A baixa procura pela vacina contra a gripe tem preocupado a Secretaria Municipal de Saúde (Sesa) de Santa Cruz do Sul, justamente em um momento em que os atendimentos por síndromes respiratórias crescem de forma significativa no município. Com a chegada do período mais frio do ano, a preocupação é evitar o aumento de casos graves, internações e a sobrecarga dos serviços de saúde.
Os reflexos desse cenário já começam a ser percebidos nas unidades de saúde. Mais pessoas têm procurado atendimento com sintomas como febre, tosse, indisposição e dores no corpo. Somente no Cemai, na última segunda-feira, foram registrados mais de 150 atendimentos, número muito acima da média habitual, que era de 50 a 60 pacientes por dia. O serviço esteve lotado.
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A baixa cobertura vacinal também contribui diretamente para o aumento da circulação viral. Quanto menor o número de pessoas imunizadas, maior a propagação do vírus e maiores as chances de surgirem casos graves, especialmente entre pessoas mais vulneráveis. “É fundamental que as pessoas procurem a vacina o quanto antes, já que ela leva alguns dias para produzir a proteção adequada no organismo”, explicou o coordenador do Setor de Imunizações, Roger Peres.
Até o momento, foram aplicadas 21.566 doses da vacina contra a influenza no município. Destas, 14.069 foram destinadas aos grupos prioritários, formados por idosos, gestantes e crianças. A cobertura vacinal geral nesses grupos está em 37,74%, número considerado muito abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, que é de 90%. “Pessoas vulneráveis podem apresentar agravamento importante dos quadros respiratórios em razão da imunidade mais baixa e o que poderia ser apenas um resfriado pode acabar evoluindo para uma pneumonia”, alertou a diretora da Atenção Básica, Clauceane Venzke.
Entre os públicos mais vulneráveis, os índices seguem baixos. Entre as gestantes, o percentual é de 35,95%, enquanto entre os idosos chega a 43,04%. Já entre crianças de 6 meses a menores de 6 anos, a cobertura é de apenas 19,85%, o que preocupa. “Com isso, os serviços acabam ficando lotados e o tempo de espera pode ultrapassar três horas em alguns horários do dia. As pessoas precisam estar atentas e levar os filhos para vacinar”, alertou Clauceane.
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Vacina é segura
A Sesa reforça o chamado para que as pessoas pertencentes aos grupos prioritários procurem as unidades de saúde levando documento de identificação e, se possível, a carteira de vacinação. A campanha tem como principal objetivo ampliar a cobertura vacinal e reduzir casos graves da doença, internações e possíveis óbitos durante o inverno. Nesta primeira etapa, a meta é imunizar 37.277 pessoas pertencentes aos grupos prioritários.
Outro ponto reforçado pelos profissionais de saúde é a importância de compreender o verdadeiro papel da vacina. A imunização não impede totalmente que a pessoa contraia gripe, mas reduz significativamente os riscos de agravamento da doença, hospitalizações e óbitos. Pessoas vacinadas tendem a apresentar sintomas mais leves e recuperação mais rápida, enquanto pacientes não imunizados podem desenvolver quadros intensos e complicações respiratórias severas.
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Até o dia 30 de maio, a vacinação também contempla professores, trabalhadores da saúde e pessoas com comorbidades ou doenças crônicas, entre outros públicos definidos pelo Ministério da Saúde. Neste momento, conforme explica Roger, a indicação da vacina permanece voltada aos grupos prioritários e ainda não há determinação do Ministério da Saúde para ampliar a vacinação para toda a população, mesmo com doses disponíveis nas unidades.
Clauceane também reforça que a vacina contra a gripe é segura, utilizada há muitos anos e respaldada por ampla comprovação científica. Segundo ela, os efeitos colaterais costumam ser leves, como dor no local da aplicação ou um mal-estar passageiro, sintomas muito menos intensos do que os provocados pela influenza, que pode causar fortes dores no corpo, indisposição intensa e complicações respiratórias. “As pessoas podem ficar tranquilas. É uma vacina segura, estudada e fundamental para reduzir casos graves e salvar vidas”, afirmou.
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