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OPINIÃO

Dejair Machado: “Ainda há esperança”

Existe uma tendência a achar que as novas gerações vivem como se não houvesse amanhã. Que não se importam com o outro, querem apenas o smartphone mais atual, não respeitam professores e adoram reclamar – do pai, da mãe, do irmão, de si mesmas, do chefe e por aí vai. Pode ser verdade, em parte. Alguns realmente têm atitudes assim, mas não são todos. Vale lembrar: se para os jovens agir desse modo pode ser sinal de imaturidade, falta de vivência ou “culpa do sistema”, qual seria o motivo para sujeitos de 40 ou 50 anos adotarem postura semelhante ou até pior?

Em resumo: há quem não esteja nem aí para o mundo em qualquer fase da vida ou profissão. É do bicho-gente, infelizmente. Na contramão desse comportamento, há muita coisa boa acontecendo. E na lógica de olhar o copo meio cheio, isso sim deve ser valorizado.

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Um exemplo entre tantos está na edição da Gazeta do Sul dessa segunda-feira, 13. A mostra de projetos dos alunos da Escola Estadual Affonso Pedro Rabuske, considerada a mais antiga de Santa Cruz, trouxe um show de visão de futuro. Ideias com viés sustentável, que priorizam o aproveitamento de energia solar para a irrigação, dividiram espaço com trabalhos focados no combate ao desperdício, entre tantos outros. Outra turma propôs uma reflexão social ao trabalhar a obra “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, convidando o público a pensar sobre situações do passado que ainda reverberam nos dias atuais.

No Colégio Mauá, onde meu filho estuda, o sábado, 11, também foi intenso. Nas salas de aula, via-se de tudo. Projetos feitos por crianças de 9 e 10 anos, respeitando o grau de maturidade e as características individuais, deixariam muito adulto corado. No caso da turma do quarto ano, Antônio e os colegas criaram propostas fantásticas.

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Da máquina de brinquedos recicláveis para animar as turmas nos dias de chuva ao repelente natural para espantar insetos, passando pelo reaproveitamento da água e pelo piquenique literário, dava gosto de ver e ouvir o entusiasmo dos estudantes. Em outra sala, protótipos com foco na tecnologia aplicada à segurança ou ao esporte demonstravam soluções e preocupações com o amanhã. Mais do que os projetos, as crianças exibiam empolgação ao explicar como haviam chegado até ali.

Como resumiu a professora Michele Seckler, que atende a turma do meu filho, “tudo foi criado por eles”. Mas, se não fossem ela e todos os outros educadores a plantarem aquela semente, nada teria acontecido. Ver a garotada dando exemplos assim é o que alimenta a esperança de dias tranquilos e de um futuro seguro.

Como pais e cidadãos, resta torcer para que iniciativas assim se multipliquem e contribuam para trilhar um caminho oposto a tudo aquilo que se viu até agora. O tempo vai mostrar se deu certo. Enquanto isso, ficamos na torcida de que cada vez mais escolas, professores e famílias trabalhem em sintonia para transformar realidades a partir da educação.

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