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DESFECHO

Justiça decreta perda de valores e bens do tráfico

Foto: Divulgação

Além dos veículos, há indicativos de lavagem de dinheiro entre os investigados

A condenação de nove réus por tráfico de drogas e associação para o tráfico pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Santa Cruz encerrou a primeira fase de um processo de 83 páginas. Como a decisão é de primeiro grau, cabe recurso. Além das penas de prisão, a sentença detalha o volume financeiro movimentado pela organização e bens vinculados ao grupo, que agora podem ser confiscados pelo Estado.

A investigação conduzida pelo delegado Alessander Zucuni Garcia apontou um fluxo de aproximadamente R$ 8 milhões entre depósitos, transferências via Pix, pagamentos e transações bancárias dos acusados e de suas companheiras. A análise indicou que os rendimentos informados à Receita Federal e ao INSS eram baixos ou inexistentes perto do montante movimentado, com repasses entre integrantes da quadrilha e familiares.

O principal operador, segundo a decisão, foi Carlos Alexandre dos Santos Silveira, o Xandi, com créditos que superaram R$ 2,2 milhões em diferentes contas. José Altair Senger, o São, movimentou cerca de R$ 2 milhões. O fluxo envolveu ainda companheiras e outros integrantes: Jonathan da Silva (Diona), Erison de Oliveira (Alemão), Anderson Borges Marinho (Pé na Porta) e Vitor Cassiano Francisco (Beiço). A pulverização do dinheiro em contas dificultava o rastreamento.

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Para saber

Nas diligências e buscas, a polícia apreendeu veículos, relógios e joias avaliados em mais de R$ 80 mil. Na casa de José Altair, o São, um drone da Brigada Militar registrou o momento em que ele arremessou um pacote pela janela. O objeto, localizado no terreno vizinho, continha R$ 27 mil em espécie.

A magistrada decretou a perda dos valores apreendidos em favor da União. Também determinou a destinação de quatro veículos – um Kia Sportage, um Chevrolet Tracker, um Toyota Corolla Cross e uma motocicleta Honda XRE 300 Sahara –, sob o entendimento de que foram adquiridos com recursos do comércio ilegal de entorpecentes.

Veículos podem ir para as polícias

Se a decisão for mantida após o trânsito em julgado, os três automóveis serão destinados à 16ª Delegacia de Polícia Regional de Santa Cruz e a motocicleta, ao 23º Batalhão de Polícia Militar. A transferência dos valores retidos também depende do encerramento formal do caso. Como o processo está em fase de recurso, o confisco não é definitivo. A própria decisão registra que uma das defesas solicitou a restituição de um carro e de um celular atribuídos à companheira de um investigado.

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Grupo tinha monitoramento 24 horas

A sentença detalhou a rotina da Biqueira Gre-Nal, no Bairro Santa Vitória. O ponto de venda de drogas funcionava ininterruptamente, com divisão de tarefas, controle diário de caixa e escala de informantes.

Em mensagens anexadas ao processo, a polícia identificou a preocupação dos líderes com a permanência dos olheiros mesmo na chuva, incluindo a compra de seis capas impermeáveis.

Para alertar sobre a aproximação de viaturas, os vigias – entre eles, adolescentes – usavam celulares e o código “Chuva” em aplicativos de mensagem. O local contava com grade frontal chumbada para dificultar a entrada da polícia e ligação interna com imóveis vizinhos, por onde um dos acusados fugiu durante a operação.

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