Mais do que levar sementes para casa, os participantes do 26º Encontro Diocesano de Sementes Crioulas assumiram o compromisso de fazê-las voltar para a mesa de partilha no próximo ano. Cerca de 600 pessoas acompanharam a atividade realizada nessa quarta-feira, 19, no Pavilhão Paroquial da Paróquia Santos Mártires das Missões, em Linha Santa Cruz.
Todos assumiram um compromisso: quem leva uma semente deve cultivá-la e retornar na próxima edição com parte da produção, para que outra pessoa possa fazer o mesmo. Oldi Helena Jantsch, coordenadora da Comissão Pastoral da Terra, destacou que a atividade costuma reunir agricultores que preservam não apenas as variedades, mas também o conhecimento sobre o cultivo. Em alguns casos, a iniciativa permite recuperar variedades que já haviam desaparecido.
Um dos momentos mais marcantes foi o da troca. O padre José Renato Back destacou que os participantes não saíram carregando grandes quantidades, mas escolheram pequenas porções de diferentes tipos para levar para casa. A mesa chegou a reunir espécies pouco conhecidas ou difíceis de encontrar atualmente, além de alimentos que fazem parte da memória de muitas famílias. Entre as variedades citadas estavam diferentes tipos de milho e pipoca, feijão, cará, chuchu, aipim, cana-de-açúcar e frutas.
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Com o tema Das mãos das mulheres brota a vida, o encontro também colocou em evidência o papel de quem mantém essas sementes ao longo das gerações. A Diocese de Santa Cruz do Sul realiza a atividade de forma itinerante e, em parceria com a Pastoral da Terra e a Escola de Jovens Rurais, mantém uma coleção com cerca de 513 tipos de sementes. A intenção é ampliar a rede de agricultores que conservam as variedades e incentivar uma produção mais diversificada e adaptada à realidade de cada região.
O dia ainda teve momentos de celebração, palestras, apresentações artísticas e partilha de experiências. Na avaliação do padre José Renato, a edição deste ano superou as expectativas e foi marcada pelo espírito coletivo, desde a chegada dos alimentos trazidos até a organização e a limpeza do espaço.
Comprometimento
Para o bispo diocesano, dom Itacir Brassiani, o 26º Encontro Diocesano de Sementes Crioulas está entre os momentos mais significativos da caminhada social da Igreja de Santa Cruz do Sul. Ele agradeceu aos mais de 600 participantes e às equipes envolvidas na organização, especialmente a Comissão Pastoral da Terra e a comunidade de Linha Santa Cruz.
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“Que a gente saia não apenas trocando sementes, mas comprometidos com o cultivo de sementes nativas, de sementes crioulas e também das sementes da democracia, da soberania e do respeito absoluto às mulheres”, destacou dom Itacir.
Produtores veem garantia de produção
O casal Vera Lúcia Giacomin, 56 anos, e Sadi Giacomin, 62, participou mais uma vez do Encontro Diocesano de Sementes Crioulas. Produtores de Dois Lajeados, eles levaram para o evento sementes de milho crioulo e produtos da agroindústria mantida pela família, como farinhas, chimias e polpas de tomate, pêssego e pepino.
Sadi cultiva milho crioulo há 11 anos e participa do encontro há oito. Para ele, a iniciativa é uma oportunidade de preservar variedades antigas e compartilhar conhecimentos com outros produtores. Além da comercialização, destaca que o cultivo de sementes crioulas permite produzir com menor custo e mais autonomia, sem depender exclusivamente de grandes fornecedores. Acrescentou que o evento permite aprender novas formas de cultivo que geram menos impacto ambiental. “Vamos continuar participando enquanto for possível.”
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Vera também considerou importante a troca de sementes, especialmente para que variedades tradicionais continuem sendo cultivadas. “É muito bom para as pessoas plantar novamente as sementes”, resumiu.

Moradores de Dois Lajeados, no Vale do Taquari, Sadi e Vera Lúcia Giacomin participaram do evento | Foto: Inor Assmann
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