O Brasil perdeu, em um intervalo de poucas horas, duas de suas maiores atrizes: Laura Cardoso, aos 98 anos, e Glória Menezes, aos 91 anos. Diante das perdas, o Magazine selecionou dois dos trabalhos mais marcantes da dupla para celebrar suas carreiras e seus legados na telona.
Nascida em Pelotas, em 1934, Glória Menezes começou a carreira no teatro e passou pelos teleteatros antes de chegar ao cinema e às novelas. Tornou-se uma das pioneiras da televisão brasileira e, ao lado de Tarcísio Meira, formou um dos casais mais conhecidos da dramaturgia nacional. No cinema, um de seus trabalhos mais importantes foi O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, vencedor da Palma de Ouro em Cannes.

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Como Rosa, mulher de Zé do Burro, vivido por Leonardo Villar, Glória acompanha a peregrinação do marido, mas deixa claro que não compartilha da mesma obstinação. Nos olhares, nas reações e no desconforto diante daquela situação, constrói uma mulher dividida entre o amor, o cansaço e os próprios desejos. Ainda jovem, já mostrava a força que faria dela uma das grandes atrizes brasileiras.
“Eu nunca quero fazer nada. É o que bate, a surpresa que tenho com os papéis que eu leio. Nunca idealizei fazer um personagem. A surpresa é o que mais me atrai”.
Laura Cardoso construiu uma trajetória que passou pelo teatro, pelo cinema e por dezenas de novelas, mantendo-se em atividade durante mais de oito décadas. Nascida em São Paulo, em 1927, foi uma das pioneiras da televisão e uma das atrizes que melhor souberam atravessar diferentes períodos da dramaturgia brasileira.
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Mesmo quando o personagem não era o protagonista, Laura tinha a capacidade de encontrar nele alguma coisa que chamasse a atenção. Prova disso é Terra Estrangeira: dirigida por Walter Salles e Daniela Thomas, Laura interpreta Manuela, uma costureira que vive em São Paulo e sofre um infarto ao descobrir que o dinheiro que guardou durante anos ficou bloqueado pelo plano econômico do governo Collor. A morte da personagem acontece logo no início. Apesar do pouco tempo em cena, é ela que coloca toda a história em movimento.
“Nunca que quero me aposentar e fazer tricô; já falei 500 vezes, não sou a velhinha que faz tricô, sou um demônio, quero trabalhar, interpretar, fazer mil vidas”.
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