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JOSÉ AUGUSTO BOROWSKY

Memória: história perdida

Sobrado construído pelo espanhol Lino Garcia tinha 100 anos e não resistiu ao temporal do início deste mês. Foto restaurada por IA/Fernando Hennig

O temporal que atingiu Santa Cruz do Sul na noite do dia 31 de abril para o dia 1º deste mês destruiu o casarão centenário que existia na esquina da Avenida Gaspar Bartholomay com a Rua Castro Alves. Junto, levou lembranças de famílias e parte da história dos atuais bairros Bom Jesus e Senai e do antigo Camboim.

O sobrado foi tema desta coluna em 2021, quando resgatamos um pouco da sua história e de quem o construiu, o espanhol Lino Garcia. Em 1920, ele e seu compatriota Jesus Gil receberam convite do intendente Gaspar Bartholomay para trabalharem em Santa Cruz. Eles residiam em Santa Maria e eram especialistas na construção de pontes em pedra grês. Pouco tempo depois, convidaram outro espanhol, Henrique Fernandes, para também estabelecer-se aqui.

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Com a mão de obra da família e do amigo Henrique, Garcia ergueu o edifício de 200 metros quadrados, na então Estrada do Bom Jesus (hoje Av. Gaspar Bartholomay). Com dois andares, ele começou a ser ocupado em 1926. No térreo, ficavam a sala, cozinha e despensa, que dividiam espaço com um armazém de secos e molhados. No piso superior, havia o dormitório do casal Lino e Leopoldina Dockhorn e um salão onde dormiam os 11 filhos. Uma sacada de ferro destacava-se no alto.

O chamado casarão dos espanhóis tornou-se referência na região. Quem vinha de ônibus de Theresa (Vera Cruz), Candelária e Cachoeira para resolver algum negócio na antiga Souza Cruz, descia ali. Na volta, os coletivos também paravam na frente do armazém para o embarque de passageiros. Na calçada, os viajantes aproveitavam para lustrar as botas e os sapatos na engraxateria.

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Quando o patriarca foi morar na chácara que possuía em Rincão da Serra, seu filho Valdomiro Garcia adquiriu o prédio e alugou o armazém para Arthur Abbling. José dos Santos Alves, José Fraga e outros também tiveram bar naquela esquina. O segundo andar chegou a abrigar uma escola. O imóvel pertence aos herdeiros de Valdomiro e o único que ainda mora no local, em um pequeno anexo, é Ibanez Garcia.

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