Absorventes, sabonetes, escovas e pastas de dentes, desodorantes, shampoos, condicionadores e papel higiênico. Itens básicos de higiene pessoal, que muitas vezes fazem parte da rotina sem chamar atenção, podem representar uma necessidade difícil de suprir para mulheres em situação de vulnerabilidade social. Em Santa Cruz do Sul, uma mobilização da rede de proteção reuniu 641 itens durante a campanha “Doe Cuidado, Transforme Vidas”.
A iniciativa surgiu a partir do trabalho da Patrulha Maria da Penha e do diálogo com a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Santa Cruz do Sul. A proposta foi fortalecer o acolhimento oferecido às mulheres que já são acompanhadas pela rede de proteção do município e que, além de enfrentarem situações de violência, vivem em condições de maior vulnerabilidade social.
Segundo a major Michele Vargas, subcomandante do 23º Batalhão de Polícia Militar (23º BPM), serão beneficiadas mulheres que possuem Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) ativas e que estão em situação de maior vulnerabilidade social.
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“Para quem está em extrema vulnerabilidade, o acesso ao básico não é simples. Além de suprir uma necessidade física essencial, a doação representa um gesto de carinho e empatia”, destaca.
A campanha também buscou reforçar que o trabalho da rede de proteção vai além do acompanhamento do cumprimento das medidas determinadas pela Justiça. “Queremos demonstrar que a rede não está presente apenas para a fiscalização legal da medida protetiva, mas para enxergá-las com dignidade e humanidade”, afirma a major.
Para a delegada Raquel Schneider, da Deam, a campanha também representa uma oportunidade de aproximação com as mulheres que já buscaram proteção. Segundo ela, embora as ações de enfrentamento à violência doméstica sejam realizadas durante todo o ano, o Agosto Lilás intensifica essa mobilização.
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“É um marco, é uma virada de chave para nós na questão da proteção à mulher, trazendo as medidas protetivas. Levar esses kits às vítimas com medida protetiva vigente é também uma forma de nos aproximarmos delas”, afirma.
Raquel destaca que muitas dessas mulheres enfrentam vulnerabilidades sociais e econômicas, o que amplia o significado da entrega dos produtos. “A entrega desses kits representa um gesto de cuidado e apoio nesse momento. Simboliza que ela não está sozinha, que tem uma rede de proteção com ela nesse momento de vida, em que precisa se reorganizar, buscar um novo caminho, uma nova vida”, explica.
Para a delegada, a atuação diante da violência não deve se restringir à responsabilização do agressor. “Esse tipo de trabalho não é somente pensar em punir, em tratar da violência. É também ter esse olhar para o pós-violência, para as nossas vítimas, para como elas estão e quais são suas necessidades depois de buscar a libertação do ciclo de violência em que viviam.”
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641 itens arrecadados
Encerrada a mobilização, o balanço reúne diferentes produtos de higiene pessoal. Foram arrecadados 271 sabonetes, 32 escovas de dente, 87 desodorantes, 13 shampoos, cinco condicionadores, 146 pastas de dentes, 11 pacotes grandes de papel higiênico e 76 pacotes de absorventes.
A mobilização envolveu a Brigada Militar, por meio da Patrulha Maria da Penha, a Polícia Civil, por meio da Deam, o Rotary Club Santa Cruz do Sul – Protagon, o Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres (CMDM), a Coordenadoria Municipal da Mulher e a Procuradoria da Mulher. A ação também contou com o apoio do Grupo de Apoio à Brigada Militar (GABM) e da Artpel.
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Os pontos de coleta foram disponibilizados pelas Farmácias São João e pelos Supermercados Miller. A comunidade também pôde adquirir os produtos pelos sites ou aplicativos das redes e solicitar a entrega diretamente nos locais de arrecadação.
Para a major Michele Vargas, o resultado demonstra a importância da participação da comunidade em ações que complementam o trabalho realizado pela rede de proteção. “Cada item doado faz uma enorme diferença”, ressalta.
Próximo passo é a entrega
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Os produtos arrecadados serão organizados para a entrega às mulheres contempladas no dia 18 de agosto. A distribuição será realizada diretamente nos endereços das vítimas pelos próprios integrantes da rede de acolhimento do município.
A iniciativa integra as ações do Agosto Lilás, período dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. “Mesmo após duas décadas da sanção da Lei Maria da Penha e de contínuas ações de conscientização, os índices de feminicídio e de violência doméstica ainda são alarmantes. O Agosto Lilás reforça a necessidade de ultrapassar o combate penal e promover ações concretas de acolhimento social a essas mulheres e aos seus filhos. É por essa causa que unimos forças”, afirma.
Além de contribuir diretamente para as mulheres atendidas, a campanha também chamou a atenção para uma dimensão que pode permanecer invisível no debate sobre violência doméstica: a vulnerabilidade social.
“Além de dar visibilidade ao tema da violência, a campanha sensibiliza a sociedade para a realidade da vulnerabilidade social, mostrando que itens básicos do dia a dia nem sempre estão ao alcance de todas as famílias”, explica Michele.
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