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josé alberto wenzel

Arco verde das águas dialogantes

Permito-me perguntar: “quantas vezes você se surpreendeu com as fontes que encontrou em suas caminhadas?” Talvez você saiba de algumas pouco conhecidas, de outras guardadas na memória e das quase secretas, mas que, ao olhar mais atento, brotam inesperadas. Por certo, em sua possível resposta, você fale das fontes bem conhecidas como as do Parque da Gruta, da “Chácara das Freiras” e de surgências no seu bairro ou na sua propriedade. Quem sabe lembres das fontes que abasteceram, por muitas décadas, o antigo Sanatório Kaempf.

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Cabe recordar que Eduard Kaempf, ao escolher a área para instalar a “Casa de Saúde Natural”, se preocupou com natureza exuberante, ensolarados ares puros e água límpida. Quanto às águas, ele não se deparou apenas com uma fonte, mas com uma zona de vertências em situação privilegiada, ou seja, relacionadas ao arenito abrigado entre as argilas e os basaltos, até porque as argilas apresentam um comportamento impermeável, ao tempo em que os basaltos permitem a percolação das águas que abastecem os arenitos. Assim, no contato desses arenitos com os basais folhelhos avermelhados costumam ocorrer boas condições para o afloramento das águas.

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Esses mesmos arenitos se apresentam, em significativas ocorrências, ao longo do arco desenhado pelo Cinturão Verde. Há que se ressaltar que às sequências litoestratigráficas em sua correlação com as nascentes várias outras interfaces se pronunciam, como os depósitos de “tálus” (material inconsolidado, descontínuo, heterogêneo e instável), as fraturas e falhas, as condições de intemperismo, a insolação, a topografia, a pluviosidade, a vegetação, a capacidade de infiltração e as áreas de recarga entre outros aspectos relevantes, como as nem sempre adequadas intervenções humanas (interrupções de fluxo, sobrecargas, desmatamentos, impermeabilizações, cortes e aterros, canalizações, fracionamentos…).

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Neste cenário, não podemos esquecer a drenagem de superfície e o divisor de águas: a leste os fluxos direcionam-se para o arroio Schmidt e a Oeste para o Pardinho. Basta observarmos a espacialidade de boa parte das nascentes do arroios Lajeado, Jucuri, da Gruta, do Moinho, das Pedras e seus tributários para estabelecer as correlações hidrogeológicas.

Na verdade, tudo está interligado e conectado, tanto em suas fortalezas quanto nas vulnerabilidades, incluindo estiagens, inundações e movimentos de massa. Com o que, ao tempo da prodigalidade da Terra em suas diferentes manifestações geobiodiversas, entre elas a oferta da água, se faz preocupante, e muito, nossa forma de nos relacionar com os fluxos de água, com as zonas de “tálus”, fraturas e falhamentos estruturantes.

Sim, tudo está em movimento, a exemplo das águas atemporais que dialogam com todas as demais coexistências, mesmo que não consigamos entender, em grau suficiente, que ao intervir numa parte estamos mexendo com o todo. As águas nos universalizam e convocam para uma nova relação com a natureza. Aliás, que bela e potente a mensagem ambiental, com ênfase para a água, que integrou o recente encerramento dos jogos olímpicos de inverno “Milão-Cortina 2026.”

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Colegas, pois somos todos aprendizes, nos permitamos, afetuosamente, umedecer os olhos e a alma. Quem ama cuida!

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