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BENNO BERNARDO KIST

Elo espiritual e esportivo

Somos seres humanos espirituais e sociais por natureza, e assim, por exemplo, é natural nossa integração histórica e efetiva em eventos religiosos e esportivos que atraem muitas pessoas. Ainda na semana passada, no feriado de “Corpus Christi”, pude participar da tradicional solenidade na Catedral São João Batista e do percurso pelas ruas próximas, assim como faço em tantas outras procissões e caminhadas, como alguém que preserva as tradições religiosas e valoriza sua relevância no essencial fortalecimento espiritual e comunitário, e, em paralelo, o tão saudável e natural caminhar.

Foi possível vivenciar novamente o grande apelo que a tradição exerce, superlotando a nossa espaçosa e bela Catedral, como já acontecia desde os tempos de matriz colonial, além da forte participação na exposição pública da fé, que já vem desde o século 13 no mundo e continua viva desde então. Lembro de menção feita por Arthur Rabuske (padre jesuíta e escritor santa-cruzense, meu patrono na Academia de Letras), em “Santa Cruz do Sul – A fase jesuítica de sua Paróquia São João Batista – 1863/1959)”, ao falar daquela celebração em 10/06/1906: “É muitíssimo o povo presente”.

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Então, também marcou presença dom João Antônio Pimenta, bispo auxiliar de Porto Alegre, diocese que atendia a região. Rabuske cita: “Foram tantas as comunhões, que o Senhor Bispo se viu obrigado a interromper de cansaço a distribuição”, confessando que isto lhe acontecia pela primeira vez na vida.

Teria colaborado para tanto o fato de que na época o ministro da Eucaristia precisava falar, a cada fiel atendido, uma extensa frase em latim (“Corpus Domini Nostri Jesu Christi custodiat animam tuam in vitan aeternum”, em português – “O Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo guarde tua alma para a vida eterna”.

Destacava-se ainda, é claro, a procissão propriamente dita, com “bênção a quatro altares armados para tal finalidade”. De volta à igreja, cantou-se em latim o antigo e solene “Te Deum” (“A ti, ó Deus, louvamos”) e, como encerramento da cerimônia, em alemão dos imigrantes locais, o famoso “Grossen Got, wir loben Dich” (“Deus eterno, a Vós louvor!”). Agora, os cantos já foram diferentes e muitos, que certamente também cansaram a voz do conhecido maestro Abílio Piovesan e seu grupo, além de outro que acompanhou a caminhada.

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Sobressaiu, no conjunto, a beleza das verdadeiras e trabalhosas obras de arte feitas a cada ano em frente e dentro da Catedral, que solenizam ainda mais o momento e, se ficam ali por pouco tempo, permanecem na memória de todos que participam e renovam sua fé e a convicção de quão é belo o cultivo da religiosidade e espiritualidade, para o reânimo de sua vida e da comunidade. No mesmo sentido, deve contribuir novo evento anunciado – “a 1ª Festa de São João Batista”, o padroeiro cuja estátua veio da Alemanha em 1870. Terá seu ponto alto sábado, 13 de junho, na praça.

Neste período inicia-se nova edição da Copa do Mundo, para onde se voltam as atenções da população, quase em demasia, segundo alguns, mas não se pode ignorar o bem que, da mesma forma, faz o esporte na vida das pessoas, tanto na prática como na torcida.

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“Para quem torce, esse intervalo de tempo representa uma das experiências mais intensas e complexas que o sistema nervoso humano pode vivenciar” e “a ciência revela que torcer para o seu time de coração – desde que de forma saudável – é um tônico extraordinário para a saúde mental e cognitiva”, como diz Érica Oliveira, gestora pedagógica que atua com Ginástica para o Cérebro.

Menciona pontos como “válvula de escape neurobiológica para as pressões do cotidiano” e “a conectividade social, que combate o isolamento e atenua sintomas de ansiedade e depressão”. Enfim, temos tanto na espiritualidade quanto no esporte boas razões para encontrar meios de melhorar a nossa vida, sempre, é claro, dentro de uma linha de equilíbrio e sensatez. Que possamos, pois, comemorar também muitas vitórias neste campo de benefícios que ambos oferecem.

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