A chuva não veio durante o fim de semana, e nesse domingo, 2, o clima agradável e o sol até marcaram presença no município de Rio Pardo. Dentro de casa, churrasco para o almoço em família, mas na rua, a água acumulada ainda faz marcas nas paredes. Os barquinhos, a postos, estão por todas as partes preparados para levar e trazer as pessoas que precisam de transporte.
Essa é uma das realidades que a Gazeta do Sul presenciou na manhã de domingo ao visitar a localidade da Praça da Ponte. Morando há 22 anos na comunidade, Genésio da Silveira Bastos, conhecido como Naninha, disse que, por medo de a água entrar na residência, ele e a família não podem sair de casa.
“É bem difícil para nós. Muita gente pergunta por que não saímos daqui, só que não temos para onde ir. E aqui é nosso, não pagamos aluguel”, disse. Bastos, que realiza serviços rápidos e eventuais, como transportar os moradores durante o período de cheia, contou que aguarda conseguir uma casa para a família na Vila Pinheiro, em Rio Pardo. A Prefeitura anunciou, neste ano, a aprovação para a construção das residências.
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A Defesa Civil do município informou que alguns moradores de Praça da Ponte estão há cinco dias fora de casa. Segundo a coordenadora-adjunta do órgão, Andréia Cardoso Moreno Martins, cinco pessoas e três famílias estão acolhidas no abrigo municipal. Outras 22 pessoas estão desalojadas e buscaram refúgio com familiares.

Lixo acumula nas águas
Outra comunidade que sofre as consequências das chuvas é Porto Ferreira. No início da tarde de domingo, o acesso ao balneário só estava sendo feito de barco. A Gazeta do Sul percorreu a localidade junto de moradores que trabalham transportando a população. Onde deveria haver um refúgio e área de lazer às margens do Rio Jacuí, encontrava-se muita água e acúmulo de lixo flutuando e sendo carregado pela correnteza.

Trabalho constante e com foco na população
As chuvas intensas dos últimos dias provocaram a elevação dos rios Pardo e Jacuí, afetando o município de Rio Pardo. Segundo informações da coordenadora-adjunta da Defesa Civil, Andréia Cardoso Moreno Martins, o nível do Rio Jacuí atingiu 13,3 metros e o Rio Pardo estava em 13,5 metros por volta das 10 horas de domingo.
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As leituras são realizadas diretamente nas réguas estrategicamente instaladas ao longo do curso d’água. A primeira encontra-se fixada na Praia dos Ingazeiros (Rio Jacuí) e a segunda está localizada abaixo da estrutura da ponte da rodovia ERS-403 (Rio Pardo).
“A água do Rio Pardo está oscilando. Faz dois dias que, durante a madrugada, ela desce 10 centímetros e retorna 10 centímetros no outro dia de manhã. O Rio Jacuí segue numa elevação constante porque é banhado por Cachoeira do Sul”, explicou Andréia.
O monitoramento da equipe da Defesa Civil é realizado em cinco momentos todos os dias. A conferência é feita visualizando o nível das águas nas réguas fixadas nas localidades, mas a visita in loco também acontece diariamente, “porque nada substitui o olhar”, disse Andréia. Segundo a coordenadora, durante a verificação são feitos registros fotográficos com georreferenciamento que marca o horário e a data da visita.
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“Ao identificar que a água se aproxima de uma residência, a equipe conversa com o morador, que avalia se deseja sair do imóvel ou permanecer. Caso opte por sair, as nossas equipes já estão organizadas para essas situações”, disse. Andréia detalhou que as equipes de plantão da Defesa Civil de Rio Pardo são formadas por dez pessoas e dois caminhões para realizar as remoções da população.
Neste fim de semana, nenhuma família precisou ser retirada de sua residência devido às cheias dos rios. No entanto, a coordenadora revelou que já são cerca de 16 dias sem descanso e concluiu afirmando que o principal objetivo do seu ofício é cuidar da população. “Trabalhar na Defesa Civil é um grande desafio. Ficamos monitorando os rios incansavelmente porque lidamos com vidas, não podemos simplesmente fazer um trabalho de qualquer forma”, enfatizou.
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