Entre a coroa e os compromissos que agora passam a fazer parte da rotina, existem histórias que começaram muito antes da noite da escolha das soberanas da 41ª Oktoberfest. Antes do título, da passarela e dos aplausos, estavam a menina do interior que cresceu cercada pelas tradições da família, a bailarina que aprendeu a transformar o movimento em forma de expressão e a jovem que encontrou na comunidade um lugar de pertencimento.
Rainha e princesas da Festa da Alegria, Emanuela Thayná Schuster, Gabriele Renata Bredow e Fernanda Laís Hauth chegaram à corte por caminhos diferentes. Mas, em cada trajetória, destacam-se temas que aproximam as três: família, memória, amadurecimento, raízes e a construção de uma identidade que não precisou ser deixada para trás para abrir espaço a novos sonhos.
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Ao longo das conversas, surgem lembranças de domingos em comunidade, danças improvisadas na infância, chimarrão em família, tradições herdadas e perdas que deixaram marcas. Entre histórias pessoais e afetivas, também aparecem mulheres que aprenderam a reconhecer o próprio caminho sem abandonar quem eram antes. Juntas, elas representarão a maior festa alemã do Rio Grande do Sul.
Rainha da 41ª Oktoberfest, Emanuela Thayná Schuster cresceu entre tradições, atravessou perdas, encontrou propósito na profissão e aprendeu a não deixar para trás a menina que foi. No dia seguinte à escolha da corte da 41ª Oktoberfest, ainda tentando entender a dimensão do momento vivido horas antes, Emanuela resumiu a relação construída com as novas companheiras de reinado em uma frase curta: “Uma por todas e todas pela festa.”
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No entanto, ao olhar para a trajetória da nova rainha, a frase parece encontrar outros sentidos. Isso porque Emanuela também carrega consigo muitas versões de si mesma. A menina do interior, a filha, a dentista, a mulher que amadureceu, a candidata de 2019 e a jovem que decidiu voltar. Aos 25 anos, a cirurgiã-dentista nasceu e cresceu em Linha Pinheiral, interior de Santa Cruz do Sul, onde segue morando até hoje. Foi ali que ela construiu a relação com a cultura germânica e com a própria Oktoberfest. Em casa, as tradições nunca estiveram restritas aos dias de festa.
A vontade de participar da escolha de soberanas cresceu no mesmo ritmo da infância. Não houve um momento específico em que decidiu concorrer; o sonho simplesmente acompanhou a vida. Ao falar sobre si, Emanuela retorna diversas vezes à palavra simplicidade. Não como um discurso ensaiado, mas como algo que organiza sua rotina e a forma como escolheu viver. Ela gosta da vida no interior, do tempo desacelerado e dos pequenos rituais que permanecem os mesmos, apesar das mudanças.

“O meu momento favorito do dia é a nossa oração, quando podemos nos reunir e tomar nosso chimarrão.” Na casa da família, o hábito virou tradição. Hoje, ela olha para esses encontros como espaços onde a família construiu vínculos, e compartilhou medos e sonhos; atravessaram fases importantes, entre elas uma das mais difíceis.
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Duas semanas após concluir a graduação em Odontologia, no ano passado, Emanuela perdeu o pai, Ademir. Ao lembrar dele, a voz muda de ritmo. Ela conta que o incentivo à participação no concurso sempre esteve presente dentro de casa e que ele acompanhava esse sonho de perto. “Ele guiou esse passo, com certeza.”
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A profissão também ocupa um lugar importante nessa trajetória. A odontologia surgiu em sua vida depois de um caminho marcado por inseguranças pessoais. Durante a infância e a adolescência, ela conta que conviveu por muitos anos com um olhar excessivamente crítico sobre si. O tempo trouxe outro entendimento. “A minha profissão cuida da parte mais linda do ser humano, que é o sorriso. E também temos muitos sorrisos na nossa festa.”
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Com o sorriso ressignificado, Emanuela, que participou do concurso em 2019, retornou neste ano em um momento diferente da vida. Não voltou para repetir a experiência. Voltou mais madura, mais segura e entendendo melhor quem era. Na passarela, a faixa identificava a nova rainha da Oktoberfest. No entanto, junto dela, estavam todas as outras versões que vieram antes. Emanuela subiu ao palco acompanhada pela própria história.
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