Candidato ao governo do Estado tendo a deputada Silvana Covatti (PP) como vice, o deputado federal Luciano Zucco (PL) falou sobre seus planos e disse que já tem uma definição para a área educacional, caso seja eleito. As declarações foram feitas em entrevista à Gazeta Grupo de Comunicações que abre nesta segunda-feira, 17, a série de sabatinas com os postulantes ao Palácio Piratini.
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Na entrevista gravada no escritório de campanha em Porto Alegre, Zucco marcou diferenças em relação aos adversários e anunciou, como prioridade, a derrubada da portaria que permite a progressão de alunos na rede estadual – norma que autoriza o avanço de ano mesmo sem média em até quatro disciplinas.
O candidato lembrou a entrada na política a convite do ex-presidente Jair Bolsonaro, que o conhecia pela atuação no Exército e por palestras sobre segurança pública. Apesar da resistência inicial de familiares e amigos, aceitou o desafio, candidatou-se e obteve a maior votação para a Assembleia Legislativa.
Zucco confirmou que vai extinguir a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) e garantiu a manutenção do Banrisul como banco público. Ele também criticou a taxação do tabaco pelo governo federal. “Precisamos dialogar e usar nossa força política, tanto na Câmara quanto no Senado”, afirmou.
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Na entrevista, disse ainda que foi procurado por produtores rurais endividados para a renegociação de dívidas. “Conseguimos votar a pauta com o deputado federal Marcelo Moraes e os demais integrantes da bancada gaúcha, mas o governo federal apresentou uma medida provisória que não atende a todos”, criticou.
Entrevista
Luciano Zucco
Candidato ao governo do Estado
Gazeta do Sul – O Vale do Rio Pardo, basicamente, tem sua economia voltada para a cadeia produtiva do tabaco, quer seja a produção, quer seja a transformação. De que forma o governo do Estado pode auxiliar?
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Luciano Zucco – Eu conheci a Afubra, o SindiTabaco, visitei com a família Moraes, que tem um trabalho intenso nessa área. Sabemos o quanto é importante o setor, inclusive, para gerar recursos ao Estado. Foram R$ 3 bilhões envolvidos nas exportações em 2025. Também sabemos que são propriedades menores, mas que possuem uma rentabilidade muito alta e incentivamos totalmente. Inclusive o próprio presidente Bolsonaro (Jair), quando na presidência da República, foi um grande incentivador.
Contrário ao que acontece agora no governo Lula, que está fazendo uma taxação enorme e deixa muito claro que é contra o setor. Nós precisamos dialogar, precisamos usar nossa força política, tanto na Câmara Federal quanto no Senado. E vocês terão em mim, com certeza, um político, um governador que vai defender o setor.
Recebi muitos produtores rurais para tratar da securitização. Havia produtores de tabaco, que sofreram também com estiagens e enchentes. Fomos em frente e conseguimos votar de forma muito forte, junto com o Marcelo Moraes, junto com os demais integrantes da bancada gaúcha. Mas, infelizmente, o governo federal agora apresentou uma medida provisória em que 88% dos produtores não são atendidos. Precisamos retornar novamente a pauta para poder renegociar e dar uma sobrevida para o setor que é tão importante para o nosso Estado.
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Como o senhor pretende atuar para minimizar os efeitos climáticos, como cheias e estiagens?
Temos que voltar a crescer. O Rio Grande do Sul é o estado que menos cresce entre todos os outros há mais de 20 anos. É algo com que eu não me conformo. Nesse sentido, é preciso respeitar a agenda fiscal, mas temos que mudar o foco da agenda do Rio Grande para uma agenda de desenvolvimento econômico, com mais infraestrutura logística, de conectividade, de energia, focando nas pessoas com uma educação de qualidade, numa formação de qualificação do trabalho. Pesquisa da Fiergs mostra que 85% das indústrias estão com problema de mão de obra qualificada.
Temos também que melhorar o ambiente de negócios com menos burocracia, com licenciamentos mais ágeis que possamos ter uma segurança jurídica, de regulação, que respeite juridicamente os contratos. Olha o exemplo aqui da CMPC, um absurdo, um possível investimento na ordem de R$ 27 bilhões e mesmo assim corremos risco por ideologia de um procurador da República.
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No tocante aos problemas das enchentes, temos que parar de ser um estado reativo e nos tornar um estado preparado. Imagina que até setembro de 2023, quando aconteceu a enchente no Vale do Taquari, onde 52 pessoas perderam a vida, o investimento na Defesa Civil era de R$ 112 mil. O que se compra com R$ 112 mil para uma área tão estratégica e importante do Estado? Nada. Precisou ter um grande problema para que, a partir daí, o Estado acordasse para prevenção.
