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Filme “Minha Melhor Amiga” transforma viagem em convite aos recomeços

Foto: Divulgação

Clara (Ingrid Guimarães) e Júlia (Mônica Martelli) sempre foram melhores amigas. Daquelas amizades que atravessam os anos e acabam se estendendo também para as filhas, que cresceram juntas e se tornaram tão próximas quanto as mães. Após as jovens viajarem a Portugal para fazer intercâmbio, o ninho vazio faz com que a dupla decida viajar para matar a saudades. Lá, as duas começam a olhar para as suas relações e escolhas que fizerem e para aquilo que querem viver.

Essa é a premissa de Minha Melhor Amiga, filme nacional dirigido por Susana Garcia em cartaz nos cinemas de Santa Cruz do Sul. Inspirado nas experiências reais de Ingrid e Mônica, o longa encontra na amizade das duas protagonistas o ponto de partida para falar, com muito humor e naturalidade, sobre relações, casamento, filhos, recomeços e as mudanças que chegam ao longo da vida.

É justamente essa naturalidade o que mais aproxima o filme do público. A história não transforma essas questões em grandes discursos. Elas aparecem nas conversas, nas situações engraçadas e nas aventuras individuais que cada uma vive durante a jornada.

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Clara está em um casamento que há muito tempo funciona no automático. Júlia, depois de ter se machucado em outros relacionamentos, criou uma espécie de proteção para não se envolver novamente. São problemas diferentes, mas que fazem as duas perceberem que ainda precisam resolver algumas coisas consigo mesmas.

Ingrid e Mônica funcionam muito bem juntas. A sintonia entre as personagens é espontânea, com a relação das próprias atrizes claramente contribuindo para isso. Mas o filme não depende apenas da química entre as duas. Cada uma tem sua própria história e, ao longo da viagem, elas vão descobrindo que talvez estejam vivendo um momento parecido: aquele em que é preciso parar um pouco e perceber que a vida não precisa continuar exatamente como estava.

É justamente nesse ponto, porém, que o filme também mostra algumas de suas limitações. Ao apresentar tantos conflitos – o casamento desgastado, o medo de se apaixonar novamente, a relação com as filhas e as mudanças dessa fase da vida –, Minha Melhor Amiga nem sempre consegue desenvolver todos eles com a mesma profundidade. Algumas questões são apresentadas e rapidamente resolvidas, como se bastasse uma conversa ou uma situação engraçada para colocar tudo novamente no lugar.

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Isso fica mais evidente na relação com as filhas Manu e Isadora. Clara e Júlia acreditavam estar muito próximas das meninas, mas percebem que elas estão vivendo uma fase na qual as mães já não ocupam o mesmo espaço de antes. É uma ideia interessante e que poderia render momentos mais fortes, mas as adolescentes acabam ficando em segundo plano. No fim, elas funcionam mais como o motivo da viagem do que como personagens capazes de transformar a história por conta própria.

Ainda assim, Minha Melhor Amiga funciona mesmo é pela sensação que deixa. É um filme que dá vontade de compartilhar com alguém. De rir junto, comentar as situações e, quando termina, começar a pensar em uma viagem com as amigas. Não precisa ser para Portugal. Pode ser para qualquer lugar. O importante é ter companhia.

Sessão inesquecível

Tive a sorte de assistir ao filme em uma sessão cheia de grupos de mulheres, e isso tornou a experiência ainda mais divertida. Em vários momentos, eu estava rindo do filme e também das reações da sala. Era fácil perceber a identificação com aquelas situações. Essa troca entre a comédia e o público é um dos motivos que tornam a experiência de assisti-la no cinema tão especial: você não ri ou se emociona sozinho, mas compartilha essas sensações com quem está ao redor.

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Minha Melhor Amiga não é um filme que aprofunda tudo aquilo que apresenta, e talvez nem queira ser. Algumas relações ficam pelo caminho e determinados conflitos são resolvidos com mais facilidade do que seriam na vida real. Mas ele sabe muito bem o que quer provocar: diversão, identificação e aquela vontade de dividir a experiência com alguém.

É uma comédia leve, feita para ser vista acompanhado e que funciona especialmente bem quando a sala também entra na brincadeira. Daquelas sessões que fazem a gente rir, emocionar-se um pouco e sair do cinema pensando que talvez esteja mesmo na hora de marcar uma viagem com a melhor amiga.

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