A Brigada Militar concluiu, nesta semana, o Inquérito Policial Militar (IPM) acerca da conduta do soldado Djavan Roger Fritsch, envolvido no episódio em que o proprietário de uma oficina mecânica foi baleado em Sobradinho, no último dia 1º. O comandante regional de Polícia Militar do Vale do Rio Pardo, coronel Tales Américo Osório, apresentou os detalhes em uma coletiva de imprensa nessa sexta-feira, 28. A investigação militar apontou, em tese, a prática de abandono de posto e lesão corporal contra uma funcionária.

Coronel Osório deu detalhes sobre a investigação em coletiva nessa sexta-feira. Foto: Rodrigo Assmann
O resultado do procedimento ocorre paralelamente à investigação conduzida pela Polícia Civil sobre os disparos que atingiram o empresário Wilian Wink, conhecido como Alemão Performance. Na esfera militar, a investigação teve outro objeto. Segundo a Brigada Militar, o policial estava de serviço em Passa Sete na manhã de 1º de agosto, quando deixou o município utilizando uma viatura da corporação, sem comunicar previamente os superiores imediatos. Fardado e equipado, deslocou-se até Sobradinho, onde sua esposa havia pedido auxílio diante de uma situação de perturbação do sossego.
A investigação militar identificou que já existia histórico entre o policial e o proprietário da oficina. Desde a abertura do estabelecimento, em 2024, havia reclamações relacionadas ao ruído provocado pelos testes de motores no local. Conforme levantado pela Brigada Militar, cinco termos circunstanciados por perturbação do sossego foram registrados nesse período.
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Na manhã da ocorrência, por volta das 9h15, a esposa do policial acionou a Brigada Militar novamente por causa dos testes de motocicletas. Uma guarnição foi até o endereço, mas não constatou o barulho naquele momento. Cerca de 20 minutos depois, segundo os elementos reunidos na investigação, integrantes da oficina teriam voltado a realizar testes de motocicletas em frente ao estabelecimento. A esposa do policial teria entrado em contato com ele novamente. A partir daí, ocorreu a sequência de fatos que terminou com os disparos.
Para entender
O policial militar efetuou quatro disparos de arma de fogo. Três tiros atingiram o empresário, que sofreu ferimentos graves. A Brigada Militar ressalta que a dinâmica do ataque foi objeto da investigação criminal conduzida pela Polícia Civil. Por isso, o IPM não atribuiu ao policial um crime de tentativa de homicídio. Segundo a BM, essa não é uma decisão de mérito sobre os disparos, mas uma questão de competência entre as diferentes esferas de investigação.
Na investigação civil, o policial foi indiciado por tentativa de homicídio qualificado. Em 21 de agosto, o Ministério Público ofereceu denúncia pelo crime, além de lesão corporal contra a funcionária. O caso tramita na Justiça comum e, por envolver crime contra a vida, poderá chegar ao Tribunal do Júri, conforme as decisões tomadas ao longo do processo.
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Além das apurações criminal e militar, a conduta do policial é analisada administrativamente pela Brigada Militar. O resultado desses procedimentos poderá ter consequências para a carreira do militar, inclusive com a possibilidade de perda da função, dependendo das conclusões das instâncias responsáveis e do direito de defesa.
Corporação garante que o caso teve prioridade
A Brigada Militar afirma que o assunto foi tratado com prioridade, transparência e dentro das competências de cada esfera. O comando sustenta que não houve omissão na apuração do episódio e nenhuma das condutas identificadas deixou de ser encaminhada à autoridade competente.
O coronel Osório ressalta que a existência de duas investigações não significa que uma tenha deixado de considerar o trabalho da outra. Segundo ele, os procedimentos tiveram compartilhamento de informações e elementos, mas cada instituição atuou dentro de sua competência legal.
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Prisão desde o dia da ocorrência
Djavan Roger Fritsch está preso desde o dia 1º de agosto. Depois dos disparos, ele deixou a oficina e se apresentou voluntariamente no quartel da Brigada Militar em Sobradinho, onde relatou o ocorrido. O comandante da companhia responsável pelo policiamento no município realizou a prisão em flagrante e comunicou o fato ao escalão superior. O policial foi encaminhado ao Presídio Policial Militar, em Porto Alegre.
Ainda no dia da ocorrência, a Brigada Militar representou pela prisão preventiva. O pedido foi acolhido pela Justiça Militar, com manifestação favorável do Ministério Público Militar. Como também houve investigação pelo crime de tentativa de homicídio na Justiça comum, existem prisões preventivas decretadas nas duas esferas.
Policial está internado em hospital da Brigada Militar
O policial permanece preso, afastado das funções e está internado na ala psiquiátrica do Hospital da Brigada Militar, em Porto Alegre. Segundo a corporação, a internação ocorreu após o próprio policial, preso, solicitar atendimento médico. Depois da avaliação realizada por um psiquiatra da instituição, determinou-se a internação.
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A condição de saúde também impediu que ele fosse ouvido durante o IPM. A vítima, por sua vez, também não foi ouvida em razão da gravidade dos ferimentos e do tratamento médico a que é submetida. Mesmo sem os depoimentos de ambos, a Brigada afirma ter reunido outros elementos suficientes para concluir a investigação na esfera militar.
Novas cirurgias
Wilian Wink permaneceu cerca de três semanas internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Caridade e Beneficência (HCB) de Cachoeira do Sul. Mais recentemente, após passar por intervenção cirúrgica no fígado na cidade de Santa Maria, foi transferido de volta para o HCB, onde segue internado para a continuidade do tratamento e novos procedimentos.
“Ele aguarda a cirurgia na coluna e, dentro de três a seis meses, fará a cirurgia no intestino. Vai ficar com a bolsa de colostomia para aguardar a cicatrização de algumas cirurgias que já realizou, para depois fazer a reparação do intestino”, disse o advogado Maurício Batista, que representa a vítima. O estado de saúde do empresário inspira cuidados contínuos em razão da complexidade das lesões, o que exige um cronograma de recuperação por etapas antes dos próximos procedimentos cirúrgicos.
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Linha do tempo
- 1º agosto
O policial militar efetua os disparos. Depois, apresenta-se no quartel e é preso em flagrante. - 3 de agosto
Inquérito Policial Militar é instaurado. A Justiça Militar decreta a prisão preventiva de Djavan Roger Fritsch. A defesa inicial é feita pelo advogado Vilson Roberto Pohlmann. - 4 de agosto
Felipe Raul Haas, Leonardo Araújo e Brizola Filho assumem a defesa do policial. - 9 de agosto
Familiares e amigos realizam caminhada em apoio ao policial. - 14 de agosto
A Polícia Civil conclui o inquérito e indicia Fritsch por tentativa de homicídio qualificado. - 21 de agosto
O Ministério Público do Rio Grande do Sul denuncia Fritsch pelo crime de tentativa de homicídio. - 24 de agosto
Os advogados Jader Gilberto Martins dos Santos e Márcio Rosano Dias de Souza assumem a defesa do policial. - 25 de agosto
A Brigada Militar conclui o Inquérito Policial Militar (IPM), que aponta, em tese, os crimes de abandono de posto e lesão corporal contra uma funcionária.
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