possibilidade de se construir uma elevada em substituição às sinuosas pistas que contornam os morros.

Essa questão não é irrelevante. Ela vai impactar as vidas de gerações que talvez nos cobrem por que concordamos com esse traçado temerário, perigoso e agressivo ao meio ambiente. Sempre ressalvando que a duplicação da RSC-287 é mais do que uma reivindicação, é o sonho de um pedaço considerável do Rio Grande, fica a esperança de que, em breve, essa estrada deixe de ser um depositário de cones que, inexplicavelmente, bloqueiam quilômetros de pista duplicada à espera sabe-se lá do quê.

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Entre o acesso a Taquari e o entroncamento com o BR-386, em Tabaí, por exemplo. Quem sabe explicar por que metade da nova pista está interditada, há meses, pelos famigerados cones? Aqui mesmo, em Santa Cruz, toda a pista duplicada na descida entre a Linha Santa Cruz até o viaduto no entroncamento com a BR-471 está obstruída. Por cones e mais cones, que até parecem uma obsessão da concessionária.

Será que ela não entendeu ainda que mais do que administrar uma rodovia ela é responsável por milhares de vidas que todos os dias colocam seu destino à prova em caminhos que deveriam ser seguros e protegidos?

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