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BENNO BERNARDO KIST

Menos motores, mais pés

Em pleno mundo dos veículos motorizados, já se realiza aqui a terceira edição do Dia Mundial Sem Carro. É o que está previsto para o próximo sábado, no centro de nossa cidade (Praça da Bandeira), por meio do Departamento de Mobilidade Urbana ligado ao grupo Santa Ciclismo e do Projeto Trânsito Vida, e tem muito a nos dizer. O evento traz atividades relacionadas ao seu propósito, de conscientizar sobre o melhor uso do carro (incluindo a educação para o trânsito) e incentivar opções por transportes mais sustentáveis.

Nesse sentido, ganham relevância a locomoção a pé (que já tenho feito há um bom tempo), a bicicleta, o transporte coletivo, as caronas, entre outros meios. Evidenciam o importante objetivo de ajudar a reduzir a poluição ambiental, com menor emissão de poluentes de motores, além de contribuir para incrementar mais a atividade motora natural, pelos tantos benefícios que traz para a saúde física e mental, como tem sido possível comprovar na experiência pessoal.

Ao referir as caminhadas, faz-se memória às boas e lúdicas andanças que se realizava na nossa infância, quando essa era a alternativa mais frequente e o uso do carro era bem menor (mesmo em famílias como a nossa que possuía veículo motorizado, algo ainda escasso então). Percorria-se muitos quilômetros a pé, para passeios (como bem lembrou o colega Romeu, correndo até perigos com touros bravos quando se tentava encurtar caminhos, e outro colega, Romar, que encarava na sua juventude uma jornada superior a 20 quilômetros, para ir da cidade de Agudo até a zona serrana do município, na casa dos pais).

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E assim ia-se à escola, à igreja e ao futebol na época (no caso particular, para quatro a cinco clubes “próximos”, que ficavam pelos menos entre dois e até seis quilômetros de distância da residência). Do mesmo modo, antes de surgirem os ônibus, dava-se o deslocamento para bailes e outras festas, com percursos semelhantes, levando muitas vezes os sapatos na mão e usando apenas chinelos (se tanto) nos pés.

O componente ambiental, de forma consciente ou não, encontrava-se bem presente em nossos passos, que ultrapassavam matos, onde, além de usufruir a magia e o mistério da vegetação densa, era possível também reabastecer nossos pulmões do ar mais puro e nosso corpo da água fresca e límpida das fontes. E isso faz lembrar a Árvore e o seu Dia (comemorado a 21 deste mês), assim como sua imensa relevância em nossas vidas.

Poder refazer esses caminhos em área urbana (que ainda preserva boa parcela de áreas verdes, com as indispensáveis árvores, e onde seguidamente surgem louváveis iniciativas paras reposição e cuidado), é um privilégio, do qual não podemos abrir mão e onde devemos colocar os pés, sempre que possível. Sem dúvida, o carro a motor é muito útil, foi e continua sendo um avanço, mas toda modernidade e toda tecnologia não podem nos desligar totalmente do que nos apega ao nosso chão, às nossas raízes, ao mundo natural de onde procedemos.

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Precisamos manter os nossos pés, as mãos, o corpo e a mente em contato com a terra que nos acolhe e valorizar tudo que a ela se relaciona. Isso faz parte da nossa natureza, e não é por acaso que nos faz sentir bem toda vez que nos despojamos dos excessos tecnológicos e voltamos a uma ligação, ainda que momentânea, ao meio natural que nos cerca. Para ficarmos de bem com a vida, faz-se necessário experimentar mais esse prazer e viver mais essa experiência essencial em que o nosso corpo se renova e o nosso espírito encontra espaço para voar feliz.

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