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BALANÇO

Comercialização da safra de tabaco avança, mas segue mais lenta no Rio Grande do Sul

Foto: Luciana Jost Radtke/Afubra

A comercialização da safra de tabaco 2025/2026 já alcança cerca de 68% da produção no Rio Grande do Sul e passa de 82% na Região Sul. Apesar do avanço, o ritmo segue abaixo do registrado em anos anteriores, segundo o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Marcílio Drescher.

Em entrevista à Rádio Gazeta FM 107,9, Drescher afirmou que a venda da safra está mais adiantada em Santa Catarina e no Paraná. Já no território gaúcho, o processo começou mais devagar e continua lento. Entre os fatores apontados estão a insatisfação dos produtores com os preços praticados e a expectativa de uma possível melhora na remuneração ao longo da comercialização.

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De acordo com o dirigente, muitos agricultores optaram por segurar parte da produção aguardando uma reação do mercado. No entanto, até o momento, não houve recuperação nos preços médios pagos pelas empresas.

Segundo Drescher, o cenário contrasta com o da safra anterior. Em 2024, por exemplo, a comercialização estava praticamente concluída no fim de abril. Neste ano, mesmo com o encerramento de junho se aproximando, ainda há volume significativo de tabaco armazenado nas propriedades gaúchas.

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Produtores relatam queda na remuneração

O presidente da Afubra destacou que os fumicultores estão recebendo valores inferiores aos registrados nas últimas safras. Conforme ele, a redução ocorre mesmo em casos de produção considerada boa ou dentro dos padrões normais de qualidade. A entidade também tem recebido reclamações sobre a forma de classificação do produto. Drescher defende que a valorização da qualidade seja mais evidente durante a compra do tabaco.

Segundo ele, atualmente a diferença de remuneração entre lotes de melhor e pior qualidade é pequena, o que acaba desestimulando os produtores que investem em classificação e preparo da produção. Para a Afubra, essa prática pode comprometer um dos principais diferenciais do tabaco brasileiro no mercado internacional, que é justamente a qualidade do produto exportado.

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Impacto na economia regional

Drescher avalia que a redução da renda dos produtores também afeta a economia dos municípios produtores. Segundo ele, a soma das perdas individuais representa menos recursos circulando no comércio e nos serviços das regiões dependentes da atividade.”O que deixa de ser pago ao produtor deixa de circular na economia local”, resumiu.

Próxima safra exige cautela

Com a preparação da próxima safra já em andamento, a orientação da Afubra é para que os produtores mantenham equilíbrio na área plantada. A entidade alerta que o aumento da produção, somado à concorrência de outros países exportadores, pode ampliar a oferta e pressionar ainda mais os preços.

Drescher reforçou que a estratégia de produzir com foco em qualidade e produtividade continua sendo a mais recomendada. “Menos é mais. Muitas vezes, plantar menos e produzir com qualidade rende mais do que aumentar a área e receber menos pela produção”, afirmou. A Afubra também acompanha os números finais da comercialização e deverá divulgar novos dados nas próximas semanas.

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