As projeções climáticas mais recentes indicam que o El Niño 2026/2027 pode entrar para a história como um dos mais intensos já registrados. O alerta foi feito pela meteorologista Estael Sias, da MetSul Meteorologia, após a revisão de dados de modelos internacionais de monitoramento climático.
Segundo a especialista, as informações mais recentes reforçam a possibilidade de um evento excepcional. “Os dados concretos, os dados revisados e os dados atualizados convergem para essa direção”, afirmou Estael.
O que é o El Niño
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança interfere na circulação da atmosfera e influencia o comportamento do clima em diversas partes do planeta.
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No Sul do Brasil, o fenômeno costuma favorecer períodos de chuva mais frequentes e intensas, além de aumentar o risco de temporais e enchentes. Em outras regiões, especialmente no Norte e no Nordeste, pode provocar redução das precipitações e agravar a estiagem.
Cenário inédito
Os modelos climáticos indicam que o aquecimento das águas do Pacífico poderá atingir níveis superiores aos observados nos grandes episódios de El Niño das últimas décadas.
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Para Estael, o cenário chama a atenção pela magnitude das projeções. “A gente está prevendo entre 3 e 4 graus acima da média. É um aquecimento inédito dos últimos 150 anos”, destacou a meteorologista.
A analista da MelSul também salientou que alguns modelos apontam para um fenômeno mais forte do que os registrados em 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016.
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Intensidade não significa desastre
Apesar das projeções, a MetSul ressalta que a força do fenômeno não determina, por si só, a dimensão dos impactos climáticos. “Estamos falando do fenômeno climático El Niño. Não estamos falando da chuva, da seca ou das consequências”, ressaltou Estael.
Segundo ela, outros fatores atmosféricos e oceânicos também influenciam a distribuição dos extremos climáticos. Entre eles estão a temperatura do Oceano Atlântico, as correntes de jato, bloqueios atmosféricos e outros padrões de circulação.
Por isso, a meteorologista afirma que ainda não é possível prever exatamente quais regiões serão mais atingidas e nem a intensidade dos efeitos.
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O que pode acontecer no Sul do Brasil
Mesmo sem uma definição sobre a dimensão dos impactos, um El Niño muito forte costuma aumentar a probabilidade de eventos extremos. Entre as consequências mais comuns estão aumento da frequência de episódios de chuva intensa, maior risco de cheias e enchentes, mais temporais e tempestades severas, e períodos prolongados de instabilidade.
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O período de maior preocupação para o Sul do Brasil deve ocorrer entre setembro e dezembro. “É claro que um El Niño nesse patamar vai distribuir extremos pelo mundo inteiro, não só aqui no Sul do Brasil”, avaliou a meteorologista.
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Monitoramento seguirá nos próximos meses
A MetSul reforça que o acompanhamento das projeções será fundamental nos próximos meses, uma vez que o comportamento da atmosfera pode alterar a forma como os efeitos do fenômeno serão sentidos em cada região. “A intensidade não define a magnitude dos eventos climáticos que nós teremos”, ponderou Estael.
A expectativa é que o aquecimento do Oceano Pacífico atinja o pico entre outubro e dezembro, período em que os meteorologistas terão um cenário mais claro sobre os impactos do chamado super El Niño no Brasil e no restante do planeta.
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