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GAZETA ENTREVISTA

Elenco jovem de “Precisamos Falar” aborda os desafios de seus personagens

Foto: Divulgação

Pré-estreia do filme “Precisamnos Falar”, no Cinesystem Belas Artes Botafogo, no RJ. (15/09/2026) FOTO: ROBERTO FILHO / BRAZIL NEWS.

O suspense brasileiro Precisamos Falar chega à segunda semana em cartaz nos cinemas. O filme acompanha dois casais que descobrem que seus filhos adolescentes – os primos Michel e Rick – estão envolvidos na morte de uma mulher em situação de rua. Diante do crime, precisam decidir entre proteger os jovens ou entregá-los à Justiça.

O núcleo jovem, formado por Thiago Voltolini (Michel), Guilherme Cabral (Rick), Cauê Campos (Jefferson) e Julia Svacinna (Valéria), tem importância equivalente à dos personagens adultos, interpretados por Marjorie Estiano (Sandra), Alexandre Nero (Paulo), Hermila Guedes (Anna) e Emílio de Mello (Celso). Enquanto os pais discutem como lidar com as consequências do crime, os adolescentes revelam diferentes reações diante da situação.

A convite da Primeiro Plano, o Magazine assistiu ao filme em primeira mão e realizou entrevistas exclusivas com o elenco principal. Na conversa com os quatro jovens, o destaque ficou para a complexidade dos temas abordados, a relação entre a violência e a falta de limites e os questionamentos que a história deixa para o público. Confira os principais trechos dos depoimentos.

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Thiago Voltolini (Michel)

É curioso como o enredo funciona no Brasil. Tivemos o caso do indígena pataxó Galdino Jesus dos Santos, em 1997, e recentemente, o do cachorro Orelha. A nossa adaptação do livro holandês tem outra camada, o tempero brasileiro que trazemos para essa história é muito rico, mas também muito assustador.

O filme é muito importante pela discussão que traz. Somos uma grande lupa do que existe aí fora. Não precisa ser um caso extremo como esse, mas talvez essa história seja necessária para que as pessoas comecem a olhar para essas situações com mais atenção. É um filme diferente, que traz uma discussão essencial. Pode ser perturbador, mas precisamos encarar isso.

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É muito interessante receber a responsabilidade de contar essa história tendo a minha idade. Também tinha medo de sermos vistos apenas como o “elenco jovem”, mas somos todos parte do mesmo filme. Contracenar com os atores adultos permitiu trocas muito diferentes de tudo o que já fiz na vida.

Guilherme Cabral (Rick)

A violência praticada por esses meninos passa muito pela facilidade de acesso à internet e pelas informações sobre violência gratuita que chegam às nossas telas e redes sociais 24 horas por dia. Essa violência também é resultado da perda de sensibilidade em relação ao outro. É uma questão que envolve o acesso à internet por crianças, jovens e adolescentes e que pode levar a uma discussão sobre a regulamentação.

É difícil encontrar personagens tão complexos para a nossa idade. Rick é um menino influenciável, e acho que isso diz muito sobre a juventude. São características importantes abordadas pelo filme.

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Precisamos Falar é muito atual e aborda a juventude de hoje. É uma discussão nova na nossa sociedade, e o filme propõe justamente esse debate. Espero que o público assista com os pais e os amigos, saia refletindo sobre a história, converse e convide outras pessoas para assistir também.

Julia Svacinna (Valéria)

Precisamos Falar é um filme muito interessante, que prende a atenção desde o início. Isso acontece não apenas com os espectadores, mas também com os atores que leram o roteiro antes de dar vida aos personagens.

O filme gera muitos questionamentos sobre o quanto conhecemos, de fato, as pessoas que estão ao nosso lado e o que não sabemos sobre elas. Também aborda como a falta de limites pode levar a situações extremas. Às vezes, achamos que é apenas uma inconsequência fazer um comentário na internet ou debochar de alguém. Mas até que ponto essas atitudes não dão coragem para comportamentos como os dos meninos? Foi isso que mais me chamou a atenção: precisamos estar atentos a pequenas situações que podem se transformar em algo muito maior. É um filme forte e muito atual. Precisamos falar sobre esses temas antes que seja tarde demais.

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Cauê Campos (Jefferson)

Uma das coisas que mais me chamaram a atenção no filme é justamente a complexidade da história como um todo. Ele apresenta um questionamento no final, mas também prende o espectador desde o início, porque queremos saber como tudo vai se desdobrar. Todos os personagens são complexos e enfrentam dilemas sobre o que fazer, o que não fazer, o que dizer e o que preferem não falar.

Ter a dúvida como ponto de chegada, fazer um filme que termina deixando uma questão para o público, foi uma das coisas que mais me chamaram a atenção. Precisamos Falar faz esse convite para que as pessoas reflitam sobre o que fariam em uma situação semelhante e até pensem se existe algo parecido dentro de casa. É um questionamento que não termina na sala de cinema, mas continua depois da sessão.

Assista à entrevista completa:

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