O tabaco está entre os produtos brasileiros citados pelos Estados Unidos em uma nova medida comercial relacionada ao trabalho forçado. A partir da madrugada desta sexta-feira, 24, o Brasil passou a sofrer uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre as exportações para o mercado norte-americano. A cobrança se soma à tarifa de 25% que já incide sobre produtos brasileiros desde a última quarta-feira, 22.
A decisão foi anunciada pelo governo do presidente Donald Trump após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O órgão analisou, entre 2021 e 2025, a relação comercial de países que teriam importado produtos associados ao trabalho forçado. Entre os itens apontados no caso brasileiro estão alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco.
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Tabaco tem peso nas exportações de Santa Cruz
O impacto da medida também alcança diretamente a economia do Vale do Rio Pardo. Santa Cruz do Sul é um dos principais polos mundiais da cadeia produtiva do tabaco, e o produto responde por quase nove em cada dez dólares exportados pelo município em 2026.
No primeiro semestre, os Estados Unidos representaram cerca de 9% das exportações de Santa Cruz do Sul, com aproximadamente US$ 55,6 milhões em negócios. O país aparece entre os principais destinos do tabaco brasileiro e, por isso, a elevação das tarifas aumenta a pressão sobre exportadores e empresas que atuam na cadeia produtiva.
A nova cobrança ocorre em um cenário já marcado pela tarifa de 25% aplicada aos produtos brasileiros. Com a sobretaxa anunciada nesta semana, os produtos enquadrados na medida passam a enfrentar uma carga adicional de 12,5%, além da tarifa normal de importação eventualmente aplicada a cada mercadoria.
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EUA justificam medida por trabalho forçado
Segundo o governo norte-americano, a política busca impedir a entrada de produtos relacionados a cadeias produtivas que não adotariam medidas consideradas suficientes para combater o trabalho forçado. A justificativa é de que a importação de mercadorias produzidas em condições inadequadas poderia reduzir custos e criar uma vantagem considerada desleal diante dos produtores e empresas dos Estados Unidos.
O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que o país decidiu adotar uma postura mais rígida para fazer cumprir a legislação que proíbe a importação de produtos produzidos com trabalho forçado.
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A nova lista atinge mais de 60 economias, com diferentes níveis de tarifas. O Brasil está entre os países sujeitos à sobretaxa de 12,5%. Algumas nações terão alíquotas de 10%, enquanto outras terão a cobrança calculada de forma a elevar a tarifa total até 10% ou 12,5%, considerando as taxas normais de importação.
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Impactos na cadeia produtiva
Além da perda de receita, estimada em US$ 88 milhões com a redução já registrada nos embarques de fumo brasileiro para os Estados Unidos no primeiro semestre de 2026, a manutenção das tarifas pode provocar outros efeitos na cadeia produtiva. A indústria estima uma possível redução de 10% nos postos diretos de trabalho.
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Medida amplia pressão sobre comércio entre Brasil e EUA
A sobretaxa representa mais um obstáculo para as exportações brasileiras ao mercado norte-americano. No caso do tabaco, o efeito pode alcançar diretamente as empresas exportadoras e influenciar negociações comerciais em uma cadeia que movimenta produtores, indústrias e transportadores no Vale do Rio Pardo.
O governo brasileiro criticou a decisão dos Estados Unidos e voltou a defender a reciprocidade nas relações comerciais. A nova tarifa também ocorre em meio a uma série de medidas adotadas pela administração Trump contra diferentes países e setores da economia mundial.
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