A inadimplência perdeu força no fechamento do primeiro semestre em Santa Cruz do Sul, depois de atingir seus maiores patamares do ano, com uma reação mais expressiva entre as empresas. Levantamento do Sindicato do Comércio Varejista de Santa Cruz do Sul e Região (Sindilojas-VRP), a partir da base da Equifax Boa Vista, mostra que o índice de Pessoa Física (PF) encerrou junho em 33,53%, após alcançar 33,90% em abril, enquanto a Pessoa Jurídica (PJ) caiu de 14,55%, registrada em abril e maio, para 13,77%. A novidade é justamente a incorporação, pela primeira vez, do indicador empresarial à análise produzida pela entidade, ampliando a capacidade de leitura sobre o ambiente de crédito local. Embora utilizem métricas distintas e não possam ser somados ou tratados como uma única taxa, os dois indicadores permitem acompanhar a direção da inadimplência de consumidores e empresas.
Entre as pessoas físicas, o primeiro semestre foi marcado inicialmente por uma trajetória de crescimento: o índice passou de 32,40% em janeiro para o pico de 33,90% em abril, recuando em maio e novamente em junho. Mesmo com a redução de 0,37 ponto percentual desde o pico, o semestre terminou 1,13 ponto percentual acima de janeiro e 2,23 pontos percentuais acima de junho de 2025, quando a inadimplência era de 31,30%. Ainda assim, Santa Cruz do Sul mantém uma posição relativamente melhor no comparativo territorial: os 33,53% registrados em junho ficaram abaixo tanto do Rio Grande do Sul, com 37,06%, quanto do Brasil, com 34,53%.
O comportamento das empresas traz o principal sinal positivo do fechamento do semestre. Depois de iniciar janeiro em 14,14% e chegar a 14,55% em abril e maio, a inadimplência de PJ recuou para 13,77% em junho. A redução mensal, de 0,78 ponto percentual, foi sete vezes maior, em pontos percentuais, que a observada entre as pessoas físicas e fez o indicador empresarial terminar o semestre 0,37 ponto percentual abaixo de janeiro. Na comparação anual, porém, permanece a pressão: em junho de 2025, a taxa era de 12,30%, o que representa crescimento de 1,47 ponto percentual em 12 meses. No recorte geográfico, Santa Cruz está abaixo da média gaúcha de 16,26%, mas acima do índice nacional de 11,52%.
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Na avaliação do economista-chefe da CDL POA – Rede de Entidades Parcerias – Oscar Frank, a melhora recente precisa ser observada dentro de um cenário econômico que ainda impõe riscos à capacidade de pagamento. Parte do movimento, segundo ele, provavelmente guarda relação com os efeitos das medidas de renegociação de dívidas, que ampliaram acordos e permitiram a retirada de pequenos débitos dos cadastros. “Acreditamos que as medidas supracitadas fornecem um impulso temporário, ou seja, representam um mero paliativo”, pondera.
Frank chama atenção para fatores como a pressão inflacionária sobre o poder de compra, a manutenção dos juros em patamar elevado, a perda de tração projetada para a economia brasileira e os efeitos da falta de educação financeira e da expansão das apostas sobre o risco de crédito. Para o Rio Grande do Sul, o especialista acrescenta ainda as incertezas relacionadas ao desempenho da safra e às condições climáticas.
Para o presidente do Sindilojas-VRP, Mauro Spode, a inclusão da Pessoa Jurídica qualifica a inteligência econômica disponibilizada pela entidade ao varejo e permite compreender de forma mais completa as condições em que consumidores e empresas estão operando. “Quando passamos a acompanhar também a inadimplência empresarial, ampliamos a fotografia do mercado. Não olhamos apenas para a capacidade de compra do consumidor, mas também para a saúde financeira das empresas, o que oferece ao comércio mais informação para tomar decisões, avaliar riscos e planejar o crédito”, ressalta.
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Segundo Spode, a parceria com a Equifax Boa Vista, integrante de uma estrutura global de dados, análise e tecnologia, permite transformar informações de crédito em conhecimento aplicado à gestão. “O recuo de junho é positivo, principalmente entre as empresas, mas os índices ainda estão acima de 2025. Por isso, informação qualificada é fundamental para uma concessão de crédito responsável, para o monitoramento das carteiras e para uma atuação preventiva diante da inadimplência”, complementa.
Inadimplência em números
Santa Cruz do Sul | 1º semestre de 2026
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| Indicador | Pessoa Física | Pessoa Jurídica |
|---|---|---|
| Janeiro/2026 | 32,40% | 14,14% |
| Pico no semestre | 33,90% – abril | 14,55% – abril e maio |
| Maio/2026 | 33,64% | 14,55% |
| Junho/2026 | 33,53% | 13,77% |
| Junho/2025 | 31,30% | 12,30% |
| Variação no período | +2,23 p.p. | +1,47 p.p. |
Comparativo de junho de 2026
| Região | Pessoa Física | Pessoa Jurídica |
|---|---|---|
| Santa Cruz do Sul | 33,53% | 13,77% |
| Rio Grande do Sul | 37,06% | 16,26% |
| Brasil | 34,53% | 11,52% |
*Fonte: Equifax Boa Vista
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