O policial militar acusado de disparar contra o empresário William Wink, conhecido como Alemão Performance, em Sobradinho, foi indiciado por abandono de posto e lesão corporal. A decisão é resultado do inquérito policial militar (IPM) aberto para a investigação do caso, concluído nessa quarta-feira, 26, dentro do prazo legal.
O resultado foi apresentado em primeira mão pelo comandante do 23º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Cristiano Cuozzo Marconatto, em entrevista à Rádio Gazeta FM 107,9. Com isso, o policial responderá à Justiça Militar por esses delitos, dentro do rito específico dessa esfera. Agora, caberá aos promotores do Ministério Público Militar decidirem se apresentarão denúncia ou não contra o investigado.
O inquérito militar não considerou o indiciamento por tentativa de homicídio, visto que este é considerado um crime contra a vida. Segundo a Constituição, este tipo de delito pode somente ser analisado na esfera civil mesmo quando é cometido por um militar, não sendo responsabilidade desta investigação.
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Ele encontra-se afastado da função enquanto estão em andamento os processos que apuram sua conduta. Isso significa que segue sendo remunerado pelo cargo de policial militar. “Ele obtendo a liberdade, estando em plenas condições psicológicas, enfim, ele poderá retomar as atividades”, pontua o comandante. No entanto, a depender do que identificar o procedimento, pode ocorrer até mesmo a perda da função. O processo pode chegar a durar anos, considerando o direito à defesa.
Além disso, ele encontra-se internado na ala psiquiátrica do Hospital da Brigada Militar, em Porto Alegre. Devido à sua questão de saúde, ainda não foi possível ouvi-lo no decorrer do inquérito. O comandante do 23º BPM pontuou que trata-se de um policial que sempre atuou dentro da normalidade, inclusive participando de ocorrências complexas.
O crime ocorreu na manhã do dia 1º de agosto, no Bairro Rio Branco, em Sobradinho, na oficina de motocicletas da qual William era proprietário. O empresário foi atingido por três disparos feitos pelo policial militar e chegou a passar três semanas internado na UTI do Hospital de Cachoeira do Sul.
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Marconatto relembrou que o caso foi apurado em duas investigações distintas: uma na esfera civil, que terminou com o indiciamento do policial por tentativa de homicídio; e outro na esfera militar, que apurou os crimes militares de abandono de posto e lesão corporal. Por isso, há duas prisões preventivas decretadas contra o soldado.
O policial militar já estava preso desde o primeiro dia, após ter se apresentado voluntariamente ao quartel da corporação em Sobradinho, sendo recolhido ao Presídio Militar, em Porto Alegre. Além da prisão em flagrante, a própria Brigada Militar havia representado pela prisão preventiva do policial no dia dos fatos, em razão do crime militar atribuído a ele. O pedido foi acolhido pela Justiça Militar, com manifestação favorável do Ministério Público Militar.

Tenente-coronel Marconatto apresentou os resultados do inquérito policial militar | Foto: Expedito Engling
Desavenças anteriores
O inquérito identificou que já havia uma animosidade anterior entre investigado e vítima desde 2024, quando foi aberta a oficina de motocicletas, devido ao barulho provocado pelos testes de motores na rua. Segundo Marconatto, o policial já havia acionado as autoridades outras vezes para adotarem providências, visto que trata-se de uma área residencial. Nesses dois anos, foram lavrados cinco termos circunstanciados por perturbação do sossego.
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No dia dos fatos, por volta das 9h15, a esposa do policial novamente acionou a Brigada Militar relatando os testes de motocicletas. No entanto, quando a guarnição chegou ao local, não se verificou o barulho, visto que o teste já teria sido cessado naquele momento.
“Cerca de 20 minutos após, eles (membros da oficina), até por uma questão de represália em relação ao registro feito, foram novamente à frente e fizeram novos barulhos, inclusive tentando intimidar a esposa do policial militar. Foi quando ela ligou para ele e, a partir disso, desencadeou toda aquela sequência de atos”, relatou Marconatto.
Foi nesse momento que, “tomado por uma violenta emoção” – segundo o comandante -, foram feitos os disparos. “O que a investigação deixou materializado é isso: que haviam, sim, situações anteriores, e há também uma ausência de regulamentação do poder público local acerca de um código de posturas que diga quantidade de ruídos que pode ser emitida por um comércio”, afirmou o comandante.
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No entanto, reforça que essas tratam-se apenas de motivações prováveis para o crime, visto que nem vítima, nem agressor foram ouvidos.
“Não vamos colocar nenhuma sujeira para baixo do tapete”
Durante a entrevista, Marconatto também reforçou que a Brigada Militar atuou de forma clara, reta e transparente. “Nós não vamos colocar nenhuma sujeira para baixo do tapete”, declarou. “Emitimos uma nota oficial à época, porque nós não trabalhamos por pressão, seja da mídia, seja de quem quer que seja, e nesse fato vocês observaram que houveram muitos interesses que não estavam vinculados à adequada solução dos fatos.”
Ele complementa que a investigação se deu de forma tranquila, analisando os fatos com imparcialidade, transparência e legalidade. “Então nós não vamos proteger ninguém que tenha cometido um erro, que tenha agido desrespeitando a lei e os nossos regulamentos. Tampouco vamos agir de forma exacerbada contra quem não merece.”
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Caso também tramita na esfera civil
Em paralelo ao andamento do caso na esfera militar, os fatos também são analisados pela Justiça civil. Na última sexta-feira, 21, o Ministério Público denunciou o policial pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado e lesão corporal. Por se tratar de um crime contra a vida, ele ainda pode ser levado a júri popular, a depender do entendimento da Justiça a partir do inquérito feito pela Polícia Civil.
Confira a entrevista com o tenente-coronel Cristiano Marconatto na íntegra:*
*Colaboraram Marcio Souza e Ronaldo Falkenback
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