Vamos deixar uma coisa clara: este texto não é um mero ataque à existência de criadores de conteúdo que encontraram nas redes sociais uma forma de trabalho e de renda. A crítica é direcionada àquelas que aproveitam da desgraça, da irresponsabilidade e da polêmica para faturar rios de dinheiro e influenciar de maneira negativa seus seguidores. É impressionante como a palavra “influenciador” raramente vem acompanhada de uma boa notícia. Toda vez que um deles vira notícia, já espero o pior.
Comentei isso logo após a polêmica envolvendo Viih Tube, que teve a brilhante ideia de realizar um reality show no qual expôs seus empregados a situações no mínimo constrangedoras, que acabaram motivando uma investigação do Ministério Público do Trabalho. Após a ampla repercussão nacional negativa, ela e o marido tentaram justificar que o vídeo nada mais era do que uma crítica à escala 6×1.
Até aquele momento, nada sabia sobre a influenciadora. O que veio depois foi totalmente contra a minha vontade, mas apenas reforça a a afirmação inicial: antes do escândalo, Viih Tube já havia sido criticada por um vídeo em que COSPE na boca de um gato! Também se tornou alvo de debates recorrentes sobre a superexposição da maternidade a da vida dos filhos nas redes. No entanto, nada parece ter abalado a vida da influenciadora, que segue fazendo publicidade e arrecadando com seus conteúdos.
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A preocupação não é apenas com as atitudes questionáveis feitas pela influenciadora para engajar e lucrar nas redes sociais, mas o perigo que isso representa: somente em seu perfil no Instagram, são mais de 31,8 milhões de seguidores. Se uma fração dessa massa defende e considera as atitudes inofensivas ou pior, as imita, já é motivo de preocupação.
Ela não está sozinha: Virgínia Fonseca, a “tigresa dos algoritmos”, expressão usada pela revista piauí na reportagem de perfil publicada por João Batista Jr. e Alessandra Medina, foi para na CPI das Bets no Congresso Nacional. A revista também popularizou outra expressão importante sobre a influenciadora: o “cachê da desgraça”, uma vez que o controle dela previa um percentual das perdas de apostadores que utilizassem seu link.
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Apesar disso, Virgínia é considerada um fenômeno comercial, com 56,8 milhões de seguidores somente no Instagram, onde fez publicações patrocinadas de casas de apostas. E com a cara de pau de quem usou muito óleo de peroba, ela afirma que sempre alertou os seguidores sobre os riscos, apresentando as plataformas e convidando os seguidores a acessar pelos links que compartilhava.
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As duas representam um problema que continua a passar despercebido: a economia da atenção. Ou seja, a próxima polêmica vale mais do que o próximo conteúdo, sem que necessariamente existam consequências.
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Para chamar a atenção nas redes, vale tudo. Recentemente, vimos o caso de um influenciador que mentiu sobre a aparição de objetos voadores não identificados sobrevoando a sua fazenda, no interior do Paraná. Para não esfriar a polêmica, afirmou ter sido vítima de perseguição e chegou a gravar um vídeo em que se depara com a morte de um de seus animais.
Alguns vão ainda mais além e a influência deixa de ser irresponsável para se tornar uma ferramenta para práticas criminosas: Nego Di, que surfou nas águas das enchentes de 2024 fazendo uma série de acusações de omissão sem prova, utilizou da sua influência digital para dar credibilidade a esquemas de fraude, como a promoção de rifas ilegais e a divulgação de um suposto Pix de R$ 1 milhão para ajudar as vítimas da catástrofe climática. O influenciador foi condenado a mais de 14 anos em outro processo, mas ele responde ao processo em liberdade. Parte dos seus seguidores continuam a defendê-lo.
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A verdade é que a notícia ruim deixou de ser um acidente na carreira dos influenciadores. Tornou-se parte do modelo de negócios. Quanto maior a indignação, maior o alcance, resultando em mais dinheiro. O algoritmo, ciente disso, faz com que sejamos constantemente bombardeados por essas polêmicas.
Mais do que isso, a popularidade virou um critério de credibilidade. Ou seja, o número de seguidores é muito mais importante do que a qualidade do conteúdo, de modo que quem fala mais alto ou tem mais carisma é ouvido antes de quem tem algo a agregar. A concentração de poder é extremamente preocupante, especialmente com as eleições se aproximando.
A questão é: como interromper esse ciclo? Em que momento nós vamos tratar esse comportamento tóxico como algo ruim que deve ser cessado? Até descobrirmos a resposta, aguardem mais notícias ruins contra a vontade de vocês.
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