A proporção de usuários de internet no Brasil ultrapassou, pela primeira vez na história, o patamar de 90% da população com 10 anos ou mais de idade. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada quinta-feira, 2, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2025, o contingente de conectados atingiu 90,5% desse grupo etário, o equivalente a 168,7 milhões de pessoas – um avanço de 1,3 ponto percentual em relação ao ano anterior.
A expansão foi impulsionada de forma expressiva pela inclusão digital nas áreas rurais. A diferença de acesso à internet nos domicílios entre o campo e as cidades, que era de gritantes 41,5 pontos percentuais em 2016, despencou para apenas 7,8 pontos percentuais. Enquanto 95,8% das residências urbanas estavam conectadas, o índice no meio rural saltou para 88% das moradias.
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Mulheres e moradores da Região Centro-Oeste lideram o perfil de navegação no País, com taxas de acesso de 91,1% e 93,6%, respectivamente. Entre os idosos com 60 anos ou mais, embora o índice geral ainda seja o menor (74,5%), o grupo registrou a expansão mais acelerada de conectividade na série histórica, com um salto de 4,4 pontos percentuais na comparação com o período anterior.
O levantamento do IBGE aponta que o celular consolidou-se como o principal dispositivo do cidadão, alcançando a marca histórica de 97,4% de presença nos lares. Para os brasileiros conectados, o uso da rede tornou-se parte essencial da rotina: 95,6% acessam a internet de forma habitual todos os dias, tendo como principal finalidade a realização de chamadas de voz ou de vídeo.
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Consumo de streaming cresce e finanças migram para a rede
A PNAD Contínua revelou uma mudança consolidada no consumo de entretenimento e serviços pelos brasileiros. O serviço pago de streaming de vídeo já está presente em 44,4% dos domicílios do País. O avanço dessas plataformas começa a dispensar as mídias tradicionais: do total de residências com streaming, 9% não possuem qualquer acesso à TV aberta ou por assinatura – indicador que era de 6,1% há dois anos. Paralelamente, o mercado de TV paga encolheu, registrando queda e fixando-se em 23,5% dos lares.
A utilidade econômica da internet também deu um salto expressivo. As maiores expansões nas finalidades de acesso foram registradas no uso de bancos ou instituições financeiras (que atrai 74,2% dos usuários) e nas compras e encomendas de bens e serviços (52,7%). O acesso a serviços públicos digitais também cresceu, alcançando 41,1% dos internautas.
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Exclusão e segurança
Por outro lado, o contingente que permanece offline expõe os desafios da exclusão digital e novas barreiras comportamentais. Entre as pessoas que não utilizaram a rede, 44,9% alegaram o desconhecimento (não saber usar) como o motivo principal – índice que chega a 66,5% entre os idosos.
O relatório ligou o sinal de alerta para a segurança digital: o medo com a privacidade ou segurança saltou de 2,3% em 2022 para 5,3% no total de não usuários. Esse temor é ainda mais forte entre os jovens de 10 a 13 anos que estão fora da rede: 30,3% deles apontam o receio com a segurança digital como o principal motivo para não navegar.
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