Mas se vê que mesmo assim, dois anos após, mesmo depois das enchentes de maio de 2024, não temos sistema de alarme eficiente, sistema de monitoramento eficiente, um sistema integrado de proteção contra cheias. O governador precisa liderar essa integração entre os municípios. Precisa reunir Porto Alegre, Canoas, Esteio, São Leopoldo, Sapucaia, Novo Hamburgo, Alvorada, porque a água não vai pedir permissão para passar de um município para outro.
Não pode um prefeito estar preocupado em construir um dique, o outro uma barragem, o outro com uma política específica de dragagem e desassoreamento, o outro não sabe se vai faltar luz, se tem que investir em gerador ou em casa de bomba. Esse sistema integrado, como o nome diz, precisa ser visto de forma estratégica pelo governo do Estado.
E se não fossem os prefeitos, como por exemplo a prefeita aqui de Eldorado, que está trabalhando mesmo em obras que ainda não necessitam de licenciamento, muita coisa estaria pior ainda. O nosso foco agora, em primeiro plano, é tirar essas pessoas das zonas de risco. Primeira coisa que tem que fazer é cuidar das vidas das pessoas.
Veja, a prefeita Gláucia (Schumacher), ali de Lajeado, perguntou para o governo do Estado se os níveis do Rio Taquari iam subir. O governo afirmou que não e de madrugada ela teve que acordar centenas de famílias pela segurança, visto que as casas estavam sendo alagadas. Não pode. Depois de dois anos, não pode. São bilhões de reais frutos do Funrigs. E tem R$ 7 bilhões que praticamente não foram usados. Usou-se 0, 30% para um anteprojeto de Eldorado. Nenhuma licitação foi assinada. Nenhuma obra foi iniciada.
O senhor tem questionado os indicadores da educação no Rio Grande do Sul. De que forma esses resultados podem ser melhorados de fato?
Entendemos que a grande finalidade, eu sou professor, da educação gira em torno da aprendizagem. O aluno tem que saber ler e escrever para depois ir para as demais áreas. O problema é que hoje a alfabetização na idade certa não está acontecendo como deveria no Estado. O Rio Grande do Sul é o 25º dentre os 27 estados da Federação no ranking de alfabetização na idade certa. Estudos mostram que mais de 90% dos alunos chegam ao Ensino Médio abaixo da média em Matemática e em Português.
O governo do Estado adotou uma estratégia que eu sou totalmente contrário, que é maquiar a forma do Ideb aumentando o índice da aprovação. O Ideb é resultado da aprovação somado ao nível de aprendizagem dos alunos. O que este governo fez? Fez com que os alunos possam ser aprovados, mesmo rodando até em quatro matérias. Ou seja, o índice de aprovação elevou muito. Nós estamos falando de 9.400 alunos. É muita gente. E foi isso que eu critiquei e continuo criticando, e vamos no primeiro dia acabar com essa portaria.
Entendemos que não é maquiando essa aprovação que vamos resolver o que está acontecendo. E como pretendemos resolver esta situação? Fazendo um pacto com os prefeitos, um pacto para alfabetização, melhorando as condições da sala de aula, na infraestrutura, condições salariais para os professores e condições que envolvam também a segurança.
Vamos investir na área de educação, inclusive no ensino de tempo integral. Quanto mais tempo o aluno ficar em sala de aula, com certeza melhor ele vai aprender em cursos técnicos e profissionalizantes. Considero que temos que avaliar a vocação regional, região de Santa Cruz, Venâncio Aires, dos Vales. A gente sabe da força do tabaco, então, onde há agro, forma para o agro; onde há indústria, forma para indústria; onde há turismo, forma para hospitalidade, para serviços.
Caso seja eleito, o senhor pretende manter a Empresa Gaúcha de Rodovias ( EGR)? Vai privatizar o Banrisul ou mantê-lo como banco público?
Eu vi o candidato do governo falar mal da EGR, que foi o PT que criou, mas eu fiquei querendo perguntar para ele, mas não podia: “Mas vem cá, se é tão ruim, por que ele não acabou com a EGR?” Ele teve oito anos. Nós vamos extinguir a EGR. Um dos primeiros atos que vamos fazer é extinguir a EGR. Os blocos 1 e 2 podem ser executados pelo Daer, cobrando logicamente contratos muito bem regulamentados, bem feitos, bem estruturados e a partir desse investimento em duplicações, terceiras vias, viadutos, iluminação, sentaremos com os prefeitos com a sociedade para ver a necessidade de novas concessões.
Não somos contra as concessões. Pelo contrário, entendemos que quando a concessão é bem feita traz um resultado efetivo, como no Paraná, onde eles fazem concessões mistas, pegando rodovias federais de mais fluxo, juntando com rodovias estaduais com menor fluxo. Isso barateia as tarifas e privilegia aqueles usuários recorrentes.
E no tocante ao Banrisul, hoje, no dia de hoje, a gente não entende ser necessário a privatização. É um banco que fomenta a economia, o desenvolvimento, do pequeno, médio e grande, produtor, empresário.
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