A Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco) manifesta preocupação e contesta a nova tarifa adicional imposta pelos Estados Unidos ao tabaco brasileiro. Em apoio ao ofício encaminhado pelas entidades representativas do setor ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a associação cobra uma atuação imediata do governo federal para reverter a medida e incluir o produto na lista de exceções.
Para a Amprotabaco, o tarifaço ameaça a competitividade das exportações e pode provocar consequências diretas sobre agricultores, trabalhadores, empresas, comércio, prestadores de serviços e administrações municipais.
LEIA MAIS: Setor do tabaco alerta para risco de perdas de até US$ 100 milhões com tarifa dos EUA
Publicidade
Estimativas apresentadas pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e pela Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) indicam que o Brasil poderá perder aproximadamente US$ 100 milhões em exportações caso o tabaco permaneça fora da lista de exceções. Em 2025, as vendas do produto ao mercado norte-americano somaram US$ 195,3 milhões, com redução de 23,4% em relação ao ano anterior. No primeiro semestre de 2026, os embarques alcançaram US$ 88,8 milhões, queda de 31% na comparação com o mesmo período de 2025, cenário que amplia a preocupação dos municípios dependentes da cadeia produtiva.
O presidente da Amprotabaco e prefeito de Vera Cruz, Gilson Becker, destaca que qualquer redução nas exportações repercute diretamente na economia local. “Não estamos tratando apenas de números da balança comercial. Estamos falando da renda de milhares de famílias, da manutenção de empregos, do movimento das empresas e do comércio e da capacidade financeira dos municípios para investir em saúde, educação, infraestrutura e atendimento à população. Quando o tabaco perde espaço no mercado internacional, toda a economia regional sente os efeitos”, afirma.
LEIA MAIS: Tabaco brasileiro é atingido por nova sobretaxa de 12,5% dos Estados Unidos
Publicidade
A entidade também alerta para o risco de compradores norte-americanos substituírem o tabaco brasileiro por produtos de países concorrentes, como Zimbábue e Malaui. A perda de contratos pode comprometer a demanda pela produção nacional, especialmente pelo tabaco Burley, e gerar efeitos duradouros sobre uma cadeia estruturada, em grande parte, a partir de pequenas propriedades e da agricultura familiar. A Amprotabaco contesta ainda o tratamento dado ao setor, uma vez que outros produtos brasileiros foram incluídos entre as exceções, enquanto o tabaco continua submetido à sobretaxa.
Diante do cenário, a Amprotabaco solicita que o governo federal, por meio do Mdic, intensifique as negociações comerciais e diplomáticas com os Estados Unidos. A associação reforça que permanecerá ao lado dos municípios, produtores, trabalhadores e empresas na defesa do setor e na busca por uma solução que preserve a competitividade do produto brasileiro. “É necessária uma atuação firme, coordenada e urgente. A Amprotabaco estará junto nesta caminhada, ampliando o diálogo institucional e defendendo que os municípios produtores sejam considerados em todas as decisões que possam afetar a sustentabilidade econômica e social de nossas comunidades”, complementa Becker.
Publicidade
QUER RECEBER NOTÍCIAS DE SANTA CRUZ DO SUL E REGIÃO NO SEU CELULAR? ENTRE NO NOSSO NOVO CANAL DO WHATSAPP CLICANDO AQUI 📲. AINDA NÃO É ASSINANTE GAZETA? CLIQUE AQUI E FAÇA AGORA!