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Da terra e da gente

Algumas reminiscências

Sem querer concorrer com o colega Zé Augusto, da sempre interessante coluna Memória, é irresistível esticar os olhos e trazer aos dias de hoje diferentes e típicas manifestações de época, quando se está a folhear publicações de outros tempos, algo comum a quem pesquisa, lê e escreve. Pois, às voltas com jornais locais em alemão, de 1936-37 (Kolonie, em alemão gótico, e Volkstimme), conservados no Centro de Documentação da Universidade de Santa Cruz do Sul (Cedoc/Unisc), não foram poucos os temas, em especial de publicidade, que me chamaram atenção e, por certo, haverão de interessar de alguma forma aos atuais leitores.

Há poucos dias, ainda falava de remédios antigos e eis que, nestas publicações, mais uma carrada de anúncios oferecia soluções para todos os males de então: Contra todas as dores, Pastilhas Wild; para problemas em órgãos internos, Chá das 13 ervas; para fortificar pequenos e grandes, Dr. Hommmels Haematogen; para dores no peito, Peitoral Indiano e de Angico Pelotense; para resfriado e tuberculose, Emulsão de Scott; limpeza de sangue, Elixir de Nogueira; lombrigas, Lombricoide Indiano; para sífilis, a Aids da época, Salsaparilha Martel; para se sentir bem, pílulas reguladoras Martel. E aparecia um tônico alemão que se anuncia até hoje como aperitivo e digestivo: o famoso Underberg.

Em termos de bebidas, não faltavam opções, e inclusive amigos do Riotal (a nossa querida Vila Monte Alverne), devidamente engravatados, fizeram e divulgaram visita ao “Wein-Kellerei” (adega de vinho) de Pedro Bohnen, na Linha Júlio de Castilhos. Se a pedida era café, havia ofertas de indústrias locais: Pombinha e Pescador. Já se o problema fosse inseto e se quisesse vê-lo seguramente morto, a indicação era “Flit”. De outro lado, para facilitar a chegada de alguém ao mundo, a primeira alternativa ainda eram as parteiras, tanto que uma delas, Hilda Lau, avisava a seus clientes que mudara de endereço, para Júlio de Castilhos, em frente à antiga agência do Correio.

Os chapéus faziam o maior sucesso entre os homens, anunciados por várias lojas, e uma delas realçava sua importância: Para triunfar na vida – Rheingantz, “O az dos chapéos!”. Choviam convites (“Einladungs”) para festas, do Club União, Alliança Catholica, Turnverein, Riograndense Dammenclub, e assim para “Vereinsball” (baile de sociedade) em locais como Linha Santa Cruz e Rio Pardinho, Kerb no Riotal, grande quermesse para construção da Igreja Matriz (futura Catedral), enquanto casais ainda anunciavam seus noivados. Os aparelhos de rádio eram outra atração, com a oferta das marcas American Bosch e Rádio Victor.

Na época acontecia colonização de Porto Novo (hoje Itapiranga e outras cidades) em Santa Catarina, envolvendo a então “Volksvereinskasse Santa Cruz”, a atual e centenária Sicredi Vale do Rio Pardo, e a Auto Viação Koelln anunciava linhas duas vezes ao mês entre Santa Cruz e aquele local, além de se divulgar outras colonizações no Oeste Catarinense, como Porto Feliz (Mondaí), Palmitos, São Carlos, Saudades, e até uma colonização na serra do município santa-cruzense, em Herval Grande.

O que ainda impressionava positivamente era a oferta de livros (Bücher) como presentes, desde o “Almanach do Tico-Tico” para crianças, até as mais diferentes publicações para as mais diversas ocasiões: nascimento, dia do nome (“Namenstag”), noivado, casamento, Natal, Páscoa, cada festa, cada oportunidade, como dizia anúncio da Tipografia Lamberts & Riedl. À vista disso, só resta subscrever tal anúncio e reiterar: leiam mais e deem mais livros de presente. A cultura continua a agradecer.

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