A ferramenta Mapa das Empresas, viabilizada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), apontou que houve crescimento no número de empresas em Santa Cruz do Sul. Um dos setores, no entanto, apresentou redução mais expressiva: o comércio varejista fechou 103 lojas, desde 2023.
As explicações para esse cenário são diversas, de acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Santa Cruz do Sul e Região (Sindilojas-VRP), Mauro Spode. Ele observa que é preciso cautela para analisar a situação, mas cita que ainda podem ser percebidos efeitos da pandemia, das enchentes, do aumento dos custos operacionais, dos juros elevados e taxa de inadimplência, que permanece alta (33,53%, ao fim do primeiro semestre).
“Para empresas tradicionais, que muitas vezes possuem estruturas maiores e custos fixos mais elevados, essas mudanças exigem uma capacidade permanente de adaptação.” Em relação aos novos negócios acrescentam-se, ainda, os desafios naturais dos primeiros anos de atividades.
Para minimizar os efeitos dos fatores que impactam o desenvolvimento das empresas do setor, o Sindilojas procura atuar na qualificação e preparação para a rápida mudança do mercado. “Não existe uma fórmula única para o varejo, mas há alguns pontos que hoje são indispensáveis: gestão financeira eficiente, controle de custos e estoque, conhecimento do cliente, atendimento qualificado, presença digital e capacidade de oferecer uma experiência diferenciada”, enumera.
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Spode reforça que são desenvolvidas diferentes estratégias e ações de valorização do comércio local. Isso vem associado com orientações sobre compreensão do novo perfil do consumidor e a utilização da tecnologia, integrando loja física, redes sociais e outros canais.
“A comunidade precisa perceber que comprar no município fortalece uma cadeia inteira: mantém empregos, gera impostos, movimenta prestadores de serviços e os recursos ficam na economia local”, alerta.
Internet, bets e a inadimplência como desafios
O comércio eletrônico é apontado como o grande fator de mudança no setor do varejo. Os consumidores têm mudado de hábitos e isso faz com que o lojista tenha como concorrência não apenas o vizinho da rua, mas de todo o planeta. “Isso exige que o varejo local também esteja presente no ambiente digital, ofereça conveniência e valorize diferenciais que a compra exclusivamente online não consegue entregar, como atendimento, relacionamento, confiança e proximidade”, orienta Mauro Spode.
O dirigente diz que não é possível afirmar que as apostas online (bets) justifiquem o fechamento de lojas, mas o fato de disputarem a renda disponível é mais um complicador para o comércio. “Quando recursos são direcionados de forma recorrente às apostas, há menos dinheiro circulando na economia local”, frisa.
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Isso ganha ainda mais peso quando leva o consumidor à inadimplência. O varejo depende da capacidade de consumo das famílias. “Quanto maior o comprometimento da renda, menor o espaço para novas compras.”
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