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LEGADO CULTURAL

Há um ano, Santa Cruz perdia Moina Fairon Rech e seu sorriso

Memória: escritora Moina Mary Fairon Rech, que faleceu em 23 de julho de 2025. Foto: Lula Helfer/Banco de Imagens

Há exatamente um ano, no dia 23 de julho de 2025, Santa Cruz do Sul perdia uma de suas mais entusiasmadas e apaixonadas memorialistas. Naquela data, a comunidade recebia com pesar a notícia do falecimento da santa-cruzense Moina Mary Fairon Rech, aos 93 anos, para imensa tristeza de toda a cena cultural.

Professora de formação, ela se tornara uma das principais autoras a resgatar e registrar aspectos marcantes do passado local e regional. Deixara um grande legado também em literatura em geral, que compreende romances, livros de viagens e aventuras e obras de cunho infantil e infantojuvenil. E ainda em artes visuais.

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Por sua incontornável e inquestionável influência sobre as novas gerações de escritores, e sobre as áreas de história, folclore e memória, Moina foi uma das fundadoras e membro efetivo da Academia de Letras de Santa Cruz do Sul, que a teve como sua decana. Entre seus livros, “Uma janela para o passado”, lançado em 2002, e publicado em nova edição, revista e ampliada, em 2015, permanece como uma das mais importantes contribuições alguma vez ofertadas à sociedade regional.

Nele, revisita suas lembranças do tempo de menina, nas décadas de 1930 e de 1940, iluminando uma Santa Cruz ainda pacata, que no entanto ganhava ares mais e mais cosmopolitas, graças à florescente indústria internacionalizada do tabaco. Contexto que Moina vivenciou de perto, uma vez que seu pai, o irlandês Patrick Joseph Fairon, viera à cidade para ajudar a estruturar a fábrica da Companhia Brasileira de Fumo em Folha, hoje BAT Brasil. Ele casou-se com Ana Guilhermina Frantz, irmã de Francisco José Frantz, o fundador da Gazeta do Sul, em 1945.

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Patrick e Ana tiveram cinco filhos, e a família morava em casarão na esquina das atuais ruas Marechal Floriano com Ramiro Barcelos. Ali Moina nasceu, em 23 de setembro de 1931, e cresceu, e a partir dali descortinou o mundo, entre aulas no Colégio das Irmãs (atual Colégio Dom Alberto) e as idas à antiga Igreja Católica, então defronte à atual Catedral, de cuja construção, aliás, ela foi testemunha, pertinho de sua casa. Já adulta, casou-se com o militar Claudio Albano de Brito Rech, falecido antes dela, e com ele teve os filhos Moira, Eduardo e Juarez, sendo sempre muito afetuosa com netos e bisnetos.

Em seus últimos anos, Moina e Claudio moraram em prédio na esquina das ruas Marechal Deodoro e Júlio de Castilhos, em exata diagonal pela Praça Getúlio Vargas em relação à casa na qual nasceu e cresceu. Se esse foi um ambiente que se firmou no imaginário dela, Moina conseguiu a louvável proeza de, com rara sensibilidade, eternizar essas lembranças no coração e na alma de seus encantados leitores.

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